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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Que melhor explicação?

Ora, hoje foi o dia em que a direita decidiu dar uma explicação, uma excelente explicação, diga-se, do que se passou no passado dia 4 de outubro e aquilo que significa o novo quadro parlamentar eleito pelo povo.

Tal como foi (excessivamente) escamoteado, o que se passou no dia 4 de outubro, últimas eleições legislativas, foi que a coligação PáF (PSD+CDS) venceram as eleições, sendo a força política apresentada a eleições que reuniu mais votos. Porém, essa vitória não foi o suficientemente representativa para se verificar uma maioria absoluta no parlamento.

Tendo em conta que em política, apesar de haver um chamado "espaço" de centro, em que o PS está mais a esquerda e o PSD à direita, e que o PSD e CDS, a direita de Portugal se apresentou a eleições coligada, quer isto dizer que os votos da coligação PáF são todos os que a direita reuniu. Salvo, com representação parlamentar.
Por consequência, e aqui verificou-se o inédito, a esquerda (PCP, BE, PEV e PS) uniram-se e formaram acordos para criar condições de estabilidade e governabilidade (que terão de ser agora provadas na prática durante os 4 anos da legislatura).

Em suma, a direita reuniu 38% dos votos (logo, 38% dos deputados) e a esquerda 62% dos votos (e como tal, 62% dos deputados). Sendo 62 um número maior ou igual a 50+1, verifica-se uma maioria absoluta da esquerda em apoio parlamentar.

E a pergunta que se coloca agora é: Mas porque é que estás a falar disto outra vez Pedro? Simples. Porque a melhor forma de mostrar o que acima escrevi, é verem o que se passou hoje no parlamento.
Quando a esquerda apresentou uma moção de rejeição a um Governo de direita, essa moção foi aprovada. Hoje, a direita apresentou uma moção de rejeição a um Governo de esquerda, e foi rejeitada.

Perceberam a diferença?

domingo, 5 de julho de 2015

Grécia. E agora?

Pelos vistos, ainda está por confirmar, mas o não deverá ter ganho o referendo na Grécia.

Se eu fosse grego, teria votado não. Por isso, estou feliz com o resultado.
Mas é ao mesmo tempo, uma sensação estranha. Sim, porque muita coisa agora está em aberto, inclusive a saída da Grécia da zona euro, que poderá até ser o mais provável, e é precisamente aquilo que eu não quero que aconteça.
Então, eu queria que ganhasse o não, e que a Grécia não saia da zona euro? Exatamente. O que eu quero, é que seja caminhado aquele caminho estreito entre a saída da zona euro, e a autonomia de um país, de uma nação, para poderem tomar as suas próprias medidas e políticas económicas.

O tempo não é de celebrações, mas sim de trabalho e consensos. E o ministro das finanças grego percebeu isso, ao ponto de ainda hoje, se reunir com os banqueiros e amanhã já estar sentado, novamente, na mesa das negociações.

Este resultado, e tendo em consideração o que foi sendo dito ao longo da semana pelos principais membros do Governo grego, apenas reforça a posição deste Governo, que agora não representa apenas as suas vontades (mais pessoais) mas sim a vontade de um povo.

Nunca ouvi Varoufakis dizer que não quer a Grécia na zona euro. Antes pelo contrário. Ouvi até, e foi curioso porque em Portugal a forma de fazer política é bem distinta, o ministro das finanças grego dizer que prefere cortar o braço a assinar um acordo que não fosse bom para os gregos! Apenas aqueles que têm um lugar na história, no lado certo junto dos heróis é que dizem isto. Por sua vez, e porque é importante não esquecer, ouvimos o nosso Presidente da República dizer que se a Grécia sair do euro, como somos 19, passam a 18. 

O que é certo é que venceu a resposta que coloca a Grécia mais perto da saída do euro. Se o sim tivesse vencido (é importante relembrar que ainda não sabemos o resultado final) teríamos amanhã um Governo demitido na Grécia e as instituições europeias a poderem continuar a controlar por completo o povo grego.

Agora, teremos duas grandes saídas:

  1. Ou os responsáveis europeus perceberam e sabem ler o resultado, e cedem nas negociações;
  2. Ou teremos um governo que não tem outra saída senão respeitar o que o povo quer, e romper com a zona euro.
A minha opinião sobre aquilo que vai acontecer é que, como na verdade ninguém com dois dedos de testa quer a saída de nenhum país da zona euro, as instituições europeias vão ceder no pouco que falta. Na verdade, não têm outra saída senão esta. Ninguém quer ficar com a batata quente na mão.

Ao contrário do que Passos Coelho tem dito, é óbvio que haverão ilações para Portugal. A começar pela possibilidade de o nosso Primeiro-Ministro vir a ser reeleito ou não. Caso as negociações entre a Grécia e as instituições europeias não cheguem a bom porto, ninguém calará Passos Coelho e Paulo Portas a dizer que não existe o caminho que António Costa defende. Caso se chegue a acordo, ouvirão, certamente, António Costa utilizar a Grécia como exemplo.

Os próximos dias sim, vão ser decisivos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um ano não é assim tão pouco...




O dia de hoje é a prova de que na politica, um ano pode ser uma eternidade!
Quem não se lembra da demissão irrevogável de Paulo Portas? Pois e, faz hoje 1 ano.


Neste dia em 2013, estávamos perante uma crise interna, mas no Governo. Por esta altura, já se faziam contas no PS para saber quem ia ocupar que pasta. Cavaco chegou a propor Governo de salvação nacional e teríamos agora eleições antecipadas. Creio que se Antonio Jose Seguro soubesse o que sabe hoje, teria aceite.

Segundo o jornal i de hoje, Hélder Amaral defende que os portugueses deviam agradecer a Paulo Portas. Eu não sei se foi uma piada ou não, mas deu-me vontade de rir! Então os portugueses continuam a ser despedidos, os orçamentos de estado continuam a ser inconstitucionais, cada vez temos menos Estado social,e ainda devemos um obrigado? Hilariante...

Um ano depois, a coligação parece estar decidida a ir até ao fim, e ainda bem para o PS, mas o maior partido da oposição está, por via das decisões da actual direcção, a mostrar o porquê de muitos acharem que a política e apenas maquinas partidárias. Tenho pena, acho que ninguém fica a ganhar nada com o adiar, a não ser o próprio Seguro, que se ganhar as eleições internas (e prefiro não pensar como), usará esta situação como halibi para uma possível derrota nas legislativas.

Seja como for, o dia de hoje demonstra bem aquilo que um ano significa, o que para nós, portugueses comuns, se torna numa esperança. Esperança que o bom senso desça ao parlamento e crie um futuro melhor.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Portuglanda



Nos últimos dias, principalmente depois da entrevista que Pedro Passos Coelho deu ao jornalista José Gomes Ferreira, temos assistida a uma comparação intensa entre Portugal e a Irlanda.

Neste ponto, dou desde já, os meus parabéns ao Primeiro-Ministro. Logo quando tomou posse, o que fazia manchete eram as suas declarações de que não queria que Portugal fosse uma segunda Grécia, não admitia sequer vir a ser comparado. Hoje, 3 anos depois e principalmente, um memorando de entendimento/empobrecimento depois, vemos que o nosso país tem sido, correcta ou incorrectamente, apenas comparado à Irlanda. Objectivo nº 1 de Passos Coelho: Check!

Agora, todo este júbilo por, aparentemente, se chegar à data prevista e conseguir cumprir o contrato, não deve ser motivo de tanta satisfação por várias razões, mas só vou evocar duas! Uma, é que o normal, é cumprir-se um contrato, logo, o seu cumprimento não é motivo por si só de "festa" mas antes, o seu não cumprimento, deve ser motivo de repúdio. Dois, é preciso olhar aos meios para atingir os fins, e empobrecer o país da forma como foi feito, é muito diferente de desvalorizar uma moeda como anteriormente se verificou entre outras medidas.

Outras questões que me fazem alguma confusão, é o facto de ainda termos taxas de juro elevadíssimas, uma dívida que demorará anos a fio, gerações inteiras para que se consiga saldar. 
Este Governo tem, constantemente, sacrificado os funcionários públicos e pensionistas em prol da consolidação, necessária, das contas públicas. A meu ver, é injusta esta receita.

Esta comparação constante entre Portugal e Irlanda, e uma vez mais, o nosso país parecer ter a necessidade de seguir os outros, está a despoletar em mim um sentimento de profunda tristeza. Não há um PM ou Vice-PM que diga: Não nos comparem a ninguém! Nós temos o nosso valor. Estas (x,y,z) são as nossas valências, os nossos activos, as nossas mais valias. Ou seja, ninguém nos defende? Temos necessariamente de ter uma saída como A, B ou C? Porque não podemos ter uma saída à portuguesa?

Gostaria muito de ver os nossos agentes políticos reflectirem sobre isto, e pensarem que estão a actuar para o povo português, e não num show off europeu, com vista eleitoralista e faça aquilo que deve fazer... independentemente daquilo que os outros façam ou deixem de fazer!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

10 chumbos e uma recordação



Eu prometo ser breve, mas neste momento existem apenas duas notas que quero aqui dar conta...

1. Esta semana, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho, com a ajuda e apoio de Paulo Portas e sempre com o aval de Cavaco Silva, viu o Tribunal Constitucional chumbar pela décima (10ª), eu vou repetir, décima vez, medidas levadas a cabo pelo Governo, que com a sua maioria fizeram passar na Assembleia da Republica, envergonhando-a, medidas que se vieram a comprovar inconstitucionais.

Mas ao mesmo tempo, sejamos realistas, esta medida, ao contrário das outras que revelam uma enorme dificuldade deste partido (PSD) viver em democracia e com uma constituição, o objectivo era lançar mais uma tema para a agenda pública, evitando a discussão de outros temas, que poderiam ser bem mais inconvenientes ao executivo. E por outro lado, atrasa e faz arrastar uma medida que, sendo um direito fundamental, irá passar na AR.

2. Lembram-se de um dia, algures em 2011, quando numa reunião em Bruxelas, perante os parceiros europeus, o então Primeiro-Ministro José Sócrates comprometeu-se, dada a necessidade, a levar a cabo, se não me engano o PEC IV, e mal pôs os pés em Portugal, parecia que tinha caído o carmo e a trindade? Era visto na altura como deslealdade! Pois bem, quem mais criticou na altura a actuação de Sócrates, comprometeu-se agora em cortar mais de 2000 Milhões de euros... Enfim, dois pesos e duas medidas. Já estamos habituados não já?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Estamos de acordo



Pires de Lima até nao está mal cotado na minha consideração, principalmente tendo em conta o grupo em que esta inserido, mas apenas hoje parei para pensar no que ele está a fazer no Governo, e eis que chego à mesma conclusão que ele, notoriamente, já chegou e não foi apenas hoje!

O que me levou a pensar no seu papel no Governo foi a sua entrevista hoje ao jornal público, que vale a pena ler.

A conclusão da qual os dois partilhamos é da sua inutilidade no Governo... Sim, inutilidade. O próprio já se apercebeu de que nao está no Governo a fazer rigorosamente nada senão um favor a alguém, nomeadamente Paulo Portas que sempre sonhou com aquela área, e que criou uma crise política que só agora estamos a recuperar no mercado para que fosse atribuída esta pasta ao CDS. E conseguiu...

Porque é que eu digo que nao está lá a fazer nada? Porque apesar do desemprego estar a baixar, o próprio, logo no dia seguinte a tomar posse, atribuiu os louros ao antecessor Álvaro Pereira, e ainda continua. Não conseguiu convencer os colegas a que fosse baixado o IVA da restauração, quando há estudos que o defendem, estudos estes a pedido do Governo e também porque ainda nao conseguiu colocar de forma decisiva na agenda política a possibilidade de se aumentar o salário mínimo. Ou seja, tudo somado dá zero.

Mas nao se fica por aqui... Ele está a ser uma moleta de Paulo Portas até porque tentar lançá-lo para a corrida a Belém, espero que nao passe de mera estratégia de marketing para se vender o jornal com esta manchete. Sim, porque seria mesmo muito mau, como estamos a poder ver o homem com poder.

Para finalizar, dar conta de que o próprio Pires de Lima esta a fazer um frete, até porque, já sabe quando sairá, "depois de Outubro de 2015" para voltar à vida empresarial, onde "se sente em casa". 

domingo, 3 de novembro de 2013

No mínimo, anormal!



Como todos sabemos, Paulo Portas foi a grande figura do Governo desta semana.

Primeiro, quarta-feira apresenta o tão esperado guião para a reforma do Estado, não querendo falar muito do fraco conteúdo, apenas de salientar que foi um pedido de uma nova constituição e do apoio do PS para a reforma que quer levar a cabo, conteúdo em si, nada de muito novo.

Depois, quinta-feira foi um dia muito diferente no parlamento, onde Paulo Portas está igualmente no centro das atenções.
Não há memória de ver uma figura de Governo, principalmente com a importância que o líder do CDS tem hoje em dia no executivo, apresentar as ideias gerais de uma reforma do Estado, o tal guião apresentado ao parlamento, e não merecer, sequer, uma única palma. Mais, se acrescentamos a este facto, o facto de este Governo ser de maioria absoluta e estarmos em fase de debate do Orçamento de Estado (quer isto dizer que precisa de todo e qualquer apoio), é algo muito estranho, para além de grave!

Ainda quinta-feira, e ainda com Paulo Portas a falar para os restantes deputados, ouvimos mais uma manifestação em pleno plenário, onde um grupo de cidadão interrompeu o vice-Primeiro-Ministro chamando-lhe assassino, o que é também inédito, e a meu ver, exagerado... tudo bem que este Governo tem matado a economia e a esperança do povo, mas daí a chamar assassino, parece-me um bocado abusivo.

Leva-me a concluir que, foram dois dias, no mínimo anormais...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Duas ameaças



Hoje surgiram duas ameaças para o nosso país. Logo de manhã cedo soubemos que o Governo angolano pretende terminar as relações bilaterais existentes entre os dois países, e terminamos o dia a conhecer o novo Orçamento de Estado.

Sobre o OE 2014, que muito está hoje a ser escrito, mas muito mais ainda haverá para escrever, vou escrever não hoje, mas sim até ao final da semana, quando for mais claro aquilo que acontecerá no próximo ano ás nossas finanças públicas.

Mas quanto ao término das relações bilaterais com Angola, que desde o início da tarde que ninguém fala disso, algumas análises podemos tirar, entre as quais, e a principal a meu ver, é que este Governo, liderado por Passos Coelho está cada vez mais sozinho.

Antes da atitude irrevogável de Paulo Portas, este ocupava grande parte do seu tempo a viajar, nomeadamente para Angola, à procura de uma relação bilateral forte e que pudesse ser benéfica para os dois países de língua portuguesa. Chegou-se mesmo a marcar, para Fevereiro próximo, a primeira cimeira bilateral entre os dois países, a realizar em Luanda. Mas depois das declarações no debate sobre a nação, tudo isto poderá ir por água abaixo.

Mas até aqui, não podemos concluir que o Governo português esteja cada vez mais sozinho. Mas se a tudo isto, lhe juntarmos que, depois da tal atitude irrevogável, substituiu Portas, Rui Machete, pode começar a fazer sentido!
Depois da mini renovação governamental levada a cabo, alguns ministros foram empossados. De todos, o único que ainda não mostrou qualquer trabalho, foi precisamente o dos negócios estrangeiros! O único trabalho que este ministro tem mostrado, é o das comissões de inquérito a que é chamado, e onde dá o dito por não dito.

Dadas as instabilidades políticas que este executivo cria, e depois desta má escolha do nosso Primeiro-Ministro, não admira que os governantes de Angola, pouco ou nada queiram ter a ver com o nosso quotidiano.

As nossas opções têm um preço, e que a escolha de Rui Machete, como o OE hoje apresentado, têm o seu.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Continuamos no fundo



Afinal, Paulo Portas não tinha assim tanta razão, quando dizia que tínhamos saído do fundo.

Hoje, entre reportagens de quase todo o país, entre vencedores e vencidos das eleições de ontem, surge uma notícia que está a passar ao lado de quase todos os portugueses, mas que se irá entranhar no seu quotidiano. O défice orçamental, que se tem discutido se deve ou não ser reajustado entre 4,5 a 5%, esteve no primeiro semestre nos 7,1%.

Pelos vistos, quem tinha razão acaba mesmo por ser Passos Coelho, quando diz que estamos a beira de um segundo resgate. Vítor Gaspar já saiu do Governo a algum tampo. Paulo Portas já fez o seu "jogo de cadeiras". A austeridade já está implementada. Ontem nas autárquicas o povo disse um não claro ao actual PM. E ainda assim, resiste, os meus parabéns. 

Contudo, o papel de um primeiro-ministro não é ir resistindo, mas sim governar. E isso, parece-me que o executivo tem feito muito pouco ou nada.

No dia em que o segundo resgate for pedido, antes de ter curiosidade sobre o valor a pedir, vou querer saber quem vai sair como culpado da situação. Para mim, a resposta é clara, a austeridade é a culpada, mas atenção, a austeridade não aparece vinda do além...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Segundo resgate à vista?



A rentrée dos partidos está a ser marcada pelo chumbo do Tribunal Constitucional (TC) e consequentemente com a ameaça de segundo resgate por parte de Passos Coelho.

Eu até gostava de perceber o que se passa com o nosso Primeiro-Ministro, para estar agora com uma ideia dessas, então não é o bom aluno europeu? Não estávamos muito mais perto da Irlanda do que da Grécia? As avaliações da Troika não têm sido positivas? Confesso que não consigo perceber.

Mas outra coisa que me parece evidente, é que o Governo não fala a uma só voz. Enquanto Passos Coelho reage ao TC com ameaças de novo resgate, o nº 2 da coligação prefere dizer que vai ser encontrada nova solução, dizendo mesmo que tudo se fará para se recuperar a soberania e liberdade que o memorando nos retirou. Enquanto o líder do PSD não diz que não à intenção de baixar salários, o ministro do CDS diz que já está tudo feito em matéria laboral e que por isso mais nada será feito como a troika quer a partir daqui. Dá a entender que o PM está já a procurar desculpas para o falhanço da austeridade que instalou no nosso país.


Mas a leitura do membros do CDS sobre estas matérias, a meu ver, têm apenas uma intenção, sacudir a água do capote e desmarcando-se assim da ideia de que um segundo resgate seria por causa da demissão do seu líder do Governo que só serviu para dar novo sentido a palavra irrevogável.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Com o "novo ciclo"



Depois desta crise política, que nada de novo nos trouxe, senão 15 dias gastos em falsos alarmes de pânico nacional, existem leituras por entre as linhas que devemos fazer.

Ontem, tomaram posse os novos ministros deste Governo, Rui Machete, Pires de Lima e ainda Moreira da Silva. Santos Pereira foi despedido, Assunção Cristas e Mota Soares viram os seus ministérios alterados.

Vou começar precisamente por aqui, a alteração dos super ministérios. Passos Coelho, quando foi para o Governo, e passando uma ideia de que iria gastar pouco dinheiro, foi populista e cortou no número de ministros. Desde logo se viu que não era grande opção, e a prova foi a ausência de politicas de crescimento económico e criação de emprego e a inacção das pastas sociais.
A seguir à demissão de Vítor Gaspar, acho que este é o segundo grande sinal de reconhecimento de falhanço das opções feitas pelo executivo.

Continuando a analisar o comportamento e opções do nosso PM, podemos concluir que o líder do PSD foi inteligente na escolha em relação a Rui Machete. Com toda este confusão entre demissões, acordos e desacordos, já ganhou uns 20 dias em que não se discutiu o estado real dos portugueses. Com esta escolha, não só acalma os ânimos do partido em relação à perda de soberania económica, como também ganha mais tempo de fôlego, uma vez que o tema de conversa política será o curriculum vitae do histórico do PSD. Apesar de estar ligado à SLN, Machete está conotado como próximo de Ferreira Leite e Cavaco Silva, e este facto pode dar muito jeito ao PM. Tenho que reconhecer que aqui, Passos Coelho foi um estratega nato e consegue assim desviar as atenções. (Tal como Salazar usava o SL Benfica)

E já que estamos a falar em estratégias, Paulo Portas reaparece como especialista neste campo e, com uma decisão irrevogável, consegue a promoção da sua vida e melhor, alcança algo que o seu partido ambicionara à algum tempo, a pasta da economia.

Tendo em conta que são os dois grandes estrategas, que ambos querem o poder a todo o custo, e também o famoso ditado popular em que nos diz que os opostos se atraem, não me parece que este "casamento" vá correr lá muito bem... Mas para isso temos o Presidente da República não é verdade?

domingo, 7 de julho de 2013

O acordo deu nisto



Uma coisa parece ser certa, temos estabilidade política até as eleições europeias, ou seja, temos Governo até ao fim do mandato. Isto até poderia ser óptima, mas acontece que eu não olho apenas a metas, mas sim também e essencialmente a meios, e isto ser conseguido apenas com uma "clausula" que encarece o eventual divórcio, não me parece lá muito democrático.
Já que falo em meios, o acordo até pode ser bom para a coligação, logo, para o país, mas a forma como foi conseguido por Paulo Portas, não me parece a ideal. Mas a verdade é que a partir de agora temos um Governo em versão 2.0. (poder ser melhor ou ainda pior)

Não entendo, como o PR aceita esta retirada de soberania ao povo e, legitima um Governo nestas condições, claramente contra a vontade do povo.

Como português, não me sinto protegido por este executivo.

Mas uma coisa que é muito interessante, é ver Paulo Portas agora a coordenar a economia, finanças e a relação com a troika. Isto significa que passa a ser não vice primeiro-ministro mas sim quem realmente manda. Passos Coelho passa assim a ser um fantoche.

Portas a partir de agora, para mim, não é governante mas sim estratega. Conseguiu o que queria, vamos ver o resultado.

NOTA: Esta imagem diz tudo, Paulo Portas a sorrir e Passos Coelho a vergar a cabeça. Melhor imagem era impossível

sábado, 6 de julho de 2013

Antes do acordo



Estamos a 25 minutos da declaração, que os líderes do PSD e CDS vão fazer ao país para dar a conhecer o acordo assinado entre ambos, mas até lá, as ideias que ficam:

1. Paulo Portas consegue revogar o que é irrevogável, sai e entre do Governo como jogo de poder. Ganha notoriedade e perde, pelo menos a minha, consideração que restava.

2. Acabou por mostrar medo dos delegados ao congresso do partido que lidera, e decidiu adiar a realização do congresso para ter a certeza que não é enxovalhado. 

3. Afinal os esforços que o povo está a fazer, podem muito bem ir por água abaixo e cada vez temos menos credibilidade. Continuamos, como sempre, dependentes dos mercados e fazemos o que eles querem. A democracia assim está em risco e pode estar em causa por aqueles que nos governam. 

4. Passos Coelho anda ali por andar, faz no fundo, o que os outros querem que faça. Tudo para ficar agarrado ao lugar com que sempre sonhou.

Mas agora, quanto ao acordo e sem saber o que ele contem escrito, pode até não ser mau. Pode ser óptimo  como pode ser péssimo, a ver vamos o que diz e como é executado. Recordo que à não muito tempo, o PS também viveu uma grave crise interna, tal como a coligação, e através de um acordo, hoje está unido e fala a uma só voz, foi bom e está a dar resultados. Se o mesmo se passar entre o PSD e o CDS, e for realmente em prol do emprego e crescimento económico, até sou capaz de tentar perceber toda a palhaçada que aconteceu ao longo da semana. Mas se o sumo de tudo isto, foi passar Portas a vice-primeiro-ministro e arranjar mais dois cargos para boys dos partidos, repudio totalmente o que tem acontecido.

Na sua demissão, Portas dizia que não concordava com as políticas seguidas nem como o PM tem governada. Ao passar agora a vice, pode muito bem forçar a demissão de Passos e passa assim automaticamente a PM. Uma coisa é certa, conseguiu a remodelação que queria, tem mais notoriedade e sobretudo, teve as atenções voltadas para ele e mostrou, a sua importância num Governo frágil.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Só a remodelação existe?



Haviam no início da coligação, uma mão cheia de pastas e cargos importantes, mas a serem divididos por dois partidos.
Primeiro-Ministro, Ministro da Finanças, Ministro da Economia, Negócios Estrangeiros e também de Estado. Por nomes, Passos Coelho, Vítor Gaspar, Álvaro Pereira, Paulo Portas e Miguel Relvas.
Destes 5 nomes, dois já se demitiram, outro está em processo de demissão ou promoção, ainda não se percebeu bem, outro (Passos)tem sido muito contestado para sair e ainda o Álvaro, que nunca se viu nada do trabalho dele!
Um Governo que faz tudo, menos governar.

Paulo Portas à muito que tem pedido uma remodelação governamental, mas acontece que foi havendo remodelações mas não ao seu jeito, logo, demitiu-se e disse que era irrevogável.
Hoje, a comunicação social já fala que está em cima das negociações a hipótese de Portas ficar com um cargo mais relevante ainda.

Não andaram a brincar com os portugueses? Não andam a fazer joguinhos de poder? E todos os sacrifícios pedidos até agora estão assim a ser deitados por água abaixo? Não era assim tão importante os juros? O mercado? Então? São estes os únicos problemas do país? Já não há desemprego? Dívida? Défice? Alguma coisa está muito mal no meio disto tudo e os eleitores não têm culpa de certeza e vão ser quem vai ficar a perder... like always.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Coligação a meio gás



A verdade é que, a coligação não era Paulo Portas e Passos Coelho, mas sim CDS e PSD.
E o que aconteceu nas últimas 48h ao Governo, não foi mais do que um Ministro das Finanças que se demitiu por não resultar a sua receita (obrigado por admitir e fazer a mala), uma péssima escolha para substituir Vítor Gaspar, e o Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Paulo Portas não concordar com as escolhas do PM e das políticas adoptadas e demitiu-se também.
Paulo Portas usou ao longo destes dois anos, o benefício de ser ministro e líder partidário em simultâneo, em sucessivos momentos, a assinar por baixo e deixar passar medidas imperdoaveis, em nome da instabilidade e ao mesmo tempo, criticar essas mesmas medidas.
Agora é uma vez mais disso mesmo, como ministro demitiu-se, mas como líder partidário, irá ver como fica a coligação com a sua ausência.

O que me quer parecer é que, neste momento, deve estar algo arrependido de alguma coisa. Ou de ter outrora passado medidas que claramente não concordava, ou de ter rompido agora com essa estabilidade, por causa dos mercados, que vinha sendo o seu escudo de protecção. É que agora, e uma vez que são papéis distintos, a coligação vai existindo na mesma (Pedro Mota Soares e Assunção Cristas), e os mercados reagiram muito mal à notícia.

Ficarei muito contente se os dois partidos se souberem comportar democraticamente, e ficarei muito triste, se todos os sacrifícios que foram pedidos não terem porto qualquer (bom ou mau), por culpa do que está a acontecer. Espero que o PM não se esconda atrás desta crise política, para justificar a sua péssima governação, que está a liderar.
Mais contente ainda ficarei se houver uma mudança de rumo. é que não me está a parecer que vamos sair bem deste caminho que está a ser seguido.

Já agora, mora alguém em Belém? Daria jeito que pusesse fim a este delírio!

O fim da incompatibilidade



Outrora, num outro artigo, defendi que Paulo Portas tinha perdido a sua oportunidade de se demitir do Governo, mas agora, depois de ler a sua carta de demissão, dou o braço a torcer e concordo com a sua demissão. Este Governo conseguiu criar mais discórdia entre os seus líderes de coligação.

Paulo Portas discorda à muito com a política financeira deste Governo, à muito que tem assumido publicamente, e a escolha desta ministra foi a gota de água. Segundo o líder do CDS, o que o levou a demitir-se foi o facto de o PM não o ter tido em conta, na sua decisão de escolher Maria Luís Albuquerque para esta pasta tão importante. Invoca na sua carta de demissão, o facto de não ir contra os seus princípios. Louvo esta atitude!

No entanto, neste momento, como em qualquer outro, uma crise política não é conveniente. Estamos a meses de reentrar nos mercados. Estamos sob assistência financeira externa. Estamos com desemprego elevadíssimo, défice elevado e uma dívida impagável. Estamos também a meio deste mandato legislativo.

Contudo, não se deve, tal como já com Gaspar, manter ministros a governar contra a sua vontade.
Esta situação leva-nos a ingovernabilidade  tal como em 2009 quando Sócrates ganhou as eleições e governou em minoria. Hoje, poderá ter consequências bastante mais graves para as gerações vindouras.

O que deve, com tudo isto, Cavaco Silva fazer? Ainda faltam 2 anos de mandato ao PSD, que pode governar sozinho ou procurar outra coligação. 
A meu ver, e tal como já referi, um Governo de salvação nacional ou de iniciativa presidencial, ou então, chamar os portugueses ás urnas. É óbvio que Passos Coelho  não tem mais legitimidade para governar, e como tal, o PR tem de agir como chefe de Estado que é.

Neste momento, o PS tem um papel fundamental na política nacional, tal como sempre o tem, mas hoje, como líder da oposição, tem de demonstrar responsabilidade e que está preparado para ajudar os portugueses e Portugal a superar esta crise, seja qual for o caminho seguido.

Para finalizar, e sem ironia, dou uma vez mais os parabéns ao PM pelo seu sentido de Estado, em que afirma que irá levar a sua avante até ao fim. Só demonstra que está a fazer o melhor que sabe e que está convicto de que isto é o melhor para Portugal. Pena ser apenas ele e o morador de Belém que acreditam nisto, mas um dia mudará. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"Batalha" RTP


A situação da RTP, é mais um dos pontos de desacordo entre o PSD e o CDS.
Noutros pontos, em que o CDS não concordava com a posição do PSD e consequentemente com a medida do Governo do qual faz parte, o partido centrista acabava por ceder e sair como "derrotado".
Hoje foi decidido pelo Governo que a privatização da RTP iria ficar para mais tarde, dando assim uma vitória ao CDS.
Esta questão da RTP é muito sensível, uma vez que mexe com um canal público, que está na constituição e que seria muito difícil de privatizar, quer constitucionalmente, que a nível económico. 

Agora, esta "vitória" do CDS pode ser muito perigosa. Uma vez que pode ter diferentes leituras, uma delas é que de facto o PSD possa ter reconhecido que Paulo Portas tinha razão, outra, é que o Governo, por ser de coligação, toma constantemente medidas negociadas, e pode ter havido aqui uma questão de "pontos" a entregar, isto é, uma forma de agradar o CDS para ganhar assim algum fôlego para as próximas batalhas a travar. Este é um ponto bastante importante, uma vez que Passos Coelho estava, e continua a estar isolado, cada vez mais, e com esta "pequena" cedência ganha assim muito terreno dentro do próprio Governo. Desta forma, um Governo que estava aparentemente com os dias contados, em apenas uma semana parece ter ganho mais um ano de governação incontestável!