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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O défice continua a não ser tudo



Não é por causa do Governo agora ser do Partido Socialista ou pela minha admiração por António Costa, nem tão pouco do défice ter, em 2016, registado o valor mais baixo de sempre em democracia que me vão ver a defender que o défice é de primordial importância na vida dos portugueses, ou até de qualquer outro povo.

Porém, é de inegável discussão a sua importância para a economia, pelo simples facto de que é um dos principais indicadores e que reflete o estado das contas de um país, mas não é tudo, refiro uma vez mais.

Esta obsessão que tem havido em torno dos números do défice ao longo dos últimos anos, e que consequentemente nos atira para a selva dos mercados, não pode continuar, nem mesmo quando os números são melhores, ou no caso, menos maus.

O défice, segundo António Costa, atingiu em 2016 o mínimo histórico do Portugal democrático, 2,3%, sim, dois vírgula três pontos percentuais em relação ao PIB. Ou seja, ou andamos a gastar menos ou a produzir mais, mas a verdade é que esta relação despesa pública e produção interna bruta está melhor de que nunca!

São bons sinais, sim, mas não é tudo. Muito falta a fazer, e a começar pelo défice, que se possível, não deve existir. Depois no emprego, a taxa de desemprego ainda tem dois dígitos, a do desemprego jovem é ainda muito elevada, o emprego que temos em Portugal é ainda muito precário, enfim, muitas outras coisas que temos um caminho, longo a percorrer.

Não obstante, o que estes dados nos mostram são, essencialmente duas coisas: primeiro que havia alternativa, que havia outro caminho, em segundo lugar, mostra que esse caminho, sendo que longo, está a ser percorrido.
Estas são para mim, as duas principais evidências que podemos retirar, mas temos outras, como por exemplo, o facto de o virar da página à austeridade ser uma realidade, o acordo das esquerdas afinal consegue ser cumprido, que existia e existe um espaço, mesmo que do tamanho do buraco de uma agulha, entre o acordo parlamentar que suporta o Governo e as instituições europeias. Por fim, salientar apenas que, a meu ver, só é possível porque é o António Costa a chefiar este Governo, um homem paciente, de consensos e dialogante.

É por esse Portugal que nos temos que bater e que, naturalmente, se expressará em indicadores económicos numa perspetiva de resultados das políticas adotadas e não como base das mesmas.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Excerto do Dia em revista.

Na segunda semana da edição do Excerto do Dia (que excecionalmente não houve sexta-feira), os grandes destaques foram, naturalmente, para o Orçamento de Estado, numa semana em que se deu destaque também ao cartaz do Bloco de Esquerda, que irei aqui também abordar apesar de não ter saído sexta-feira.

Começo precisamente por ai, pelo último dia, que não houve Excerto do Dia, e em caso de sair, teria sido relativo ao polémico cartaz do Bloco de Esquerda, que recorre à imagem de Jesus Cristo e em que diz que até Jesus tinha dois pais. Claramente uma analogia que aborda a adoção por parte de casais do mesmo sexo.
A polémica rapidamente se instalou, um cartaz que teve apenas um exemplar expresso, afixado na capital e que proliferou nas redes sociais. Melhor dizendo, incendiou as redes sociais e facilmente dominou os últimos 3 dias. Em Portugal, a política foi isso mesmo.
Não posso deixar de dar os meus mais sinceros parabéns ao departamento de marketing (se existir), ou senão ao responsável, pelo cartaz que foi tema indiscutível. Da primeiras declarações que ouvi relativas ao tema, foi do ex-Ministro do CDS, Pedro Mota Soares, a dizer que não achava que a maioria dos portugueses se revisse naquele cartaz. Foi então logo que percebi: resultou.
Seria óbvio que a maioria dos portugueses não se iria rever naquele cartaz, e eis os motivos que eu aponto:

  1. Um cartaz com alusões religiosas nunca gera consenso;
  2. O tema da adoção homossexual é ainda muito controverso;
  3. Bloco de Esquerda não é um partido de massas;
Penso que este "pódio" de motivos justifica bem a clarividência das declarações do ex-Ministro
Para finalizar este tema, referir ainda que o Bloco, com este cartaz, depois do comportamento na negociação do orçamento e ainda por cima depois do desempenho na campanha para as legislativas, o Bloco destaca-se, claramente, do PCP, e assume-se, a meu ver, como a verdadeira alternativa da esquerda ao Partido Socialista. E enquanto os partidos não perceberem aquilo que o Bloco de Esquerda é hoje (sim, porque no último ano definiu-se bem) vão perder terreno e vão continuar a perder votos.

Mas regressando ao início da semana, segunda-feira, destaquei no Excerto do Dia as declarações de Eduardo Catroga que falou num aspirador fical. Dou os meus parabéns, não utilizaria melhor expressão. Hoje em dia, a máquina do Estado, e consequentemente por via de cobrança de impostos, a carga sobre as pessoas particulares e coletivas é realmente muito grande, e um verdadeiro entrave ao crescimento económico e ao investimento. Porém, a máquina precisa de funcionar. É a verdadeira questão que eu gosto de refletir, como tornar o Estado mais eficiente? Assim, ou produziria mais com os mesmos recursos, ou produziria o mesmo com menos recursos. Mas é a eficiência o grande problema da Administração Pública. Agora, claro, dentro deste tema temos a burocracia, centralização, eficácia e não só.

No segundo dia de debate do Orçamento de Estado, aquele que ficará gravado na história como sendo o dia em que o PCP, em mais de 40 anos, votou favoravelmente um Orçamento de Estado, foi também o dia em que os deputados e o Ministro Vieira da Silva utilizaram músicas, de origem esquerdista, foram invocadas. O experiente governante utilizou a melhor frase possível para explicar o papel que a direita tem protagonizado na oposição, dizendo mesmo que "Os senhores estão à espera do comboio na paragem de autocarro", relembrando que o Parlamento rejeitou o Governo composto pela coligação PàF e como para bom entendedor meia palavra basta, o Ministro quis dizer que a oposição ainda se acha Governo, mas na verdade é aquilo que é, oposição. Só para eu ter a certeza que ficou claro para todos.

Miguel Guedes no seu artigo de opinião no Jornal de Notícias a meio da semana, confirmou aquilo que o Governo se tem esforçado por explicar, que este Orçamento de Estado é um virar de página, destacando o facto de que pelo menos, não cria sofrimento por antecipação. E a verdade é que, depois de 4 anos de sofrimento como os últimos, os portugueses mais do que esperança, precisam de não sofrer, no mínimo, estagnar!

Para finalizar este artigo, referir que destaquei na quinta-feira o facto de a cerimónia de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa será, segundo os primeiros sinais, uma festa das afectividades. E a verdade é que, os portugueses precisam de se sentirem de alguma forma identificados com as nossas instituições, mas as nossas instituições precisam que os cidadãos estejam recetivos, e isso só se faz com trabalho de proximidade, mas existe ainda um outro aspeto, é que Marcelo, pelo que representou nos últimos anos, poderá ser, de facto, a pessoa certa para fazer essa gestão de afectividades. Veremos se não será essa a chave para o seu sucesso, ou então para o seu falhanço. Só o tempo o dirá.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

De Cavaco Silva até ao Novo Banco. Uma viagem curta

Para mim, hoje foram duas as noticias que marcaram o dia.

Primeiro, e logo pela a manhã, Cavaco chamou Costa a Belém, não para o indigitar, mas para lhe pedir mais esclarecimentos. Ora, vistos os esclarecimentos que pediu, mais não era do que o pedido de formalização e responsabilização da postura do PS e nomeadamente de António Costa perante aqueles 6 pontos, que estavam, diga-se, quer no programa do Partido Socialista, como também tem sido largamente explicado pelo líder socialista, e outros responsáveis deste partido em entrevistas e declarações.
Porém, e tendo em conta que estamos a falar do ainda Presidente da República Cavaco Silva, até que entendo o que fez e pediu. Sim, a mim não me escandaliza nada que o tenha feito. A partir do momento em que indigitou Passos Coelho, já sabendo que este seria chumbado, se sabe que Cavaco Silva tentaria, até à 25ª hora evitar aquilo que é inevitável, que António Costa venha a ser Primeiro-Ministro. E este pedido de esclarecimentos, para mim, não é mais do que uma pré-indigitação, mas também um pedido de uma folha que mais tarde seja utilizada como escudo contra qualquer acusação que a direita possa fazer ao PR de ter empossado a esquerda.
Certo é que Cavaco Silva tem ainda uma veia imprevisível, mas penso que amanhã, dia 24 de Novembro, tenhamos a indigitação de António Costa.

A outra notícia é o despedimento de 1200 funcionários do Novo Banco. Desde o dia em que esta solução, muito pouco clara, diga-se, para o BES foi encontrada, que eu desconfio da sua eficácia e eficiência. Senão vejamos. Primeiro, temos uma solução que não iria ter qualquer custo para os contribuintes. Ora, nos dias de hoje, e no nosso sistema bancário, dar uma garantia destas, é demagogia, mas quando existe uma capitalização por parte da Caixa Geral de Depósitos (maioritariamente estatal) no Novo Banco, este risco para os contribuintes torna-se inevitável. Depois, mais tarde, já seria preciso mais capitalização, e aí já seria possível prever alguns encargos para os contribuintes, ou seja, foi fazer o primeiro passo novamente, mas sem mentir, totalmente, aos portugueses. E agora, um despedimento coletivo de mais de 1000 funcionários.
O mais engraçado de tudo, é que os media, ao darem a notícia, mostram o exemplo do BBVA, que despediu no ano passado cerca de 150 funcionários (reparem na diferença) e obteve um lucro de 1M de euros com essa "manobra laboral". Ou seja, a noticiar como algo positivo. E enquanto forem pessoas despedidas para colmatar erros de gestão, o país não pode avançar. Seja ele qual for.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

PortugalCoup, Cavaco no seu melhor

Ainda estou para tentar perceber o que se passou! Estou de ressaca, como se diz na giria popular.

No seu discurso em que indigitou Pedro Passos Coelho, o Presidente da República acabou por se enredar nas suas exigências e próprio discurso que tem vindo a adotar. Mas prefiro destacar 2 pontos.


  1. Minutos antes do discurso, era expectável que Cavaco Silva indigitasse Passos Coelho, como tal acabou por acontecer. Em condições normais, o que iria entreter os comentadores e as hostes públicas, era o facto de não ter indigitado António Costa como Primeiro-Ministro, não dando assim ouvidos ao acordo que o líder do Partido Socialista apresentou ter, com garantias de estabilidade e condições de governabilidade. Acontece que não, o que acabou por ser notícia foi o conteúdo e principalmente o tom com que Cavaco Silva anunciou, não o facto de indigitar Passos Coelho, mas sim ter excluído de um acordo parlamentar a possibilidade de PCP e BE apoiarem um Governo do Partido Socialista. Ora, estamos a falar de cerca de 1 Milhão de votos que o nosso Presidente da República ignorou. Isto, por si só é gravíssimo. Tanto mais quando tinha, dias antes, pedido um entendimento. Quer isto dizer que se esqueceu de referir que esse acordo teria de ser obrigatoriamente com os partidos da coligação. Já para não falar da questão que se permanecerá com a expressão arco da governação, que é horrível em democracia.
  2. Um dos argumentos que Cavaco Silva utilizou foi a questão de tradição. O que aconteceu no passado dia 4, não se prende com tradição mas com inovação. Aconteceu algo que nunca tinha acontecido, isto é, a força mais votada não foi a que tinha a sua ala (esquerda ou direita) consigo, isto é, a força mais votada nas últimas eleições foi a coligação (de direita) mas foi a esquerda quem reuniu maior número de votos. Este facto dá azo a uma ampla leitura dos resultados, tal como temos visto nos últimos dias.



Neste fim de semana, e como rescaldo do discurso de Cavaco Silva, por esta europa fora, foram muitos os que opinaram acerca do que se está a passar em Portugal. Com a hastag #PortugalCoup , o nosso país andou nas redes sociais, e por aquilo que se pode ler, são muitos os que acham golpe de Estado Cavaco Silva ter ignorado o acordo à esquerda.

NOTA: Já que gostamos tanto de referenciar os países nórdicos, olhemos para a Dinamarca, que é governada por forças que não venceram as eleições. E era escusado terem tirado a série Borgen da RTP 2, onde o poder deste país é lá retratado.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Votarei Sampaio

Nesta Silly Season, e depois da primeira rentrée, no Pontal, o tema Presidenciais e as candidaturas a cada semana (muitas vezes mais do que uma por semana, mas enfim) voltaram.

O problema é que desta vez, parece ser uma dor de cabeça para o PS e para António Costa. Maria de Belém pretende candidatar-se, e segundo as notícias, tornará a candidatura oficial no dia 5 de Outubro, dia logo seguinte ao das eleições que, provavelmente, tornarão António Costa Primeiro-Ministro. Problema ou mesmo solução. 

É importante ter em conta que, em eleições presidenciais, as candidaturas são individuais e não de partidos, e que existem duas voltas, se não se verificar uma maioria absoluta na primeira mão. Com tantos candidatos (já vão 16) e com 3 potenciais candidatos à direita (Santana, Rio e Marcelo), duvido que algum consiga uma maioria absoluta logo no primeiro ato eleitoral.
Devo salientar que, não sou contra o surgimento de tantas candidaturas, é bom ver tanta vontade de tomar iniciativa e marcar pela diferença.

Porém, e aquilo que tem sido (demasiado) debatido, é a batalha Sampaio da Nóvoa vs Maria de Belém. Maria de Belém é socialista, foi presidente do partido, assumidamente mais próxima da ala segurista do maior partido da oposição e tem, devemos dizê-lo neste momento, também muito valor enquanto candidata a este cargo. Tem uma vida dedicada à cidadania e à comunidade.
Mas inevitavelmente haverá mais uma divisão de votos dentro do PS, um recolhe o mediatismo necessário, conhecimento político inquestionável e muitos e importantes apoios. O outro espelha a vontade que tem vindo a ser manifestada de dar protagonismo a cidadãos não provenientes das escolas partidárias, conhecimento profundo da nossa sociedade e intelectualmente muito bem preparado, para além do apoio dos anteriores Presidentes da República (Eanes, Soares e Sampaio).

Como aspirante político assumido que sou, e porque a coerência deve ser uma constante em qualquer cidadão, não é pelo facto de eu ser militante da Juventude Socialista que deixarei de assumir, publicamente, o meu apoio a Sampaio da Nóvoa.
Por isto mesmo, votarei Sampaio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Quem quiser criticar, critica...

Quer queiramos quer não, a verdade é que quem quer criticar, critica... sempre.

Isto não é novidade para ninguém, mas serve de nota de abertura para este artigo, a propósito do último congresso do PS.

Existe ainda muito "barulho" em torno daquilo que o congresso foi, principalmente pelo facto de o secretariado não incluir "Seguristas". Em relação a este facto, podemos ter diferentes leituras. a primeira que me salta a vista é o facto de haver uma divisão no partido, divisão essa que não é suposto, tanto tempo depois das primárias e principalmente, tendo em conta a esmagadora vitória.
Porém, nos órgãos mais importantes entre congressos, estão presentes ex-apoiantes de Seguro. O que responde, por si só, aos críticos da inclusão de todas as fracções nos órgãos. Porém, o secretaria ser todo da "confiança" do líder, não me parece ter todo o mal, uma vez que assim, na sua ação, esta direção conseguirá, à priori, levar a cabo as iniciativas que pretender, sem grande alvoroço mediático. Sim, porque o que se assiste muitas vezes, é pessoas que integram estas equipas de trabalhos aproveitam esse mesmo facto para terem outra legitimidade em tornar públicas e mediáticas as suas posições e intervenções. Mas isso daria outro artigo.

Contudo, se António Costa integrasse na equipa do secretariado nacional pessoas mais próximas do anterior líder, estaria aqui a elogiar também, ou pelo menos, não criticaria certamente. O que me faz alguma espécie é algumas pessoas criticarem apenas para estarem do contra. O ditado em que se é preso por ter e não ter cão, em Portugal, faz todo o sentido.

Ainda para mais, quem tem criticado veementemente o novo líder socialista, são os mesmo que o atacavam, em campanha, de ser muito próximo da direita. Ora assistimos ao inédito, em que os "seguristas", ou pelo menos aqueles que o apoiaram, estão agora a criticar a "esquerdização" do PS. Em que ficamos afinal?

Quanto a isso eu sou bastante sucinto e claro. Primeiro ponto, não acho que sejam as pessoas ou os partidos que regem uma coligação, mas sim o seu conteúdo. Segundo ponto, o PS não pode, nunca, entrar em coligação com nenhum dos partidos de Governo, uma vez que estes parecem querer levar a austeridade como fio condutor das políticas nos próximos anos. Terceiro ponto, e dando nota da minha alteração de ponto de vista, já referenciado aqui no PNP, o LIVRE parece ser o partido mais disponível e com melhores condições para uma coligação, uma vez que entra no espírito agregador e mobilizador em que o Partido Socialista se encontra.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O que se passa no PS?

Eu não sei que interesses poderão estar por trás de certos comportamentos, nem mesmo se eles existem, mas a verdade é que no PS, só nos últimos 2 dias, têm-se dado largos passos no sentido inverso ao da maioria absoluta pretendida e aclamada.

Tivemos Francisco Assis a dizer que, se o PS vencer as eleições, a coligação não deve ser nem ao centro nem a esquerda, mas sim a direita...
Ora, o PS tem, de forma categórica, distanciar-se desta política de austeridade e destas opções governativas com uma tónica de destruição do Estado Social.
Por isso, caso o PS vença as eleições, Francisco Assis não poderá, a meu ver, assumir qualquer cargo governativo que seja. Atenção que eu até aprecio o Francisco Assis, mas deixou muito a desejar com estas declarações. Parece até que está a fazer um favor a alguém, criando-se um caminho de auto destruição no Partido Socialista.

Depois tivemos José Lello a aliar-se a Couto dos Santos (PSD) para a reposição de subvenções vitalícias de ex-políticos que foi precisamente o PS de José Sócrates que, em 2005, os retirou. Não se consegue perceber como é que alguém, com dois dedos de testa, é capaz de reivindicar isto e agora... Depois de anos de austeridade como estes, depois de se retirar tanto a tantos, nomeadamente aos aposentados e reformados, vem um político, um deputado, eleito pelo povo, pedir para se reporem as subvenções? São atitudes como estas de criam a distância que existe entre eleitor e eleitorado. Sabem quando se verificam abstenções de 50 e muitos por cento? O motivo está aqui mesmo, neste tipo de atitudes.

Como se já não bastasse, tivemos hoje um episódio, hilariante, que remonta aliás aquele "digno" episódio em que Ricardo Rodrigues se lembrou de abandonar uma entrevista e levou consigo os gravadores, também este deputado do PS. O que aconteceu hoje foi que, numa sessão no plenário, em que Eduardo Cabrita, na qualidade de Presidente da audição ao Secretário de Estado Paulo Núncio, lhe retirou o microfone e não o deixava falar. E quando finalmente se decidiu a fazê-lo, retirou novamente a meio da intervenção. Para mim, um episódio destes deve ser classificado de vergonhoso.

Não sei, muito sinceramente, como é que o Partido Socialista pretende conquista uma maioria absoluta deputados a intervirem desta forma, mas uma coisa é certa, algo de errado se passa.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um ano não é assim tão pouco...




O dia de hoje é a prova de que na politica, um ano pode ser uma eternidade!
Quem não se lembra da demissão irrevogável de Paulo Portas? Pois e, faz hoje 1 ano.


Neste dia em 2013, estávamos perante uma crise interna, mas no Governo. Por esta altura, já se faziam contas no PS para saber quem ia ocupar que pasta. Cavaco chegou a propor Governo de salvação nacional e teríamos agora eleições antecipadas. Creio que se Antonio Jose Seguro soubesse o que sabe hoje, teria aceite.

Segundo o jornal i de hoje, Hélder Amaral defende que os portugueses deviam agradecer a Paulo Portas. Eu não sei se foi uma piada ou não, mas deu-me vontade de rir! Então os portugueses continuam a ser despedidos, os orçamentos de estado continuam a ser inconstitucionais, cada vez temos menos Estado social,e ainda devemos um obrigado? Hilariante...

Um ano depois, a coligação parece estar decidida a ir até ao fim, e ainda bem para o PS, mas o maior partido da oposição está, por via das decisões da actual direcção, a mostrar o porquê de muitos acharem que a política e apenas maquinas partidárias. Tenho pena, acho que ninguém fica a ganhar nada com o adiar, a não ser o próprio Seguro, que se ganhar as eleições internas (e prefiro não pensar como), usará esta situação como halibi para uma possível derrota nas legislativas.

Seja como for, o dia de hoje demonstra bem aquilo que um ano significa, o que para nós, portugueses comuns, se torna numa esperança. Esperança que o bom senso desça ao parlamento e crie um futuro melhor.

terça-feira, 17 de junho de 2014

A oligarquia montada.



Tenho muita pena de ter chegado a esta conclusão, mas o PS está a dar uma prova claro, do porquê dos partidos terem de mudar.

O mais engraçado, sem ter piada nenhuma, é que não foi assim à tanto tempo que o Partido Socialista se blindou, estatutariamente, da forma como está.
Esta disponibilidade de António Costa está-se a revelar revolucionária na forma como os partidos estão organizados. Nomeadamente, e é aqui que me entristece, o partido da vanguarda da democracia, a quem muito Portugal lhe deve pela forma livre como vivemos hoje, se está a revelar uma oligarquia perfeita.
A propósito, o artigo hoje publicado no jornal i, de Jorge Lacão, a meu ver, está perfeito e bastante explicativo.

Isto trocado por linguagem mais legível, podemos ver que António José Seguro está agarrado à cadeira do poder, e que de lá não sairá assim tão facilmente. Primeiro ponto, e que já dei conta num outro artigo, é que a legitimidade do mesmo, perante a contestação, é nula. Mais, uma pessoa que recorre à secretaria para justificar e argumentar a sua continuação na liderança do partido, não merece ser Primeiro-Ministro.
Seria bonito, e benéfico para o PS, mas principalmente para o país, Seguro convocar, sem medo, eleições, nem que fosse por via da sua demissão.
Porque é que o país ganhava? Porque o Governo teria oposição. Neste momento, o maior partido da oposição anda a discutir estatutos, e não políticas públicas. A decisão do Tribunal Constitucional, o vergonhoso pedido de esclarecimentos e o pior ainda, as declarações de Passos Coelho acerca dos juízes do TC passaram despercebidos. E é vergonhoso.

Uma vez mais, Seguro mostra que não está em condições de liderar o PS, até porque, caso argumente, em momento algum que está no pleno exercício das suas funções, torna-se automaticamente numa mentira.

A ideia que a direcção do partido com o qual me identifico está a demonstrar, que tudo aquilo que é dito nos cafés, acerca do sistema partidário português, afinal, não é tão descabido como acreditava que era. A ideia de que são apenas uns quantos a mandar, que quem lá está, de lá não sai e de que quem quiser, lá não chega por causa de haver uma máquina montada, viciada, tem-se mostrado verídica.
E eu, não me identifico com estas ideias, caro António José Seguro...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Todos os caminhos vão dar à derrota... de Seguro



Quero começar por dizer que, depois de se bater com António Costa, dentro do PS, e o vencer, e ainda for a legislativas em 2015 e vencer e ser, como tem referido várias vezes, Primeiro-Ministro, serei o primeiro a tirar o chapéu a António José Seguro. Sem contestação alguma.

Agora, esse título para o actual líder do Partido Socialista, parece cada vez mais distante, por vários motivos!
Uma sondagem publicada hoje (mas anunciada no Sábado) no jornal i, dá conta de que mais de 60% dos eleitores preferem Costa a frente do partido, e este tem dado provas de ser competente ao ponto de cerca de um terço dos inquiridos dizer que o actual Presidente da Câmara de Lisboa não se deveria demitir do cargo mesmo assumindo a liderança do partido.
Isto quer apenas e só dizer que, Costa é cada vez mais favorito a liderar. Até porque, Seguro tinha prometido aos Presidentes das distritais que não iriam a eleições, o que pode não acontecer visto que será um dos pontos da ordem de trabalhos para a comissão política que se vai realizar em Ermesinde. Isto claro, paga-se caro na política, e Seguro, à custa desse preço, está a ver federações fugirem para o apoio a Costa. De notar que se metade das federações distritais solicitarem congresso, este realizar-se-à.

Mas não é só por causa da luta interna dentro do maior partido de oposição que Seguro pode ver o cargo que ambiciona cada vez mais distante. É que o actual circo montado em torno da decisão do Tribunal Constitucional, pelo actual Governo, pode ser estratégia para que o Presidente da República dissolva o parlamento. E aqui, até teria o apoio do PCP (que está em franca expansão e pode ir buscar votos ao PS) e o apoio de Seguro, mas não do PS. Sim, para Seguro, era o melhor que lhe poderia acontecer e o mais perto de PM que poderia chegar. Sendo que a vitória seria uma miragem, mas seria pelo menos, uma forma de o actual líder socialista ir a eleições. Acontece que era o melhor que poderia acontecer ao PSD e CDS, uma vez que a acontecer agora eleições antecipadas, iria muito provavelmente conseguir tirar proveito da situação socialista ao ponto de vencer, creio. E assim, revalidar a sua destruição do país por mais 4 anos.

E agora a pergunta que se coloca é a seguinte: Tudo isto é culpa de Costa? 
Não, claro que não. Se o PS tivesse tido uma vitória categórica, nada disto estaria a acontecer no largo do rato. Se Seguro percebesse que não está a agir em conformidade com o que seria de esperar deste partido, teria-se demitido, e não estar a atrasar todo o processo. Este atraso que o homem de Penamacor está a impor, pode fazer com que o cenário acima descrito de eleições antecipadas ocorra durante o verão. E aí, não será o actual líder do partido socialista quem mais vai sofrer, somos todos nós.

Demitirmo-nos para ir a eleições mostrar aos opositores internos que temos, realmente, condições para continuar no cargo não é vergonha nenhuma. Vergonha é estar a ocupar um lugar que sabemos que a grande maioria do nosso universo não nos quer lá, mas ainda assim, nele continuar.

sábado, 31 de maio de 2014

Estou de acordo com Seguro, mas discordo



O título deste artigo pode gerar alguma confusão, mas que facilmente as desfaço.

Para começar, digo que estou de acordo quando Seguro diz que os partidos têm de mudar porque as eleições europeias (para além, e principalmente das autárquicas), mostraram que os eleitores estão descontentes com os partidos e com os seus sistemas de clientelas bem conhecidas.
Discordo da forma como está a conduzir o problema dentro do PS.

Agora, passo a explicar.

Quero começar por dizer que neste momento, Seguro está tão democraticamente legitimado perante o PS como Passos Coelho está democraticamente legitimado para governar Portugal.
Quando se diz, nomeadamente o líder do partido socialista, que Passos Coelho não tem legitimidade para governar porque grande parte dos portugueses não querem mais essa governação. Pois bem, acontece exactamente o mesmo no PS, e portanto, António José Seguro está na mesma posição que o líder deste Governo.

Depois, acontece que estou totalmente de acordo, aliás, tornei-o público ainda em setembro, quando se diz que os partidos têm de mudar porque os eleitores não se revêm no actual panorama. E parece-me uma boa proposta, aquela que Seguro fez hoje, em que não serão só os militantes a votar, mas também simpatizantes. Mas agrada-me ainda ainda mais, a possibilidade de se poder votar em deputados directamente, e não como acontece actualmente, se votar em lista fechada.

Mas tal como o secretário-geral do partido que habita no largo do rato tem dito várias vezes, este é um momento histórico, e por isso mesmo, merece uma celeridade maior porque estamos a 1 ano e pouco de eleições legislativas, e por isso, não convém a nenhum dos candidatos, caso queiram mesmo ser Primeiro-Ministros, perder muito tempo neste processo. Daí achar que António José Seguro tem feito mal em deixar demasiada incerteza no ar e assim, atrasar o processo de clarificação. Todo o tempo que for perdido no processo, é a meu ver, tempo perdido.

Para finalizar, dizer apenas que gostei de ver, numa rara aparição, Seguro o determinado!
Porém, relembrar o mesmo que quando disser que está legitimado democraticamente como líder do PS, não o volte a fazer referindo-se a Passos Coelho. E outra nota é recordá-lo de que quando afirma que António Costa se poderia ter candidatada a 3 anos atrás ou no ano passado, esta solução que apresenta, poderia ter sido levada avante quando Assis à 2 anos a apresentou.
Só para o caso da memória ser curta...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A minha campanha 3



Depois deste fim de semana, temos essencialmente, e que tenham a ver directamente com a campanha eleitoral, 3 pontos a salientar.


  1. Contributo de Ricardo Araújo Pereira
  2. Aparição de José Sócrates
  3. Vacinas contra o despesismo

Segundo o jornal Expresso, Ricardo Araújo Pereira vai ser o protagonista do tempo de antena de amanhã, terça-feira, pelo LIVRE.
O próprio já afirmou que não é, nem tenciona ser militante deste recente partido. Todos podem ler o que escrevi acerca do surgimento do LIVRE e a opinião que tenho acerca do novo partido de esquerda. Pelo que, para além de mostrar que a cidadania está activa, a única coisa que este partido parece ter de jeito é o apoio desta carismática figura portuguesa, que aprecio bastante, num tempo de antena. Veremos se será um sketch anedotário acerca desta campanha, onde a Europa não passa pelos debates a ter.

Depois, temos Sócrates a surgir, penso que será também amanhã, num jantar de apoio ao PS. Faz toda a lógica, uma vez que esta lista, completa, que o Partido Socialista apresenta tem elementos de todas as alas e é mais uma boa "jogada" de António José Seguro de anexar os socráticos ao resultado do próximo domingo e também, um bom sinal para o exterior de que o PS está unido. A meu ver, é um sinal mais na campanha. Já para a coligação Aliança Portugal, PSD/CDS, não passa de um alvo. Por si só, esta reacção dos partidos do Governo, demonstra bem o receio que têm do efeito que Sócrates pode ainda ter no panorama político e mais, o vazio que têm apresentado na campanha. Vejamos no terceiro ponto o que quero dizer com isto.

Por fim, temos então o terceiro ponto onde a coligação PSD/CDS demonstra o vazio intelectual que apresenta estas eleições. Discute-se a Europa? Faz-se propaganda positiva? Demonstra-se os motivos positivos pelos quais os eleitores devem votar nesta lista? Não, ataca-se o adversário. 
Atenção que não é só esta lista que o tem feito, mas fá-lo.
Porque é que eu digo que se trata de um vazio? Simples, porque Sócrates aparece, passa a ser o alvo e a palavra mais proferida nos discursos. É triste, é triste ver que Paulo Rangel e Nuno Melo não têm tido a capacidade de promover a imagem da Europa, a estratégia necessária para o crescimento. Afirmar que o voto na Aliança Portugal é uma vacina contra o despesismo, parece-me um bom mote de partida para um sketch de Ricardo Araújo Pereira para o "Melhor que Falecer", que este Governo tem promovido pelos cortes no SNS.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Afinal de quem é a culpa?



Queria começar por deixar claro dois pontos:

  • Quando estou a escrever este artigo, apenas tenho comigo os dados disponíveis no site ionline, em que consta apenas em que grupos cada um dos PM's se encontram sem dados quantitativos...
  • Não quer dizer que concorde, na integra, com os resultados anunciados

Depois destes esclarecimentos, a meu ver importantes, posso então partir para uma melhor análise daquilo que a sondagem i/Pitagórica revelam...
Começo aliás, por dizer do que estou a falar. Esta sondagem visa avaliar quem foram os melhores e piores Primeiros-Ministros do nosso país. E os resultados foram que nos 3 melhores, estão António Guterres, Cavaco Silva e Mário Soares, nos 4 piores, estão Durão Barroso, Passos Coelho, José Sócrates e Santana Lopes.
Assume-se também, que pela forma como está escrito e visto que o melhor foi António Guterres e o pior Durão Barroso, e também que estes estão em primeiro lugar na enumeração, assumo que estão por ordem, e passo a clarificar do melhor para o pior com o qual vou escrever este artigo: António Guterres, Cavaco Silva, Mário Soares, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho e Durão Barroso.
Bem, agora não restam mesmo dúvidas...

O que é que eu retiro destes dados?
Simples, que afinal, a história que de foram os 15 anos de governação socialista (que tiveram interrupção) é que colocaram o país nesta situação, aos olhos dos portugueses, não é bem assim.
Os dados são até, muito favoráveis aos ex Primeiro-Ministros do Partido Socialista... Veja-se que dos 3 melhores, dois são do PS (maioria), e dos 4 piores, 3 são do PSD (maioria). Neste cenário, parece-me imperial que o PSD arranje outro argumento para explicar a situação em que o país se encontre, e aconselho a que olhe para o que se passa lá fora, pode ser útil!

Mas podem-se tirar muitas mais ilações! Entre elas, que Durão Barroso, que se tem nas últimas semanas (depois do show de Marcelo no congresso) afastado de candidato a candidato à presidência da república e que a ajuizar pela opinião dos portugueses quanto ao seu papel de PM, não chegará a Belém. O que quer dizer que se Passos Coelho continuar com o perfil que delineou, na sua moção ao último congresso, se mantiver exclusivo a Durão, e este for o candidato da direita, quererá dizer então que o PSD oferece o lugar de PR ao PS.

Mas podemos ir mais longe na nossa leitura... Afinal, ainda houveram dois PM's piores que José Sócrates e nenhum é do PS. Com que então, Sócrates não foi o pior mal que nos aconteceu. 

Termino deixando um conselho e uma sugestão. Sugiro que se faça uma sondagem do género ao papel de PR a ver se Cavaco Silva figura no pelotão dos melhores e um conselho a direita portuguesa, que procure outro argumento que não o dos últimos anos de governação socialista para a situação em que o país se encontra. Pois nos últimos dois PM's socialistas, um deles é visto como o melhor que já tivemos, e outro coloca-se à frente de dois PM's PSD... Isto pode querer dizer muito, claro, apenas a quem quiser ver!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Políticos assim, sim!



Acredito que vá viver muitos dias como o de hoje, em que tenha muitos motivos para ficar contente e continuar a acreditar que, na política, ainda há muita gente que vale a pena acreditar e que, ao fim ao cabo, me inspiram na medida em que marcam a diferença pela positiva. O que nem sempre se verifica.
E hoje, foi uma vez mais, João Torres que despoletou em mim este sentimento!

Em entrevista ao "i" (que me fez deslocar, quase a hora de fecho do shopping, comprar o último exemplar), o líder da JS defende muitas coisas que são merecedoras de nota. Aqui, irei apenas relembrar algumas, que são aquelas com que me identifico plenamente e tenho vindo a defender. Tentando contudo não transcrever a entrevista.

Nesta, João Torres critica de forma elegante algumas posições do PS e da sua liderança, este Governo e fala da Europa. Mas acima de tudo, distingue de forma clara aquilo que muitos dizem ser igual... O PS do Governo.

Quanto à direcção do PS, o líder da JS defende que esta se deveria posicionar um pouco mais à esquerda daquilo que se encontra, assume que tem errado como por exemplo no tratado orçamental e ao não falar da anterior liderança e governação por parte do Partido Socialista. Mas tem a capacidade de o fazer de forma tão elegante, ao ponto de dizer que Seguro tem "uma forma muito própria de levar a água ao seu moinho". Não são todos que o fazem! Com isto, diz basicamente que não o faria desta forma, mas respeita. Tal como um bom democrata...

Mas partilho particularmente da sua visão para a Europa, bem como a postura de Portugal em relação aos demais membros da UE. Portugal não pode "estar de cócoras" como tem feito! Nós temos valor, nós temos capacidades, nós somos capazes de nós próprios. É isto que se espera que um Primeiro-Ministro diga em Bruxelas. É necessário que a Europa seja justa e solidária, seja uma só, tal como referi no anterior artigo.

Para terminar, apenas salientar que este senhor, foi capaz de distinguir o PS do actual Governo, como por exemplo mutualizar a dívida, renegociar o juro, eurobonds e emissão conjunta de dívida dos países da zona euro... 
Criticar apenas não basta. É preciso dizer o que realmente é diferente.

Para quem diz que a classe política é toda igual e que não têm conteúdo, aconselho, vivamente, a lerem esta entrevista e a seguirem este político, que é uma pessoa igual a nós, povo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Autárquicas 13' : ascensão independente



Como temos visto, e eu mesmo o tenho feito aqui no PNP, estas eleições podem, e devem ser, alvo de reflexões. Principalmente para os partidos.

Em primeiro lugar, deve-o ser porque é esse a principal função destes.
Em segundo lugar, porque houve uma grande mudança no panorama nacional, a nível do poder local. Uma área que era dominada pelo PSD já à alguns anos, foi agora conquistada, de forma completamente avassaladora pelo Partido Socialista. Isto tem de certeza alguma explicação, que ultrapasse a governação. Por outro lado, o PS que está na oposição teve o dobro dos votos que o seu principal adversário, e isto não se deve somente à forma como o PS está a fazer oposição.

Para mim, o que explica estes resultados acima referidos, é o facto de as pessoas estarem fartas. E a verdade seja dita, o PSD como presidente na ANMP pouco ou nada fez para uma articulação eficaz dos municípios de todo o país.

E esta ideia de que as pessoas estão fartas, é confirmada pelo resultado que os independentes conquistaram! Em 2009 conquistaram 7 autarquias, desta vez foram 13, quase o dobro. Foram quase 345000 os votos que os portugueses lhes confiaram, conquistaram autarquias como o Porto, como Matosinhos, disputaram abertamente as eleições com os partidos. Em Sintra, podemos até considerar que empataram, foi por muito pouco que não vimos mais uma câmara a ser "entregue" a um candidato independente. E isto não merece uma reflexão dos partidos? É claro que sim.

Para mim, este resultado dos independentes quer dizer que o povo está farto dos partidos, das suas metodologias, dos seus processos, da forma como estão na sociedade... no fundo, da forma como fazem política. É fulcral, para a saúde da democracia, que os partidos mudem. As organizações partidárias são essenciais à democracia e a iniciativa particular também. Os independentes mostraram no Domingo que existem muitos milhares de pessoas que querem um destino diferente. Que as pessoas querem algo menos formal e mais dinâmico, que vá mais ao encontro de cada um de nós.

Estes parecem-me ser, sem dúvida, os pontos essenciais de partida para uma discussão séria e realista que tem de acontecer no seio dos partidos políticos em Portugal. Principalmente nas juventudes partidárias, que são os jovens de hoje, o futuro de amanhã.

E para confirmar esta minha opinião, e em jeito de conclusão, temos também de ver que, os candidatos independentes tiveram mais votos que o CDS e BE juntos, isto é, dois partidos, de quadrantes diferentes, um de oposição e outro de Governo, um que conquistou autarquias e em crescimento ( de uma para cinco) e outro que perdeu a sua única câmara. Um de esquerda e outro de direita. 
No fundo, os candidatos independentes tiveram mais votos que dois partidos do arco parlamentar. 

Dá que pensar...

terça-feira, 30 de julho de 2013

O reinicio



O primeiro dia do resto da vida deste Governo? Ou o novo ciclo irá mesmo acontecer e vão ser reeleitos?

Hoje passei o dia todo com a televisão ligada a transmitir a AR TV, ainda está ligada e estou a ver a comissão de inquérito à ministra das finanças.
Ou seja, vi em directo e detalhadamente o debate que antecedeu a aprovação da 5ª moção deste executivo. Desta vez a moção foi de confiança e foi aprovada pela maioria.
Para quem viu o debate, até parece que estamos perante um país em prosperidade, em que tudo está a correr bem. Vimos toda a esquerda a tirar confiança ao Governo, este a sacudir a água do capote apresentando a ideia de baixar o IRC e por fim, quer o PSD e o CDS a congratularem, de forma veemente, Passos Coelho.

Gostaria de me debruçar em três pontos, primeiro a "coesão governamental", em segundo lugar a possibilidade de baixar o IRC e por fim, uma breve análise ao que irá acontecer daqui a dois anos.

Perante a moção de confiança, quer deputados do CDS quer do PSD que congratularam o actual primeiro-ministro. Eu acho muito bem, e à muito tempo que, como muitos outros, reitero necessário. É bom ver que temos um Governo estável, coeso e apoiado. Nem que seja por um só dia ou por meia dúzia de pessoas. Mas ainda melhor, foi ver deputados do CDS a enaltecer o trabalho do PM e aplaudirem este quando falou da competência de Maria Luz Albuquerque. Memória curta ou então, o que Portas fez foi apenas encenação programada.

Quanto ao IRC, como deve ser do conhecimento geral, quanto mais baixo, melhor para as empresas, que com mais liquidez podem empregar mais pessoas, logo, é bom para os cidadãos. Logo que não compense com o IRS, está óptimo. Contudo, este ponto aproximar o Partido Socialista do executivo é benéfico para a nossa democracia, e pode ser que este comece a aceitar as propostas do PS.

Para terminar, daqui a dois anos, se este novo ciclo for verificado, com criação de emprego e crescimento económico, este Governo irá ser reeleito? Não acredito muito nesta tese, mas é uma possibilidade. Passos Coelho está já a trabalhar nesse sentido, é notório ao entregar o partido a Marco António Costa e sobretudo, através desta nova fase no Governo... Daqui a dois anos veremos no que dá, mas temo por mais tempo de direita na governação, não me apetecia nada emigrar.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

40 anos de PS




O partido socialista está hoje de parabéns, são já 40 anos da sua existência!

É sabido se não por todos, pelo menos por muitos que sou um jovem que defende as ideias base que sustentam o chamado Partido Socialista.

Este partido em muito contribuiu para a implementação da democracia e ajudou, sendo fundamental para que o nosso país não caísse no radicalismo comunista que caracteriza (e mais nos anos 70) o PCP. É um partido que já viveu grandes vitórias e que sabe qual o sabor da derrota, já conquistou maiorias absolutas e Presidentes da República, tem peso nas autarquias, conta com eurodeputados, entre outros feitos... é por isto um partido com experiência.
Eu apenas tenho um pouco mais do que metade da idade daquele partido com o qual me identifico, mas nunca li nem ouvi dizer que o PS tenha sido alguma vez radical, num na sua história fugiu às suas responsabilidades e sempre encarou a oposição não de forma destrutiva mas sim de forma responsável e promovendo o diálogo democrático.

No entanto, e como qualquer organização tem na sua história pontos altos e pontos baixos. É evidente que coisas extraordinárias já fez por Portugal e certamente que erros já cometeu, pois só acontece a quem tem coragem de enfrentar os problemas, de dar a cara e de se sacrificar em nome de um projecto, de ideias, de um país...

Se não toda, grande parte da sua existência e experiência para além da sua ideologia deve-se a um homem, Mário Soares, que em momento oportuno apercebeu que Portugal precisava do socialismo e assim fundou o PS.

Muito poderia aqui escrever sobre o Partido Socialista, mas não me parece que seja necessário, para além de vasta informação esta acessível, a sua obra está à vista de todos.

É certo também que ainda não sou militante do PS, por apenas ainda não achar que tenha chegado o momento, mas sou orgulhosamente militante da juventude que a meu ver melhor defende os meus interesses enquanto jovem, falo claro está da Juventude Socialista que tem um enorme líder, João Torres e muitos dirigentes de grande categoria espelhados pelo país e com quem tive e tenho o prazer de me cruzar ao longo da minha.

Venham mais 40 anos desta organização ao serviço de Portugal.