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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Chegou ao fim a aventura da austeridade.

Já estava anunciado o fim a um Governo de Passos e Porta, mesmo antes das eleições.
Uma vez consumado o resultado eleitoral, a sua vitória como força mais votada apresentada a eleições, verificou-se que o inédito estava a acontecer. Nunca na nossa história um partido venceu as eleições sem que a sua "ala ideológica" a vencesse também, isto é, os governos com maioria relativa tiveram sempre do seu lado (esquerda ou direita) a maioria dos votos. 2015 mudou este paradigma. Pela primeira vez, a coligação de direita venceu mas foi a esquerda que mais votos obteve. 

Esta foi e é a grande e significante diferença que até agora, muitos continuam sem perceber.

Hoje, na Assembleia da República, foi rejeitado e posto fim aquele que ficará na nossa história, como o Governo mais curto da nossa democracia. 11 dias apenas. Sim, 11 dias.

Restará agora a Cavaco Silva tomar uma decisão, sendo que não deverá adotar outro caminho que não a indigitação de António Costa  para Primeiro-Ministro.
O desafio é grande. A expectativa é enorme. Será um Governo que ficará, mais do que os outros, debaixo de fogo.

Houve um acordo assinado, histórico e que deixa a direita sem saber o que fazer ou dizer. O medo de que corra bem tem assombrado Passos e Portas.

Eu quero acreditar que correrá bem. Acredito em António Costa e nesta geração que o tem rodeado. Sem bem que o PS tem bons deputados. O PS prestará um bom serviço ao país. Essa é a minha crença.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

PortugalCoup, Cavaco no seu melhor

Ainda estou para tentar perceber o que se passou! Estou de ressaca, como se diz na giria popular.

No seu discurso em que indigitou Pedro Passos Coelho, o Presidente da República acabou por se enredar nas suas exigências e próprio discurso que tem vindo a adotar. Mas prefiro destacar 2 pontos.


  1. Minutos antes do discurso, era expectável que Cavaco Silva indigitasse Passos Coelho, como tal acabou por acontecer. Em condições normais, o que iria entreter os comentadores e as hostes públicas, era o facto de não ter indigitado António Costa como Primeiro-Ministro, não dando assim ouvidos ao acordo que o líder do Partido Socialista apresentou ter, com garantias de estabilidade e condições de governabilidade. Acontece que não, o que acabou por ser notícia foi o conteúdo e principalmente o tom com que Cavaco Silva anunciou, não o facto de indigitar Passos Coelho, mas sim ter excluído de um acordo parlamentar a possibilidade de PCP e BE apoiarem um Governo do Partido Socialista. Ora, estamos a falar de cerca de 1 Milhão de votos que o nosso Presidente da República ignorou. Isto, por si só é gravíssimo. Tanto mais quando tinha, dias antes, pedido um entendimento. Quer isto dizer que se esqueceu de referir que esse acordo teria de ser obrigatoriamente com os partidos da coligação. Já para não falar da questão que se permanecerá com a expressão arco da governação, que é horrível em democracia.
  2. Um dos argumentos que Cavaco Silva utilizou foi a questão de tradição. O que aconteceu no passado dia 4, não se prende com tradição mas com inovação. Aconteceu algo que nunca tinha acontecido, isto é, a força mais votada não foi a que tinha a sua ala (esquerda ou direita) consigo, isto é, a força mais votada nas últimas eleições foi a coligação (de direita) mas foi a esquerda quem reuniu maior número de votos. Este facto dá azo a uma ampla leitura dos resultados, tal como temos visto nos últimos dias.



Neste fim de semana, e como rescaldo do discurso de Cavaco Silva, por esta europa fora, foram muitos os que opinaram acerca do que se está a passar em Portugal. Com a hastag #PortugalCoup , o nosso país andou nas redes sociais, e por aquilo que se pode ler, são muitos os que acham golpe de Estado Cavaco Silva ter ignorado o acordo à esquerda.

NOTA: Já que gostamos tanto de referenciar os países nórdicos, olhemos para a Dinamarca, que é governada por forças que não venceram as eleições. E era escusado terem tirado a série Borgen da RTP 2, onde o poder deste país é lá retratado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Estamos a viver o início de uma nova era política

Por estes dias, e com recurso à nova tecnologia, tenho tido a possibilidade de "puxar" para trás a programação e ver, na RTP memória, a série Conta-me como foi. Começou a dar do primeiro episódio, novamente.

Esta série portuguesa, retrata Portugal no ano de 1968, narrada por um rapaz de 8 anos à época.
Já quando passou na RTP, era fascinado pela série, e confesso, tenho uma certa inveja positiva em relação aos que nasceram no início da década de 60, mais propriamente da minha mãe, que nasceu por esses anos.

Segundo o jovem ator, em 1968 nascia um novo tempo em Portugal, e poucos eram os que davam conta disso. A sua irmã já usava saias, para inveja positiva da mãe, o irmão no caminho para casa, cruzava-se com manifestações improvisadas e clandestinas, ele e os amigos trocavam cromos do coluna e outras figuras proeminentes do futebol de então, num descampado onde um camião abandonado era o cenário de tardes sem fim. O pai, acabara de comprar um televisor na noite de mais um festival da canção. Era então o início de uma nova era. A política estava a mudar, estava a nascer em Portugal, novos contornos e cenários até então colocados completamente de parte, ou mesmo proibidos.

Ainda bem que temos um serviço público de televisão que nos recorda, ou muitas vezes mostra pela primeira vez, como se vivia em Portugal antes de 1974.

E a esta hora já deverão estar a perguntar porque é que estou a escrever sobre este tema, que pouco mais poderá ter a ver com a minha atividade de zapping ou então com as horas de lazer frente ao televisor.
É que, em condições de cumprir com a sua palavra, Cavaco Silva indigitará António Costa como Primeiro-Ministro de Portugal, uma vez que este conseguiu reunir consenso e maioria parlamentar que garanta estabilidade e condições de governabilidade.
Ora, a ser assim, e mesmo que o Presidente da República não o faça, uma coisa é certa, esta é uma nova era na nossa política nacional.
Quero com isto dizer que, daqui a 40 anos, a RTP memória passará um novo conta-me como foi, a mostrar este mês de outubro de 2015.

terça-feira, 18 de março de 2014

É essencial falar do essencial



Muito se tem falado no consenso que é necessário, muito se tem falado em renegociação, muito se fala da forma como vai ser o pós-Troika, mas muito pouco se tem falado do essencial... 
É importante lembrar, principalmente aos principais líderes dos partidos que têm assento parlamentar, que em democracia, o diálogo e o consenso são vitais, isto é, se não houver discussão e acordos, não pode, nunca, haver democracia!
Neste ponto, não posso estar mais de acordo com o Presidente da República, que tem insistido em que haja um acordo central. Chegou mesmo a exigir que fosse feito. Achei muito bem, mesmo que aparentemente tivesse sido para "entalar" o PS. Mas a verdade é que, por qualquer razão que não conhecemos a verdade toda porque não tivemos na mesa da negociação, esse acordo central não foi feito, quer isto dizer, ficou tudo na mesma e a vontade do PR não foi respeitada. Que consequências isso teve? Nenhuma. Pois bem, aqui já não posso concordar com o chefe de Estado, deveria ter feito algo mais do que um discurso de "pronto, eu tentei".

Ainda quando Louça era líder do Bloco de Esquerda, insistia na renegociação. É certo que perdeu legitimidade para falar porque não aceitou fazer parte da negociação inicial, mas a verdade é que sempre discordou da forma como o memorando foi celebrado. Acontece que, a dois meses de o memorando chegar ao fim, o tema da renegociação volta à baila pela mão dos "70 notáveis".
Em parte, concordo com o que foi proposto. Mas não quero que seja passada a imagem de que o meu país não paga o que deve e é caloteiro. No entanto, acho fulcral, termos mais tempo para repor o défice (que em momento algum do memorando, chegamos ao pretendido em cada uma das etapas) e mesmo para pagar a dívida. Precisamos mesmo de mais tempo. É insuportável o que está a ser importo! Mas o pior ainda está para vir quando tivermos de começar a pagar caro pelo que pedimos, e aí, vamos todos perceber que é impossível fazê-lo nestes moldes.
Quanto ao juro hoje em dia praticado, penso que continua excessivamente alto, por isso, um programa cautelar não seria má ideia, para além de que, a principal vantagem a meu ver, seria não ficarmos totalmente entregues a este Governo.

Para uma decisão pós-Troika, esta terá de passar por uma acordo tripartido, porque caso não se verifique, o falhanço pertencerá a ambos os partidos. Se os líderes, nomeadamente Passos Coelho e Seguro não forem capazes de se entender naquilo que é essencial para Portugal e para os portugueses, então nenhum será merecedor do cargo de Primeiro-Ministro.

É essencial que discutam e cheguem a acordo sobre aquilo que vão fazer com os portugueses, se vão continuar a impor cortes nos salários aos funcionários públicos, se vão reduzir mais o poder de compra dos reformados, ou se vão, finalmente, lutar por um futuro melhor dos vossos compatriotas!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Estamos unidos



A expressão de união nacional utilizada pelo primeiro-ministro, a meu ver, não foi de todo feliz. Mas não foi feliz apenas por estar, em Portugal, associada à ideia de Estado Novo e ao período de ditadura que nos foi imposta.

Hoje vivemos num outro tipo de ditadura, mas não é sobre isso que vos vou falar.
Eu em parte, e percebendo bem o que o PM quis dizer, até concordo com o que pediu, mas preferia a expressão que deixou de parte, a de unidade nacional.

É verdade, como diz, que precisamos de um país unido, a falar a uma só voz, a remar para um só lado, mas essa união não se pede, conquista-se. E isso, Passos Coelho não tem tentado fazer minimamente.
Depois das negociações falhadas com os socialistas, o líder do executivo não pára de pressionar o principal partido da oposição a entrar em acordo. Isto tem um objectivo, que é "trilhar" o PS. Seguro cometeria um tremendo erro, depois da declaração que fez, sentar-se a mesa num curto espaço de tempo e sem sinais de diferença de atitude do Governo.
Quanto à união nacional pedida, essa estará já fora do alcance deste primeiro-ministro. Não se pode aceitar que, de repente, toda uma nação se una em torno de uma pessoa que ao longo de dois anos, lhes mentiu em campanha, as tem desprezado, as tem massacrado, mas sobretudo, não as tem ouvido. Para agora, a dois anos de eleições (dado relevante) se pedir uma coisa destas, seria preciso que se tivessem esforçado, minimamente, em nos ter ouvido. O povo saiu para a rua como à muito não se via, tem pegado em exemplos dos tempos da revolução como a Grândola, e ainda assim, não tem quem realmente os represente, principalmente no exterior, onde vemos o PM estender a mão para obter o título de bom aluno. 

Pois bem caro primeiro-ministro, tendo em conta tudo isto e estes dois anos passados, recomendo que vá pedir união à chanceler Angela Merkle.

NOTA: o povo está unido, só não está é a apoiá-lo. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Afinal foi em vão...



Para a democracia, os partidos com acento parlamentar, nomeadamente os mais votados, não chegarem a acordo entre sim, nunca me parece louvável. No entanto, e na própria democracia, os partidos não representarem o povo, é ainda pior.

Depois de uma crise política desencadeada pela demissão de ministros, por aparentemente, má governação e fracasso da política adoptada, o Presidente da República tomou uma atitude que, pediu um acordo entre os partidos que assinaram o memorando de entendimento. Não avalizando assim o acordo entre PSD e CDS. Mas acontece que não houve acordo também com o PS por causa da política de austeridade que o Governo parece querer continuar a levar a cabo. Depois de se saber o desfecho das intensas negociações, o PR lamenta que não tenha havido acordo e dá luz verde a coligação até 2015.

Esta foi a história que fica para mais tarde recordar, mas daqui podemos retirar que, em primeiro lugar, o acordo entre PSD e CDS parece ser mais do mesmo, ou seja, continuação da austeridade.
Ficou também a ideia, que o Presidente com a sua proposta seria eventualmente trilhar o Partido Socialista a uma submissão das políticas do Governo, a ideia era o PS ir contra o que tem vindo a afirmar nos últimos tempos. Mas a verdade é que o líder da oposição não aceitou.
Com o desenrolar da história, constatámos que António José Seguro tem tentado ouvir os outros partidos e tem tentado chegar a acordo com aquilo que são as necessidades do país e dos portugueses. É isso mesmo que se pede a um líder político, que tente encontrar soluções.
Mas ficou patente que com austeridade e que sem eleições, o Partido do largo do Rato não compactua, tal como tem prometido o sucessor de Sócrates. Assinar um acordo, seria deixar cair tudo o que tem vindo a dizer e ir contra o sua ideologia. 
Outro ponto interessante, e que se está a ver nestes dias após o furor todo, o PS que ainda à uns meses estava dividido, hoje fala a uma só voz. É uma réstia de esperança a este Governo, que tem estado nos últimos meses divido, e pode ser que um dia, se una. 

domingo, 7 de julho de 2013

O acordo deu nisto



Uma coisa parece ser certa, temos estabilidade política até as eleições europeias, ou seja, temos Governo até ao fim do mandato. Isto até poderia ser óptima, mas acontece que eu não olho apenas a metas, mas sim também e essencialmente a meios, e isto ser conseguido apenas com uma "clausula" que encarece o eventual divórcio, não me parece lá muito democrático.
Já que falo em meios, o acordo até pode ser bom para a coligação, logo, para o país, mas a forma como foi conseguido por Paulo Portas, não me parece a ideal. Mas a verdade é que a partir de agora temos um Governo em versão 2.0. (poder ser melhor ou ainda pior)

Não entendo, como o PR aceita esta retirada de soberania ao povo e, legitima um Governo nestas condições, claramente contra a vontade do povo.

Como português, não me sinto protegido por este executivo.

Mas uma coisa que é muito interessante, é ver Paulo Portas agora a coordenar a economia, finanças e a relação com a troika. Isto significa que passa a ser não vice primeiro-ministro mas sim quem realmente manda. Passos Coelho passa assim a ser um fantoche.

Portas a partir de agora, para mim, não é governante mas sim estratega. Conseguiu o que queria, vamos ver o resultado.

NOTA: Esta imagem diz tudo, Paulo Portas a sorrir e Passos Coelho a vergar a cabeça. Melhor imagem era impossível

sábado, 6 de julho de 2013

Antes do acordo



Estamos a 25 minutos da declaração, que os líderes do PSD e CDS vão fazer ao país para dar a conhecer o acordo assinado entre ambos, mas até lá, as ideias que ficam:

1. Paulo Portas consegue revogar o que é irrevogável, sai e entre do Governo como jogo de poder. Ganha notoriedade e perde, pelo menos a minha, consideração que restava.

2. Acabou por mostrar medo dos delegados ao congresso do partido que lidera, e decidiu adiar a realização do congresso para ter a certeza que não é enxovalhado. 

3. Afinal os esforços que o povo está a fazer, podem muito bem ir por água abaixo e cada vez temos menos credibilidade. Continuamos, como sempre, dependentes dos mercados e fazemos o que eles querem. A democracia assim está em risco e pode estar em causa por aqueles que nos governam. 

4. Passos Coelho anda ali por andar, faz no fundo, o que os outros querem que faça. Tudo para ficar agarrado ao lugar com que sempre sonhou.

Mas agora, quanto ao acordo e sem saber o que ele contem escrito, pode até não ser mau. Pode ser óptimo  como pode ser péssimo, a ver vamos o que diz e como é executado. Recordo que à não muito tempo, o PS também viveu uma grave crise interna, tal como a coligação, e através de um acordo, hoje está unido e fala a uma só voz, foi bom e está a dar resultados. Se o mesmo se passar entre o PSD e o CDS, e for realmente em prol do emprego e crescimento económico, até sou capaz de tentar perceber toda a palhaçada que aconteceu ao longo da semana. Mas se o sumo de tudo isto, foi passar Portas a vice-primeiro-ministro e arranjar mais dois cargos para boys dos partidos, repudio totalmente o que tem acontecido.

Na sua demissão, Portas dizia que não concordava com as políticas seguidas nem como o PM tem governada. Ao passar agora a vice, pode muito bem forçar a demissão de Passos e passa assim automaticamente a PM. Uma coisa é certa, conseguiu a remodelação que queria, tem mais notoriedade e sobretudo, teve as atenções voltadas para ele e mostrou, a sua importância num Governo frágil.