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terça-feira, 18 de março de 2014

É essencial falar do essencial



Muito se tem falado no consenso que é necessário, muito se tem falado em renegociação, muito se fala da forma como vai ser o pós-Troika, mas muito pouco se tem falado do essencial... 
É importante lembrar, principalmente aos principais líderes dos partidos que têm assento parlamentar, que em democracia, o diálogo e o consenso são vitais, isto é, se não houver discussão e acordos, não pode, nunca, haver democracia!
Neste ponto, não posso estar mais de acordo com o Presidente da República, que tem insistido em que haja um acordo central. Chegou mesmo a exigir que fosse feito. Achei muito bem, mesmo que aparentemente tivesse sido para "entalar" o PS. Mas a verdade é que, por qualquer razão que não conhecemos a verdade toda porque não tivemos na mesa da negociação, esse acordo central não foi feito, quer isto dizer, ficou tudo na mesma e a vontade do PR não foi respeitada. Que consequências isso teve? Nenhuma. Pois bem, aqui já não posso concordar com o chefe de Estado, deveria ter feito algo mais do que um discurso de "pronto, eu tentei".

Ainda quando Louça era líder do Bloco de Esquerda, insistia na renegociação. É certo que perdeu legitimidade para falar porque não aceitou fazer parte da negociação inicial, mas a verdade é que sempre discordou da forma como o memorando foi celebrado. Acontece que, a dois meses de o memorando chegar ao fim, o tema da renegociação volta à baila pela mão dos "70 notáveis".
Em parte, concordo com o que foi proposto. Mas não quero que seja passada a imagem de que o meu país não paga o que deve e é caloteiro. No entanto, acho fulcral, termos mais tempo para repor o défice (que em momento algum do memorando, chegamos ao pretendido em cada uma das etapas) e mesmo para pagar a dívida. Precisamos mesmo de mais tempo. É insuportável o que está a ser importo! Mas o pior ainda está para vir quando tivermos de começar a pagar caro pelo que pedimos, e aí, vamos todos perceber que é impossível fazê-lo nestes moldes.
Quanto ao juro hoje em dia praticado, penso que continua excessivamente alto, por isso, um programa cautelar não seria má ideia, para além de que, a principal vantagem a meu ver, seria não ficarmos totalmente entregues a este Governo.

Para uma decisão pós-Troika, esta terá de passar por uma acordo tripartido, porque caso não se verifique, o falhanço pertencerá a ambos os partidos. Se os líderes, nomeadamente Passos Coelho e Seguro não forem capazes de se entender naquilo que é essencial para Portugal e para os portugueses, então nenhum será merecedor do cargo de Primeiro-Ministro.

É essencial que discutam e cheguem a acordo sobre aquilo que vão fazer com os portugueses, se vão continuar a impor cortes nos salários aos funcionários públicos, se vão reduzir mais o poder de compra dos reformados, ou se vão, finalmente, lutar por um futuro melhor dos vossos compatriotas!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O fim da incompatibilidade



Outrora, num outro artigo, defendi que Paulo Portas tinha perdido a sua oportunidade de se demitir do Governo, mas agora, depois de ler a sua carta de demissão, dou o braço a torcer e concordo com a sua demissão. Este Governo conseguiu criar mais discórdia entre os seus líderes de coligação.

Paulo Portas discorda à muito com a política financeira deste Governo, à muito que tem assumido publicamente, e a escolha desta ministra foi a gota de água. Segundo o líder do CDS, o que o levou a demitir-se foi o facto de o PM não o ter tido em conta, na sua decisão de escolher Maria Luís Albuquerque para esta pasta tão importante. Invoca na sua carta de demissão, o facto de não ir contra os seus princípios. Louvo esta atitude!

No entanto, neste momento, como em qualquer outro, uma crise política não é conveniente. Estamos a meses de reentrar nos mercados. Estamos sob assistência financeira externa. Estamos com desemprego elevadíssimo, défice elevado e uma dívida impagável. Estamos também a meio deste mandato legislativo.

Contudo, não se deve, tal como já com Gaspar, manter ministros a governar contra a sua vontade.
Esta situação leva-nos a ingovernabilidade  tal como em 2009 quando Sócrates ganhou as eleições e governou em minoria. Hoje, poderá ter consequências bastante mais graves para as gerações vindouras.

O que deve, com tudo isto, Cavaco Silva fazer? Ainda faltam 2 anos de mandato ao PSD, que pode governar sozinho ou procurar outra coligação. 
A meu ver, e tal como já referi, um Governo de salvação nacional ou de iniciativa presidencial, ou então, chamar os portugueses ás urnas. É óbvio que Passos Coelho  não tem mais legitimidade para governar, e como tal, o PR tem de agir como chefe de Estado que é.

Neste momento, o PS tem um papel fundamental na política nacional, tal como sempre o tem, mas hoje, como líder da oposição, tem de demonstrar responsabilidade e que está preparado para ajudar os portugueses e Portugal a superar esta crise, seja qual for o caminho seguido.

Para finalizar, e sem ironia, dou uma vez mais os parabéns ao PM pelo seu sentido de Estado, em que afirma que irá levar a sua avante até ao fim. Só demonstra que está a fazer o melhor que sabe e que está convicto de que isto é o melhor para Portugal. Pena ser apenas ele e o morador de Belém que acreditam nisto, mas um dia mudará. 

domingo, 7 de abril de 2013

Dias agitados... na política.

Este domingo será diferente dos habituais. A esta já se realizaram missas por todo o país, até aqui normas. Deverão passar filmes nos canais abertos da nossa TV, aqui nada de muito diferente também. Contudo, a diferença de que falo começa as 18h30, hora em que Pedro Passos Coelho fará declarações ao país e acaba o dia com José Sócrates a estrear-se como comentador político na RTP.

Miguel Relvas demitiu-se na quinta e na sexta foi conhecida a decisão do TC, sábado houve um conselho de ministros extraordinário e da qual resultou uma audiência urgente com Cavaco Silva. Hoje domingo será dia da declaração ao país. Ainda não se sabe o que irá o PM dizer, mas o cenário de demissão do próprio parece estar afastado. O PR diz que i executivo continua em condições de governar. Ora resta uma solução, a vitimização política. Já estamos habituados acho. No entanto, o que gostaria de relembrar é o seguinte, não foi um parceiro de coligação quem criou a actual instabilidade, não foi um líder da oposição, não foi qualquer deputado, foi um orgão de soberania, o Tribunal Constitucional. Acho que Passos Coelho deve ter isso em conta nas suas declarações. 
Porém, há um facto que acho que deve ser dado mérito ao PM, é o facto de resistir. A resistência parece ser uma das qualidades natas do líder do Governo. Resistiu dentro do próprio partido quando perdeu as directas com Manuela Ferreira Leite, resistiu ás instabilidades criadas pelo CDS, resistiu ás manifestações nas ruas, resistiu em não demitir o seu braço direito e ao que tudo indica, vai resistir ao chumbo do TC. Os meus sinceros parabéns.
Numa altura em que todos parecem querer sair, em que Relvas já está out, Vítor Gaspar está pela segunda vez na eminência de sair por vontade própria, o PM parece estar a querer segurar o barco, e tem mérito nisso. Vamos ver é como é que o vai fazer e se o vai fazer mesmo. é importante que neste momento não se criem jogos políticos muito menos grandes crises. As guerrilhas partidárias devem ficar de parte e devem-se concentrar no bem de Portugal e dos portugueses. O PR tem aqui um papel fulcral a desempenhar, e agora não pode dizer que não tem nada a ver com o assunto!

Já Sócrates, na sua estreia parece estar com sorte, é que assunto relevante não falta. Vamos ver o que o antigo PM tem a dizer do actual estado do país e qual a postura que irá adoptar de agora em diante, como comentador.