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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Que melhor explicação?

Ora, hoje foi o dia em que a direita decidiu dar uma explicação, uma excelente explicação, diga-se, do que se passou no passado dia 4 de outubro e aquilo que significa o novo quadro parlamentar eleito pelo povo.

Tal como foi (excessivamente) escamoteado, o que se passou no dia 4 de outubro, últimas eleições legislativas, foi que a coligação PáF (PSD+CDS) venceram as eleições, sendo a força política apresentada a eleições que reuniu mais votos. Porém, essa vitória não foi o suficientemente representativa para se verificar uma maioria absoluta no parlamento.

Tendo em conta que em política, apesar de haver um chamado "espaço" de centro, em que o PS está mais a esquerda e o PSD à direita, e que o PSD e CDS, a direita de Portugal se apresentou a eleições coligada, quer isto dizer que os votos da coligação PáF são todos os que a direita reuniu. Salvo, com representação parlamentar.
Por consequência, e aqui verificou-se o inédito, a esquerda (PCP, BE, PEV e PS) uniram-se e formaram acordos para criar condições de estabilidade e governabilidade (que terão de ser agora provadas na prática durante os 4 anos da legislatura).

Em suma, a direita reuniu 38% dos votos (logo, 38% dos deputados) e a esquerda 62% dos votos (e como tal, 62% dos deputados). Sendo 62 um número maior ou igual a 50+1, verifica-se uma maioria absoluta da esquerda em apoio parlamentar.

E a pergunta que se coloca agora é: Mas porque é que estás a falar disto outra vez Pedro? Simples. Porque a melhor forma de mostrar o que acima escrevi, é verem o que se passou hoje no parlamento.
Quando a esquerda apresentou uma moção de rejeição a um Governo de direita, essa moção foi aprovada. Hoje, a direita apresentou uma moção de rejeição a um Governo de esquerda, e foi rejeitada.

Perceberam a diferença?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Não, não o vejo como traidor!



É incrível como na política, aos olhos da opinião pública se passa de bestial a besta.

É o que aparentemente se passa agora com António Costa. A meu ver, injustamente.
Nestes últimos dias tem havido uma forte contestação ao líder socialista. Sobretudo nos artigos de opinião.

Muitos falam de sucessivas traições. Primeiro a António José Seguro, depois aos militantes do PS, agora traição à democracia... Enfim.
Para deixar claro, hoje, e com todas as consequências que isso pode ter no futuro, digo que não o vejo como um traidor.

Quanto ao suposto "assalto ao poder" no PS, vejo a disponibilidade de assumir a liderança naquela altura como resposta a sucessivos apelos para que António Costa fosse, efetivamente o líder. Esse "assalto" traduziu-se em primárias no Partido Socialista, em abertura a simpatizantes para escolher o candidato a Primeiro-Ministro e ainda numa clara vitória de cerca de 70% dos votos.
E quanto ao que se está a passar agora, o nosso Presidente da República continua a ter o poder de atuar, isto é, convidar alguém (Passos ou Costa) a formar Governo. Estas reuniões que António Costa tem mantido não são uma traição à democracia, basta para tal ler-mos a constituição ou sermos um eleitor informado para sabermos o que fizemos no dia 4 de outubro. Vejo estas reuniões como uma resposta ao que o PCP e BE iniciaram, vontade de dar resposta aos 62% dos votos.

E uma coisa sabemos, que afinal, existem condições para melhorar a vida dos portugueses e que o programa da PàF não é o único caminho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Pós-eleições

Quero começar este artigo por felicitar a coligação Portugal à Frente, uma vez que foi a força política que recolheu mais votos.

Porém, este resultado não confere ao PSD e ao CDS uma vitória inequívoca. Isto porque perdeu a maioria absoluta que tinha no parlamento. E após 4 anos sem qualquer diálogo, será muito complicado agora para estes dois partidos ver qualquer proposta ser aprovada. A começar pelo próprio programa de Governo.
Logo, está tudo nas mão do segundo partido mais votado, o Partido Socialista.
Este, tem várias opções em cima da mesa. Pode juntar-se à esquerda para apresentar uma alternativa de Governo, pode aliar-se à direita para formar um Governo, tal como Cavaco Silva pretende e pode por fim, não optar por nenhum dos anteriores e apenas fazer oposição, viabilizando algumas propostas do Governo e juntando-se ao Bloco e ao PCP para bloquear outras.

No meio disto tudo, António Costa encontra a intenção da ala segurista em voltar a liderar o partido.
Mas esta questão será clarificada em congresso após as presidenciais, até lá, o foco está na formação de um novo Governo e na elaboração do Orçamento de Estado.

Voltando ao tema principal, a formação de um novo Governo.
A meu ver, não me parece nada viável que o PS forme Governo com a direita. De todas as hipóteses, esta é a que eu rejeito já neste momento. Para além de achar que se António Costa optar por esta via, perderá metade do seu eleitorado.

Porém, a opção de alargar o chamado arco de governação ao Bloco de Esquerda e à coligação CDU traz muitos riscos. O primeiro dos quais é não se saber a postura que estes partidos têm quando são Governo. Na oposição, têm muitas vezes a postura de se ficar a parte da mesa das negociações, tal como aconteceu com a Troika, e ainda existe outro fator relevante, que é a postura destes países perante o projeto europeu e o euro.

O importante, como eu tenho dito nos últimos meses e anos, numa coligação não é importante apenas e só quem a constitui, mas sim o seu conteúdo ou intenção. E não teria problema nenhum de conviver com uma coligação PS, CDU e BE, mas o propósito teria de ser criar emprego, dignificar as condições de trabalho e combater a austeridade. Esses são os ponto que unem estes partidos, e a coligarem-se, terão de se potenciar. 
António Costa foi bem claro, e tem todo o meu apoio quando diz que qualquer projeto que vá contra os 4 propósitos a que o PS se propôs, isto é, aumento do rendimento, dignificar o trabalho, uma postura ativa e forte na europa e apostar na educação, inovação e ciência. O PS, pela sua história e pela sua capacidade de diálogo, pelo seu líder e pelos votos que obteve, não deve sujeitar-se a pressões dos partidos à sua esquerda. A acontecer negociações com estes, deve ser o PS a liderar, e não a ser liderado.

Vejamos o que as próximas horas nos trazem, mas serão decisivas, certamente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Porque nunca poderia votar na PáF


Lembro-me de, em 2011, quando os meus amigos e colegas de escola me perguntavam porque deveriam votar no PS, ou então qual a diferença entre votar PS ou PSD, eu na altura dava a resposta mais simples que tinha no meu cardápio: se não queres ficar sem escola e saúde, vota PS. Daqui, deve ler-se: Se não é objetivo ficar sem acesso a um sistema de ensino e saúde públicos, deve-se votar PS.
Infelizmente, não sei se com o contributo destes colegas e amigos ou não, mas a verdade é que o PSD venceu as eleições e coligou-se com o CDS para formar uma maioria parlamentar.

Quatro anos passados, não posso, com muita pena minha, admitir que errei.
Quatro anos depois, em relação à educação, tivemos anos escolares a começar com pior qualidade e com atrasos históricos (ano letivo anterior), colocações de professores que envergonham qualquer sociedade que se diga progressista e ainda o aumento das propinas no ensino superior. Isto já para não falar nas não contratações de professores, turmas cada vez maiores, encerramento de escolas, nas mobilidades especiais e nos exames criados.
Temos, sem dúvida alguma, um sistema de ensino muito pior do que o que tínhamos antes deste Governo tomar posse. 
Por outro lado, as nossas universidades fizeram da exportação a sua principal atividade, visto que depois de completar uma licenciatura, poucas são as hipóteses que restam a um jovem senão emigrar.
Eu tirei a minha licenciatura precisamente durante os anos de governação de Passos Coelho. Lembro-me que quando foi eleito, estava já em preparação para os exames do secundário. Por isso, senti bem a evolução negativa que foi levada a cabo por este Governo nesta matéria, principalmente no ensino superior. Mas houve uma área que me fez chocar. O desinvestimento na inovação e conhecimento é algo de abismal. Não consigo conceber que um Governo, numa sociedade que quer estar na vanguarda de tudo e de todos, não aposte no futuro. E o futuro passa, inevitavelmente, pelas universidades, pelo conhecimento e pela inovação.

Na outra matéria que falei em cima, como arma de arremesso por mim utilizada, é difícil saber por onde começar. Admito que também aqui o atual Governo não tenha sorte com as minhas experiências. Infelizmente, durante estes 4 anos tive de me deslocar várias vezes a diferentes hospitais, por diversos motivos e em variadas circunstâncias, e pois bem, cada vez pior. Se na educação, os rakings ainda "ajudam" o Governo, na saúde nem por isso.
Vi com os meus próprios olhos muitas pessoas que precisavam de uma cama no hospital por serem operadas no dia seguinte, e não ficaram internadas porque não havia cama disponível. As taxas moderadoras, duplicaram. Não vou falar das listas de espera, porque como se trata de saúde, um dia de espera para o que quer que seja, é demasiado. Mas o mais grave para mim, é o facto de termos vários enfermeiros a sair das nossas universidades, bem preparados, e a serem literalmente obrigados a emigrar, com trabalho reconhecido e condições de trabalho dignas, algo que não encontraram em Portugal. A consequência, para além do desperdício no investimento feito ao longo de anos, e de estarmos a ajudar a enriquecer outros países ou então ao facto de estarmos a fazer jovens emigrarem e desprenderem-se daquilo que lhes é familiar, temos a necessidade, equipamentos e infra-estruturas preparadas para fazer mais e melhores operações, mas não o podemos fazer porque não são contratados enfermeiros.

Por estas duas razões em especial, nunca poderia votar na PáF.
Brevemente escreverei porque votarei no PS.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ofuscado

Este será o artigo mais curto do PNP.

Ontem, a coligação PSD/CDS apresentou as linhas orientadoras daquilo que será o seu programa de Governo...
Ao mesmo tempo (poucas horas depois), noticiava-se a ida de Jorge Jesus para o Sporting, proveniente da Luz...

Será assim tão fraco e vazio aquilo que a coligação tem para nos mostrar que, rumores de transferência de um clube para o outro de um treinador ofusque completamente?

Era só esta questão que eu queria deixar no ar.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Coligação, agradecimento a Cavaco e ainda... Abril

Os últimos dias, politicamente, foram bastante recheados.
Tivemos a resposta do PSD e CDS ao salto para a ribalta do PS. A resposta às propostas apresentadas pelo maior partido oposição, não foi uma visão ou um contraponto a cada uma das propostas, mas sim a confirmação de que a atual maioria vai a votos de mãos dadas. O que revela uma das duas coisas, ou existe falta de conteúdo, ou o PS conseguiu surpreender a maioria e houve a necessidade de atrair novamente os holofotes...
Era óbvio que iam conseguir coligar, quer fosse antes ou depois das eleições. E muito honestamente, gostei de ver que o fizeram antecipadamente. Assim, as responsabilidades destas políticas serão completamente partilhadas e os portugueses terão a oportunidade de julgar, na urna, toda a linha governativa. Não haverá naqueles dois partidos o colher de louros (não sei quais, mas não haverá na mesma), ou o discurso populista de "iam fazer, mas não deixaram", ou "mesmo ameaçados, ficamos e avançamos com as nossas propostas". Não! O Governo vai a votos como um todo, e os portugueses terão a verdadeira arma na mão, quando puderem colocar a cruz.

Ora, mas nem tudo é assim tão bom. Ou melhor, até é bom, mas podia ser melhor. Claro.
Vejamos, neste momento sabemos quem vai a votos, em que condições e o que vamos votar. Temos os partidos que formam Governo a quererem ser julgados pelo seu trabalho. Temos já um PEC por estes apresentado, que prevê os próximos 4 anos, que é no fundo a coerência dos últimos 4. A continuidade da austeridade é para levar a cabo. Depois, do maior partido da oposição, aquele que poderá tirar a direita do poder, aquele que representa a verdadeira alternativa, temos já algumas propostas. Estas são bastante esclarecedoras da política que será seguida. Para uma análise mais aprofundada, poderemos ver o que Tony Blair levou a cabo com a sua "terceira via", como nos deu conta, Manuel Carvalho no seu artigo ontem no Público.
Temos portanto, as cartas todas em cima da mesa. O que me leva a afirmar que poderíamos, facilmente, ir às urnas daqui a um mês. Mas, olhando agora para o calendário, daqui a um mês calha... exatamente, final da primavera início do verão. Já houvimos falar disto não já?
Resta-nos por isso, agradecer a Cavaco Silva pelo compasso de espera que teremos até final do verão início do outono.

Para finalizar, e mesmo em nota de despedida, obviamente que o facto de estarmos a viver esta época festiva das comemorações do 25 de abril não passariam em claro no PNP. Como tanto, e bom atenção, se tem escrito por esta internet fora, apenas deixo a frase que consta na imagem deste artigo. Abril é poder ficar!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um ano não é assim tão pouco...




O dia de hoje é a prova de que na politica, um ano pode ser uma eternidade!
Quem não se lembra da demissão irrevogável de Paulo Portas? Pois e, faz hoje 1 ano.


Neste dia em 2013, estávamos perante uma crise interna, mas no Governo. Por esta altura, já se faziam contas no PS para saber quem ia ocupar que pasta. Cavaco chegou a propor Governo de salvação nacional e teríamos agora eleições antecipadas. Creio que se Antonio Jose Seguro soubesse o que sabe hoje, teria aceite.

Segundo o jornal i de hoje, Hélder Amaral defende que os portugueses deviam agradecer a Paulo Portas. Eu não sei se foi uma piada ou não, mas deu-me vontade de rir! Então os portugueses continuam a ser despedidos, os orçamentos de estado continuam a ser inconstitucionais, cada vez temos menos Estado social,e ainda devemos um obrigado? Hilariante...

Um ano depois, a coligação parece estar decidida a ir até ao fim, e ainda bem para o PS, mas o maior partido da oposição está, por via das decisões da actual direcção, a mostrar o porquê de muitos acharem que a política e apenas maquinas partidárias. Tenho pena, acho que ninguém fica a ganhar nada com o adiar, a não ser o próprio Seguro, que se ganhar as eleições internas (e prefiro não pensar como), usará esta situação como halibi para uma possível derrota nas legislativas.

Seja como for, o dia de hoje demonstra bem aquilo que um ano significa, o que para nós, portugueses comuns, se torna numa esperança. Esperança que o bom senso desça ao parlamento e crie um futuro melhor.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Arrancado a ferros!



Foi com uma vitória tangencial que ontem, o PS venceu a direita. Uma vez mais, aquilo que tenho referido como um erro da esquerda, ficou patente e o preço a pagar por este facto foi o que foi. Mas veremos mais a frente qual é, a meu ver, o verdadeiro preço a pagar.

Mas antes quero dizer que acho vergonhoso o que foi atingido de abstenção. Abstenção essa que ajudou, de certa forma, a apoiar o radicalismo da direita no PE e também fez com que Juncker seja eleito. Isto traduzido, a austeridade continua. Em homenagem a este sentimento expresso no parágrafo, fica a imagem do artigo.

É verdade que a direita, nomeadamente os partidos do Governo, tiveram uma derrota clara, aliás, nunca o PSD para as europeias menos que 31%, e desta vez, em coligação com o CDS, nem 28% chegaram!
Mas ontem as eleições eram europeias, e por isso, falar em Governo não é muito lógico, prefiro falar antes em direita.

Porém, o PS foi que, a primeira vista, lucrou com esta descida da direita, pois venceu as eleições e elegeu mais 1 deputado para o Parlamento Europeu. No entanto, os votos que teve não foram muito longe dos 31% (pior resultado até ontem, do PSD).

Mas atenção a alguns factos que não podemos deixar passar em claro, nomeadamente na esquerda e no Partido Socialista!

Primeiro ponto, a esquerda, e é aqui que eu tenho vindo a ter razão, ao fragmentar-se como tem feito, e desdobrando-se em partidos, faz com que os votos se distribuam e por consequência, percam força política. Na óptica do voto útil, claro está.
Aqui, está de parabéns o PCP que tem vindo a "renascer" e o MPT, mais propriamente Marinho e Pinto, que fez com que o Movimento Partido da Terra passasse de 0,7 para 7% em 5 anos. Notável! E quem sabe, para as legislativas não surpreenderá outra vez?
De salientar também, que o Bloco de Esquerda, desde o falecimento de Miguel Portas e a retirada de Francisco Louçã tem vindo a demonstrar uma insignificância política brutal. Não me refiro apenas ao conteúdo, ou falta dele, mas sim também nas urnas, em que cada vez mais, perde lugares em todas as eleições que disputa.
Não esquecendo claro, o LIVRE, partido que tenho criticado desde o seu aparecimento, como podem constatar aqui no PNP. Pois a ideia que passa é que, Rui Tavares se chateou com alguém no BE e para se "vingar", fundou um partido para roubar a este, espaço. Pois bem, em 2009 foi eleito eurodeputado pelo BE, e ontem, o LIVRE deixou-o em Portugal. Ou é do partido ser muito recente, ou é da sua insignificância no espectro político nacional.

Sobre a direita, para além da derrota, há um aspecto que importa referir, é que mostrou, pela fragmentação da esquerda ou não, não estar completamente sentenciado a deixar de ser Governo nas próximas legislativas.
No entanto, acho que o PS tem muita responsabilidade neste facto. Sim, um partido como o PS que é oposição à 3 anos, deveria já estar com pelo menos 10 pontos percentuais de distância seja qual for a eleição. É verdade que o PS venceu, e que é a segunda vitória de António José Seguro, mas... Não sabe a pouco? Não parecem vitórias arrancadas a ferros? A mim parece-me que sim, mas é apenas a minha opinião.
Tal como António Costa, acho que este deve ser um momento de reflexão para todos os decisores do partido do Largo do Rato. Porque é que ontem, tal como nas autárquicas, e como o PCP, o líder socialista não pediu eleições antecipadas? E dentro do PS, estarão todos a festejar o resultado de ontem?

Enquanto socialista, estou extremamente preocupado com o futuro próximo do PS, pois acho que tem muito trabalho pela frente se quer vir a ser Governo em Portugal nas próximas eleições, mas mais do que o trabalho, não estou certo que seja Seguro o homem certo para o fazer.
Não acho que seria mal nenhum o PS agendar umas eleições internas para o mais curto espaço de tempo possível, a fim de: 1) legitimar ainda mais Seguro ou 2) encontrar um novo líder.
Tal como disse Ronaldo a Carlos Queirós, "Assim não vamos lá".

domingo, 19 de janeiro de 2014

Vergonhoso



O que se anda a passar em Portugal, é vergonhoso. Claramente vergonhoso.

Para além de deixar ficar mal o nosso parlamento, também os partidos saem feridos...
O que me leva a fazer esta afirmação, foi o triste episódio do final desta semana, em que o PSD, a votar sozinho a favor, aprova o referendo quanto à possibilidade de adopção e co-adopção por casais homossexuais.

Acho vergonhoso que o PSD, nomeadamente a JSD o tenham proposto. Acho vergonhoso que o grupo parlamentar do PSD o tenha aprovado, principalmente por ter sido com disciplina de voto. Isso só fez com que quem não quisesse cumprir, faltasse e chegou mesmo a haver demissão! Acho vergonhoso que o CDS se tenha abstido... Enfim, um dia menos bom.

O PSD ter feito uma coisa, e o CDS outra, já é habitual, bem como a divisão na coligação.
No entanto, a coligação parece de facto mais forte, com o CDS a evitar chatices ao abster-se e não a votar contra.

Mas prefiro recordar o que Passos Coelho tinha dito quando ainda era oposição, é que a adopção não deveria depender da orientação sexual, mas sim das condições que os pretendentes de o fazer reunissem. Totalmente de acordo Sr. Primeiro-Ministro, mas tomar isso em conta hoje em dia, seria bastante melhor para uma sociedade mais equitativa e justa... Não acha?

Tal como João Torres disse, e eu subscrevo, "os direitos humanos não se referendam!"

Para vermos a nossa situação, de forma muito simples e comparando-a a outros países, como a França que autorizou no passado ano a existência de casamentos homossexuais, e que, como dei conta no dia 23 de Abril aqui no PNP: "permite necessariamente a adopção por parte deste casal".

Está mais do que na hora de as pessoas acordarem, e verem que por detrás destas decisões "muito democráticas", pode estar o esconderijo de muitas medidas, leis que não interessa sequer saber que estão a entrar em vigor, agradar um grupo económico ou outro... enfim. Acordem!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Afinal foi em vão...



Para a democracia, os partidos com acento parlamentar, nomeadamente os mais votados, não chegarem a acordo entre sim, nunca me parece louvável. No entanto, e na própria democracia, os partidos não representarem o povo, é ainda pior.

Depois de uma crise política desencadeada pela demissão de ministros, por aparentemente, má governação e fracasso da política adoptada, o Presidente da República tomou uma atitude que, pediu um acordo entre os partidos que assinaram o memorando de entendimento. Não avalizando assim o acordo entre PSD e CDS. Mas acontece que não houve acordo também com o PS por causa da política de austeridade que o Governo parece querer continuar a levar a cabo. Depois de se saber o desfecho das intensas negociações, o PR lamenta que não tenha havido acordo e dá luz verde a coligação até 2015.

Esta foi a história que fica para mais tarde recordar, mas daqui podemos retirar que, em primeiro lugar, o acordo entre PSD e CDS parece ser mais do mesmo, ou seja, continuação da austeridade.
Ficou também a ideia, que o Presidente com a sua proposta seria eventualmente trilhar o Partido Socialista a uma submissão das políticas do Governo, a ideia era o PS ir contra o que tem vindo a afirmar nos últimos tempos. Mas a verdade é que o líder da oposição não aceitou.
Com o desenrolar da história, constatámos que António José Seguro tem tentado ouvir os outros partidos e tem tentado chegar a acordo com aquilo que são as necessidades do país e dos portugueses. É isso mesmo que se pede a um líder político, que tente encontrar soluções.
Mas ficou patente que com austeridade e que sem eleições, o Partido do largo do Rato não compactua, tal como tem prometido o sucessor de Sócrates. Assinar um acordo, seria deixar cair tudo o que tem vindo a dizer e ir contra o sua ideologia. 
Outro ponto interessante, e que se está a ver nestes dias após o furor todo, o PS que ainda à uns meses estava dividido, hoje fala a uma só voz. É uma réstia de esperança a este Governo, que tem estado nos últimos meses divido, e pode ser que um dia, se una. 

domingo, 7 de julho de 2013

O acordo deu nisto



Uma coisa parece ser certa, temos estabilidade política até as eleições europeias, ou seja, temos Governo até ao fim do mandato. Isto até poderia ser óptima, mas acontece que eu não olho apenas a metas, mas sim também e essencialmente a meios, e isto ser conseguido apenas com uma "clausula" que encarece o eventual divórcio, não me parece lá muito democrático.
Já que falo em meios, o acordo até pode ser bom para a coligação, logo, para o país, mas a forma como foi conseguido por Paulo Portas, não me parece a ideal. Mas a verdade é que a partir de agora temos um Governo em versão 2.0. (poder ser melhor ou ainda pior)

Não entendo, como o PR aceita esta retirada de soberania ao povo e, legitima um Governo nestas condições, claramente contra a vontade do povo.

Como português, não me sinto protegido por este executivo.

Mas uma coisa que é muito interessante, é ver Paulo Portas agora a coordenar a economia, finanças e a relação com a troika. Isto significa que passa a ser não vice primeiro-ministro mas sim quem realmente manda. Passos Coelho passa assim a ser um fantoche.

Portas a partir de agora, para mim, não é governante mas sim estratega. Conseguiu o que queria, vamos ver o resultado.

NOTA: Esta imagem diz tudo, Paulo Portas a sorrir e Passos Coelho a vergar a cabeça. Melhor imagem era impossível

sábado, 6 de julho de 2013

Antes do acordo



Estamos a 25 minutos da declaração, que os líderes do PSD e CDS vão fazer ao país para dar a conhecer o acordo assinado entre ambos, mas até lá, as ideias que ficam:

1. Paulo Portas consegue revogar o que é irrevogável, sai e entre do Governo como jogo de poder. Ganha notoriedade e perde, pelo menos a minha, consideração que restava.

2. Acabou por mostrar medo dos delegados ao congresso do partido que lidera, e decidiu adiar a realização do congresso para ter a certeza que não é enxovalhado. 

3. Afinal os esforços que o povo está a fazer, podem muito bem ir por água abaixo e cada vez temos menos credibilidade. Continuamos, como sempre, dependentes dos mercados e fazemos o que eles querem. A democracia assim está em risco e pode estar em causa por aqueles que nos governam. 

4. Passos Coelho anda ali por andar, faz no fundo, o que os outros querem que faça. Tudo para ficar agarrado ao lugar com que sempre sonhou.

Mas agora, quanto ao acordo e sem saber o que ele contem escrito, pode até não ser mau. Pode ser óptimo  como pode ser péssimo, a ver vamos o que diz e como é executado. Recordo que à não muito tempo, o PS também viveu uma grave crise interna, tal como a coligação, e através de um acordo, hoje está unido e fala a uma só voz, foi bom e está a dar resultados. Se o mesmo se passar entre o PSD e o CDS, e for realmente em prol do emprego e crescimento económico, até sou capaz de tentar perceber toda a palhaçada que aconteceu ao longo da semana. Mas se o sumo de tudo isto, foi passar Portas a vice-primeiro-ministro e arranjar mais dois cargos para boys dos partidos, repudio totalmente o que tem acontecido.

Na sua demissão, Portas dizia que não concordava com as políticas seguidas nem como o PM tem governada. Ao passar agora a vice, pode muito bem forçar a demissão de Passos e passa assim automaticamente a PM. Uma coisa é certa, conseguiu a remodelação que queria, tem mais notoriedade e sobretudo, teve as atenções voltadas para ele e mostrou, a sua importância num Governo frágil.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Coligação a meio gás



A verdade é que, a coligação não era Paulo Portas e Passos Coelho, mas sim CDS e PSD.
E o que aconteceu nas últimas 48h ao Governo, não foi mais do que um Ministro das Finanças que se demitiu por não resultar a sua receita (obrigado por admitir e fazer a mala), uma péssima escolha para substituir Vítor Gaspar, e o Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Paulo Portas não concordar com as escolhas do PM e das políticas adoptadas e demitiu-se também.
Paulo Portas usou ao longo destes dois anos, o benefício de ser ministro e líder partidário em simultâneo, em sucessivos momentos, a assinar por baixo e deixar passar medidas imperdoaveis, em nome da instabilidade e ao mesmo tempo, criticar essas mesmas medidas.
Agora é uma vez mais disso mesmo, como ministro demitiu-se, mas como líder partidário, irá ver como fica a coligação com a sua ausência.

O que me quer parecer é que, neste momento, deve estar algo arrependido de alguma coisa. Ou de ter outrora passado medidas que claramente não concordava, ou de ter rompido agora com essa estabilidade, por causa dos mercados, que vinha sendo o seu escudo de protecção. É que agora, e uma vez que são papéis distintos, a coligação vai existindo na mesma (Pedro Mota Soares e Assunção Cristas), e os mercados reagiram muito mal à notícia.

Ficarei muito contente se os dois partidos se souberem comportar democraticamente, e ficarei muito triste, se todos os sacrifícios que foram pedidos não terem porto qualquer (bom ou mau), por culpa do que está a acontecer. Espero que o PM não se esconda atrás desta crise política, para justificar a sua péssima governação, que está a liderar.
Mais contente ainda ficarei se houver uma mudança de rumo. é que não me está a parecer que vamos sair bem deste caminho que está a ser seguido.

Já agora, mora alguém em Belém? Daria jeito que pusesse fim a este delírio!

O fim da incompatibilidade



Outrora, num outro artigo, defendi que Paulo Portas tinha perdido a sua oportunidade de se demitir do Governo, mas agora, depois de ler a sua carta de demissão, dou o braço a torcer e concordo com a sua demissão. Este Governo conseguiu criar mais discórdia entre os seus líderes de coligação.

Paulo Portas discorda à muito com a política financeira deste Governo, à muito que tem assumido publicamente, e a escolha desta ministra foi a gota de água. Segundo o líder do CDS, o que o levou a demitir-se foi o facto de o PM não o ter tido em conta, na sua decisão de escolher Maria Luís Albuquerque para esta pasta tão importante. Invoca na sua carta de demissão, o facto de não ir contra os seus princípios. Louvo esta atitude!

No entanto, neste momento, como em qualquer outro, uma crise política não é conveniente. Estamos a meses de reentrar nos mercados. Estamos sob assistência financeira externa. Estamos com desemprego elevadíssimo, défice elevado e uma dívida impagável. Estamos também a meio deste mandato legislativo.

Contudo, não se deve, tal como já com Gaspar, manter ministros a governar contra a sua vontade.
Esta situação leva-nos a ingovernabilidade  tal como em 2009 quando Sócrates ganhou as eleições e governou em minoria. Hoje, poderá ter consequências bastante mais graves para as gerações vindouras.

O que deve, com tudo isto, Cavaco Silva fazer? Ainda faltam 2 anos de mandato ao PSD, que pode governar sozinho ou procurar outra coligação. 
A meu ver, e tal como já referi, um Governo de salvação nacional ou de iniciativa presidencial, ou então, chamar os portugueses ás urnas. É óbvio que Passos Coelho  não tem mais legitimidade para governar, e como tal, o PR tem de agir como chefe de Estado que é.

Neste momento, o PS tem um papel fundamental na política nacional, tal como sempre o tem, mas hoje, como líder da oposição, tem de demonstrar responsabilidade e que está preparado para ajudar os portugueses e Portugal a superar esta crise, seja qual for o caminho seguido.

Para finalizar, e sem ironia, dou uma vez mais os parabéns ao PM pelo seu sentido de Estado, em que afirma que irá levar a sua avante até ao fim. Só demonstra que está a fazer o melhor que sabe e que está convicto de que isto é o melhor para Portugal. Pena ser apenas ele e o morador de Belém que acreditam nisto, mas um dia mudará. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O sim de Portas...


Poderia Portas ser um aliado dos cidadãos no Governo? Sim, até parecia sê-lo, mas afinal e na hora H, apela sempre ao consenso político!
Vemos frequentemente os líderes dos partidos que suportam o Governo de coligação divergir, isto como é óbvio não é bom para a estabilidade. Chegamos mesmo ao ponto de ter conselhos de ministros a durarem 20 horas. Vemos manchetes uma vez por semana a dizer que quer Paulo Portas, quer Passos Coelho como Vítor Gaspar pensam em se demitir.

Outro ponto que queria salientar é que já é tempo de remodelação ministral, isto é, alterar alguns ministros. Nomes mais falados são Santos Pereira e Gaspar para saírem...
Contudo, Paulo Portas que é escusado rever o que diz em campanhas eleitorais, muito populista, está a compactuar com o parceiro de coligação e assim acaba por fechar os olhos assinando por baixo medidas que dizia não implementar em campanha e que vão mesmo contra as bases partidárias.
Quando ouvimos frequentemente Portas divergir com Passos defendendo os contribuintes, pensamos que está ali o seu advogado de defesa. Este orçamento de Estado, para além de ser muito penalizador para os contribuintes, para além de ser inexequível,  para além de contrariar as ideologias do CDS e para além de este não concordar, vai compactuar em nome do consenso político.

Até à data da votação muita coisa pode acontecer, mas caso o CDS deixe passar o orçamento tal como este está, perde até ao fim do mandato a oportunidade de sair do Governo. Depois deste orçamento, pior situação não será possível de forma a justificar a crise política que isso causaria. Por isto, o momento é este, é o agora ou nunca. Depois das trocas de palavras acesas na semana passada, em que um (Portas) diz que não concorda com os aumentos de impostos e que também é Governo, logo, uma palavra a dizer e que o outro (Passos Coelho) diz que quem ganhou as eleições foi o PSD e não o CDS, deixando assim este numa posição de "pedinte" para ali estar, de muitas personalidades como deputados ou fundadores do partido centrista pedirem o voto contra e a saída do Governo, este é o momento do ex-jornalista marcar posição e sair do Governo, em nome do que prometeu e em nome dos contribuintes e pensionistas.

Com esta atitude (deixar passar), Paulo Portas arrisca-se a tornar num case study, em que poderia sair muito bem de toda a situação para com os cidadãos em geral, mas principalmente com os eleitores do CDS, mas prefere em vez disso, protestar a quem não lhe dá ouvidos e não o tem em conta na elaboração dos documentos e medidas mais importantes do executivo, deixando-se envolver num rumo sem futuro e que muito prejudica o país.

Toda esta análise está assente no facto de que qualquer uma das situações são prejudiciais à imagem do país quer no exterior quer mesmo para a situação real do país internamente. Entre ficarmos sem Governo mas também sem este OE ou ficar com este Governo e com este e os próximos OE's, não sei o que é pior.