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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Açores e sondagens

Ontem, o Partido Socialista conseguiu uma importante vitória no arquipélago dos Açores, a sexta consecutiva, a quinta maioria absoluta, também consecutiva.

Muito se poderá dizer a favor e contra a existências de maiorias absolutas, que fortalecem do ponto de vista estratégico as regiões porque são implementados planos e continuados até ao seu fim, mas também se poderá dizer que acaba com o tempo por limitar a participação na democracia quer de outros partidos e movimentos, mas também de outros dos cidadãos quando são chamados às urnas.

Ora, mas vivemos em democracia, e como tal, todos os votos contam, e quem fica em casa, acaba por deixar os outros decidirem, sempre assim foi, sempre assim será, e não é por causa dos elevados níveis de abstenção terem, possessível, beneficiado o PS (até porque pode não ter beneficiado) que direi o contrário. Antes de avançar, gostaria de esclarecer que, a abstenção pode não ter beneficiado o PS na medida em que a abstenção que se verificou nos Açores poderá estar mais diretamente relacionada com o facto de as sondagens darem quase como garantia a renovação da maioria absoluta como também um possível aumento dessa maioria, o que faz com que alguns eleitores não vote por sentir que não faria a diferença.

Não obstante, para além da nova maioria absoluta que o PS conquistou, podemos olhar para os resultados com olhos analíticos e verificar que o CDS e o Bloco de Esquerda acabam também por ver reforçadas as suas votações e representação em número de deputados. O que é bom, principalmente do ponto de vista democrático e da sua participação, acaba assim por manter-se um equilíbrio, importante, na região autónoma, onde a perda dos deputados por parte do PS e do PSD não significa em si a tendência nem à direita nem à esquerda.

Mas no título do artigo falo em sondagens. Os leitores mais atentos do PNP sabem que sou bastante céptico e prudente em relação a sondagens, acho-as altamente duvidosas e ao mesmo tempo altamente extraordinárias, eu sei que é uma incoerência, mas não deixa de ser verdade.
Porém, ontem ao início da noite, quando os votos começavam a ser contados, as chamadas sondagens à boca das urnas, as ditas mais fiáveis, dava um reforço da maioria do PS, ora, acontece que esse reforço não aconteceu e chegou mesmo a perder um deputado. Este episódio, somado principalmente às sondagens nas eleições britânicas, mantém o meu pé atrás em relação a estes estudos.

sábado, 4 de outubro de 2014

Certidão de óbito?

Dá a ideia de que o Bloco de Esquerda, pela moção de Catarina Martins e João Semedo, acabaram por assinar uma certidão de óbito.

Ora, depois do que Portugal viveu nos últimos anos, especialmente os últimos 5, dá ideia de que o BE não aprendeu nada, e cada vez mais quer perder peso político. Todas as suas rejeições, especialmente com a Europa.

Que o Bloco esteja contra a austeridade, é certo e sabido, e aliás, partilhado por muitos, inclusive por mim. Mas eu não sou a favor da saída da União Europeia ou do Euro sequer. O que mais surpreende, é que após o anterior líder do partido, que o era na altura das negociações com a troika, ter afirmado estar arrependido de não se ter envolvido nestas negociações, e depois de o Bloco ter perdido dirigentes como Ana Drago ou Rui Tavares, por descontentamento pelas posições adoptadas, continuam numa linha de radicalização. O Bloco é, portanto, um partido comunista disfarçado. Digo disfarçado porque, se o assumissem, fariam um acordo com o PCP, ou deixariam de ser partido para se filiarem neste partido. De ora avante, caso seja esta a moção vencedora de entre 5 que vão a congresso, já sabemos com o que contamos, um bloco indisponível para tudo, excepto para coligar e alinhar com o PCP. E não está errado, mas estão a prejudicar a esquerda, uma vez que contamos actualmente com dois partidos, BE e PCP, a defenderem e agirem de forma exactamente igual. E isso só beneficia a direita, e não melhora, em nada, a possibilidade da esquerda Governar.

Porém, ao mesmo tempo, tínhamos o populista Marinho e Pinto a falar na TVI 24 e a falar da fundação do Partido que é fundador. À pergunta: com que partido não se coligará, o mesmo responde: o CDS. 

Esta, deveria ter sido a postura dos actuais dirigentes do Bloco. Admito que excluíssem também o PSD. Mas não seria de esperar, esta radicalização total, que é própria do PCP! 

Aguardo, com expectativa, o que defenderá Pedro Filipe Soares.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Arrancado a ferros!



Foi com uma vitória tangencial que ontem, o PS venceu a direita. Uma vez mais, aquilo que tenho referido como um erro da esquerda, ficou patente e o preço a pagar por este facto foi o que foi. Mas veremos mais a frente qual é, a meu ver, o verdadeiro preço a pagar.

Mas antes quero dizer que acho vergonhoso o que foi atingido de abstenção. Abstenção essa que ajudou, de certa forma, a apoiar o radicalismo da direita no PE e também fez com que Juncker seja eleito. Isto traduzido, a austeridade continua. Em homenagem a este sentimento expresso no parágrafo, fica a imagem do artigo.

É verdade que a direita, nomeadamente os partidos do Governo, tiveram uma derrota clara, aliás, nunca o PSD para as europeias menos que 31%, e desta vez, em coligação com o CDS, nem 28% chegaram!
Mas ontem as eleições eram europeias, e por isso, falar em Governo não é muito lógico, prefiro falar antes em direita.

Porém, o PS foi que, a primeira vista, lucrou com esta descida da direita, pois venceu as eleições e elegeu mais 1 deputado para o Parlamento Europeu. No entanto, os votos que teve não foram muito longe dos 31% (pior resultado até ontem, do PSD).

Mas atenção a alguns factos que não podemos deixar passar em claro, nomeadamente na esquerda e no Partido Socialista!

Primeiro ponto, a esquerda, e é aqui que eu tenho vindo a ter razão, ao fragmentar-se como tem feito, e desdobrando-se em partidos, faz com que os votos se distribuam e por consequência, percam força política. Na óptica do voto útil, claro está.
Aqui, está de parabéns o PCP que tem vindo a "renascer" e o MPT, mais propriamente Marinho e Pinto, que fez com que o Movimento Partido da Terra passasse de 0,7 para 7% em 5 anos. Notável! E quem sabe, para as legislativas não surpreenderá outra vez?
De salientar também, que o Bloco de Esquerda, desde o falecimento de Miguel Portas e a retirada de Francisco Louçã tem vindo a demonstrar uma insignificância política brutal. Não me refiro apenas ao conteúdo, ou falta dele, mas sim também nas urnas, em que cada vez mais, perde lugares em todas as eleições que disputa.
Não esquecendo claro, o LIVRE, partido que tenho criticado desde o seu aparecimento, como podem constatar aqui no PNP. Pois a ideia que passa é que, Rui Tavares se chateou com alguém no BE e para se "vingar", fundou um partido para roubar a este, espaço. Pois bem, em 2009 foi eleito eurodeputado pelo BE, e ontem, o LIVRE deixou-o em Portugal. Ou é do partido ser muito recente, ou é da sua insignificância no espectro político nacional.

Sobre a direita, para além da derrota, há um aspecto que importa referir, é que mostrou, pela fragmentação da esquerda ou não, não estar completamente sentenciado a deixar de ser Governo nas próximas legislativas.
No entanto, acho que o PS tem muita responsabilidade neste facto. Sim, um partido como o PS que é oposição à 3 anos, deveria já estar com pelo menos 10 pontos percentuais de distância seja qual for a eleição. É verdade que o PS venceu, e que é a segunda vitória de António José Seguro, mas... Não sabe a pouco? Não parecem vitórias arrancadas a ferros? A mim parece-me que sim, mas é apenas a minha opinião.
Tal como António Costa, acho que este deve ser um momento de reflexão para todos os decisores do partido do Largo do Rato. Porque é que ontem, tal como nas autárquicas, e como o PCP, o líder socialista não pediu eleições antecipadas? E dentro do PS, estarão todos a festejar o resultado de ontem?

Enquanto socialista, estou extremamente preocupado com o futuro próximo do PS, pois acho que tem muito trabalho pela frente se quer vir a ser Governo em Portugal nas próximas eleições, mas mais do que o trabalho, não estou certo que seja Seguro o homem certo para o fazer.
Não acho que seria mal nenhum o PS agendar umas eleições internas para o mais curto espaço de tempo possível, a fim de: 1) legitimar ainda mais Seguro ou 2) encontrar um novo líder.
Tal como disse Ronaldo a Carlos Queirós, "Assim não vamos lá".