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sábado, 19 de setembro de 2015

Depois dos debates

Gostaria de começar este artigo, e até porque não escrevi durante algum tempo por isso mesmo, com uma nota muito breve em relação à experiência que vivi na Hungria. Tal como aconteceu na Moldávia, uma vez mais conheci um novo país para mim, com a oportunidade de aprender através da educação não formal, mas acima de tudo, a oportunidade de conhecer pessoas novas. Tenho a sensação de que, numa semana, fiz uma mão cheia de amigos para a vida. É sempre bom e gratificante enriquecer desta forma. Aconselho a todos procurarem informação sobre o programa Erasmus + e ver em que medida este se pode aplicar aos seus anseios, interesses e vivências.

Porém, quer no dia em que parti como no dia seguinte a ter regressado, Passos Coelho e António Costa tiveram dois frente-a-frente, através da televisão e rádio respetivamente. A meu ver, o líder socialista foi quem venceu os dois debates, e pela mesma razão, pela atitude que mostrou ter, porque o conteúdo, esse, tem sido apresentado ao longo dos últimos meses, de forma pausada e responsável. Não quero, contudo, deixar de salientar que a diferença ou margem de vitória entre Costa e Passos foi mais evidente no primeiro debate, aquele que registou o maior número de espectadores de sempre, com sensivelmente 3.4 milhões.

Eu não vou estar aqui, hoje, a falar do conteúdo e das políticas que António Costa apresenta, até porque me dedicarei a fazê-lo na rua nos próximos dias, mas também o farei aqui. Apresentarei aqui o porquê de votar no Partido Socialista no próximo dia 4 de Outubro.

Quem viu e ouviu os debates teve a oportunidade de constatar que o ex-autarca se encontra em melhores condições de governabilidade, e não o digo por ser um orgulhoso socialista, nem por andar nas ruas a defender e lutar por uma vitória eleitoral. Digo-o porque, sem margem para dúvidas, António Costa mostrou ter um conhecimento bem mais profundo e real da situação dos portugueses. Mostrou que tem uma alternativa, de confiança, na qual podemos votar, sem medos e receios.

Para além do mais, e voltando ao ponto em que destaquei a atitude como elemento decisivo nos debates, o líder do PS mostrou uma capacidade de se comprometer com os portugueses, sem entrar em promessas vazias e populistas e mais, conseguiu mostrar determinação e coesão nas ideias pelas quais se apresenta hoje, e isso, é muito importante no momento em que ponderamos o nosso voto.

Nos próximos dias, como disse, apresentarei as razões pelas quais vou votar em António Costa, mas agora, e para terminar, apenas relembro que vencer debates e estar ligeiramente à frente nas sondagens não é garante de uma vitória eleitoral. Os debates valem para mostrar e apresentar as propostas e os candidatos. As sondagens servem para... bem, devem servir para avaliar as intenções de voto, mas que se têm mostrado bastante ineficientes nos últimos atos eleitorais a que temos assistido. Por isso, dia 4, seja para votar em quem for, ou mesmo para deixar o boletim em branco, é importante não ficar em casa.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Acabou o diz que disse

Muito já se tem escrito sobre cada uma das propostas, sendo que acredito que muito poucos foram os que leram o documento na integra. Falo claro, do estudo que 12 economias elaboraram que servirá de base, para que o PS faça o seu programa de Governo.

Ainda a apresentação estava a ser feita, e já haviam conclusões a tirar de um documento com cerca de 100 páginas. Fico surpreendido por ver a quantidade de speed readers que Portugal tem...

Depois de apresentado este documento, e onde constam medidas que o PS poderá levar a cabo, caso seja Governo, tudo será diferente daqui até ao dia das eleições. A rutura entre PS e maioria está agora muito clara. Está tão clara, que os únicos partidos a reagir ao documento, foi o PSD e o CDS. Os da esquerda, LIVRE PCP e BE preferiram não se expressar. Caso o fizessem, creio que teriam séria dificuldades em criticar.
A partir de agora, já não há desculpas. Já há resultados de 4 anos de governação, com algumas propostas dessa mesma coligação para os próximos 4 anos, e já há também algumas propostas do maior partido da oposição... Já não se vai discutir mais o diz que disse. 

O PS foi, uma vez mais, inovador na democracia. Não me refiro apenas ao tempo em que foi o grande impulsionador da democracia em Portugal, mas apenas e só destes últimos 12 meses. Desde que António Costa se mostrou disponível para liderar o PS, aliás, para ser o candidato a Primeiro-Ministro pelo PS, vimos já de forma inédita eleições primárias num partido, a abertura a simpatizantes, a abertura ao cidadão para apresentarem propostas a incluir no programa apresentado pelo PS e agora vemos ser apresentado um estudo macroeconómico, com simulação de medidas, para que se evite os vídeos virais que por aí andam, em que Passos Coelho antes das eleições dizia fazer uma coisa, e no cargo de PM, fez exatamente o oposto.
Não, o PS é diferente, e como disse o secretário-geral na festa da democracia, no passado domingo: "Palavra dada é palavra honrada".

Esta é uma nova realidade para a nossa democracia, este, é o caminho de aproximação do eleitorado ao eleitor.

Gostaria de terminar a deixar um desafio aos canais de televisão e jornais, principalmente aos mais sensacionalistas, que façam uma sondagem verdadeira. Creio que a descolagem de que se tem falado está aí ao virar da esquina...

terça-feira, 30 de julho de 2013

O reinicio



O primeiro dia do resto da vida deste Governo? Ou o novo ciclo irá mesmo acontecer e vão ser reeleitos?

Hoje passei o dia todo com a televisão ligada a transmitir a AR TV, ainda está ligada e estou a ver a comissão de inquérito à ministra das finanças.
Ou seja, vi em directo e detalhadamente o debate que antecedeu a aprovação da 5ª moção deste executivo. Desta vez a moção foi de confiança e foi aprovada pela maioria.
Para quem viu o debate, até parece que estamos perante um país em prosperidade, em que tudo está a correr bem. Vimos toda a esquerda a tirar confiança ao Governo, este a sacudir a água do capote apresentando a ideia de baixar o IRC e por fim, quer o PSD e o CDS a congratularem, de forma veemente, Passos Coelho.

Gostaria de me debruçar em três pontos, primeiro a "coesão governamental", em segundo lugar a possibilidade de baixar o IRC e por fim, uma breve análise ao que irá acontecer daqui a dois anos.

Perante a moção de confiança, quer deputados do CDS quer do PSD que congratularam o actual primeiro-ministro. Eu acho muito bem, e à muito tempo que, como muitos outros, reitero necessário. É bom ver que temos um Governo estável, coeso e apoiado. Nem que seja por um só dia ou por meia dúzia de pessoas. Mas ainda melhor, foi ver deputados do CDS a enaltecer o trabalho do PM e aplaudirem este quando falou da competência de Maria Luz Albuquerque. Memória curta ou então, o que Portas fez foi apenas encenação programada.

Quanto ao IRC, como deve ser do conhecimento geral, quanto mais baixo, melhor para as empresas, que com mais liquidez podem empregar mais pessoas, logo, é bom para os cidadãos. Logo que não compense com o IRS, está óptimo. Contudo, este ponto aproximar o Partido Socialista do executivo é benéfico para a nossa democracia, e pode ser que este comece a aceitar as propostas do PS.

Para terminar, daqui a dois anos, se este novo ciclo for verificado, com criação de emprego e crescimento económico, este Governo irá ser reeleito? Não acredito muito nesta tese, mas é uma possibilidade. Passos Coelho está já a trabalhar nesse sentido, é notório ao entregar o partido a Marco António Costa e sobretudo, através desta nova fase no Governo... Daqui a dois anos veremos no que dá, mas temo por mais tempo de direita na governação, não me apetecia nada emigrar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Grândola 2


Para melhor tentar perceber o verdadeiro estado do país, ou seja, o estado das pessoas, comprei hoje o jornal e vim a lê-lo em viagem... As pessoas estão mesmo a chegar ao limite!

Depois do 15 de Setembro e de ontem, o Governo tem os dias contados! As pessoas estão na rua, não querem mais esta política, têm-no mostrado de forma cívica, a partir daqui, não sei qual é a alternativa de protesto, mas receio uma revolta humana sem precedentes!

Numa opinião muito sincera, já não sei o que este executivo espera mais para se demitir! Para quem eles governam, já não os querem lá, é difícil compreender?  O estado do país está tal que, nos relatos que o jornal que li teve a oportunidade de recolher eram qualquer coisa como pessoas que entregaram a casa, idosos que vêm as suas reformas reduzir cada vez mais, pais que não sabem se vão conseguir pôr os filhos a estudar, jovens que estão a fazer as malas para emigrar e uma nova "maré"... crianças que ficaram sem mesada porque «a troika e o Governo (passos, relvas e todos os que ali andam» estão a roubar os meus pais e os meus pais estão-me a roubar a mim» . Estas foram as palavras de uma criança ontem em pleno terreiro do paço. Impressionou-me este testemunho!

É suposto em democracia os governantes darem ouvidos ao povo, quando assim não é, o fim pode ser catastrófico, e começo a recear o futuro próximo. Que o Passos Coelho aguente dois anos e meio a ouvir protestos, isso já não me admira, agora, o povo não sei se consegue esperar mais dois anos e meio a ser «roubado».

Porém, este texto surge no seguimento de um outro com o mesmo título (excepto o número) e não é à toa. Uma musica que é tida como hino da liberdade tem sido ultimamente banalizada, mas a verdade é que ontem, arrepiei-me em frente à televisão quando ouvia milhares entoarem aquele que é para mim o verdadeiro símbolo da liberdade nacional, e os arrepios não foram do frio que estava de certeza!

Por isso, deixo aqui uma alternativa ao Governo (é importante não protestar apenas), demitam-se se faz favor! 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O sim de Portas...


Poderia Portas ser um aliado dos cidadãos no Governo? Sim, até parecia sê-lo, mas afinal e na hora H, apela sempre ao consenso político!
Vemos frequentemente os líderes dos partidos que suportam o Governo de coligação divergir, isto como é óbvio não é bom para a estabilidade. Chegamos mesmo ao ponto de ter conselhos de ministros a durarem 20 horas. Vemos manchetes uma vez por semana a dizer que quer Paulo Portas, quer Passos Coelho como Vítor Gaspar pensam em se demitir.

Outro ponto que queria salientar é que já é tempo de remodelação ministral, isto é, alterar alguns ministros. Nomes mais falados são Santos Pereira e Gaspar para saírem...
Contudo, Paulo Portas que é escusado rever o que diz em campanhas eleitorais, muito populista, está a compactuar com o parceiro de coligação e assim acaba por fechar os olhos assinando por baixo medidas que dizia não implementar em campanha e que vão mesmo contra as bases partidárias.
Quando ouvimos frequentemente Portas divergir com Passos defendendo os contribuintes, pensamos que está ali o seu advogado de defesa. Este orçamento de Estado, para além de ser muito penalizador para os contribuintes, para além de ser inexequível,  para além de contrariar as ideologias do CDS e para além de este não concordar, vai compactuar em nome do consenso político.

Até à data da votação muita coisa pode acontecer, mas caso o CDS deixe passar o orçamento tal como este está, perde até ao fim do mandato a oportunidade de sair do Governo. Depois deste orçamento, pior situação não será possível de forma a justificar a crise política que isso causaria. Por isto, o momento é este, é o agora ou nunca. Depois das trocas de palavras acesas na semana passada, em que um (Portas) diz que não concorda com os aumentos de impostos e que também é Governo, logo, uma palavra a dizer e que o outro (Passos Coelho) diz que quem ganhou as eleições foi o PSD e não o CDS, deixando assim este numa posição de "pedinte" para ali estar, de muitas personalidades como deputados ou fundadores do partido centrista pedirem o voto contra e a saída do Governo, este é o momento do ex-jornalista marcar posição e sair do Governo, em nome do que prometeu e em nome dos contribuintes e pensionistas.

Com esta atitude (deixar passar), Paulo Portas arrisca-se a tornar num case study, em que poderia sair muito bem de toda a situação para com os cidadãos em geral, mas principalmente com os eleitores do CDS, mas prefere em vez disso, protestar a quem não lhe dá ouvidos e não o tem em conta na elaboração dos documentos e medidas mais importantes do executivo, deixando-se envolver num rumo sem futuro e que muito prejudica o país.

Toda esta análise está assente no facto de que qualquer uma das situações são prejudiciais à imagem do país quer no exterior quer mesmo para a situação real do país internamente. Entre ficarmos sem Governo mas também sem este OE ou ficar com este Governo e com este e os próximos OE's, não sei o que é pior.