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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O legado de Soares

Aparentemente, Mário Soares e as recentes eleições, quer as dos EUA como as do Brasil, não têm nada em comum. Mas eu acho que sim.

Vamos começar pelo fundador do Partido Socialista, falecido no início de 2016.
Mário Soares não deixou apenas um partido charneira fundado. Deixou um legado. Um legado da democracia, um legado da participação cívica, uma história de vida verdadeiramente inspiradora para as próximas (e porque não para as atuais) gerações, políticas e não só.
Mas o maior dos legados, e talvez aquele que fez com que Portugal hoje seja o paraíso social em que vivemos e que muitas vezes desprezamos, foi o legado da tolerância. Através dela, promoveram-se diálogos que dificilmente seriam mantidos, conquistaram-se valores que de outra forma não seriam implementados, e que hoje estão enraizados na nossa sociedade. Paz social, o principal.

Portugal teve a sorte de ter Mário Soares como português. O mundo, em geral, nem por isso. Nem mesmo os países CPLP.

Vamos agora aos atos eleitorais do outro lado do atlântico.
Trump nos EUA e Bolsonaro (primeira volta, ainda) no Brasil. Tolerância? O que é isso? Não tenho muito mais a dizer.

No entanto, deixo aqui um reparo a todos, principalmente aos europeus, aqueles que entendem que por serem europeus o mundo gira à volta deles. As coisas não são assim.
Viver em democracia é respeitar as escolhas, mesmo sabendo que a prazo, elas terão consequências para nós. Mas nós, europeus, não votamos nas eleições americanas nem brasileiras. Vamos deixar as coisas acontecerem como os americanos e os brasileiros escolhem que aconteçam. Ao mesmo tempo, podemos tomar atitudes que sirvam de exemplo, que inspirem e que não desiludam o eleitorado. Governantes, podem respeitar o voto e cumprir o que prometem? Podem ouvir os eleitores? Ou estaremos todos à espera que o descontentamento se transforme em figuras aberrantes para as sociedades?

terça-feira, 11 de março de 2014

De besta a bestial



Não é com surpresa que vejo Mário Soares ser homenageado... Tem feito por isso, tem sido interventivo, controverso mas ao mesmo tempo, realista.
Sim, Mário Soares tem sido realista, mesmo quando é uma realidade que nós não queremos ver ou que tentamos esconder, mas a verdade é que Soares, tem sido o mais lúcido dos portugueses!

Quem me conhece, e fala comigo nos dias em que Soares é muito criticado pela imprensa nacional e por muitos portugueses e essencialmente, comentadores políticos que o acusam de incentivar a violência (a um dos pais da democracia em Portugal) e de não ter nexo no que diz por estar já com uma idade avançada, sabe que eu tento sempre ver as coisas da perspectiva que o mesmo apresenta, e sempre reconheci, tal como o próprio, que os portugueses estavam a sofrer em silêncio e a revolta está sempre por um fio... Os polícias têm mostrado isso, tem sido um óptimo avisa.

Mas o ponto onde quero chegar é este: uma vez mais, os nossos compatriotas apenas dão valor a algo que é nosso ou a algum português, depois de os estrangeiros o fazerem. Soa a familiar não é?

Hoje, no jornal "Público", Soares é o único que tem a seta verde na última página, vêm rasgados elogios ao ex-presidente no artigo da cerimónia da homenagem. Nomeadamente, a justificação da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal para a eleição de personalidade do ano foi "ser uma das vozes mais activas no seu país, com grande repercussão no estrangeiro. Ante a dificuldade dos portugueses, Soares não se tem calado". é isto que o caracteriza, é isto que faz de Mário Soares, a pessoa que é!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

LIVRE , a nova tendência?



Este fim-de-semana parece ter surgido, ou na prática, começou a surgir um novo partido na esquerda portuguesa.

A minha primeira reacção foi: "mais divisão na esquerda já dividida?"
Quem lê o PNP com regularidade, sabe bem o que eu acho acerca dos desentendimentos que a esquerda tem demonstrado, ao contrário da direita, mais ou menos unida, que nos momentos de grande aflição, lá se entende.
Mais uma vez, a esquerda dividir-se é dar mais uma vitória à direita, que se tem vindo a congratular com as sucessivas vitórias que tem conquistando. À vitória económica que se tem verificado, estamos à beira de assistir à vitória política.
No momento em que a esquerda se deveria unir para aproveitar a oportunidade que a crise está a oferecer, ao desgastar a direita, aproveitando sinergias, e tal como Mário Soares tem tentado através do congresso das esquerdas, vemos um novo partido, o LIVRE, surgir...

Mas vejamos melhor o partido em si e o seu líder, isto é, o LIVRE e Rui Tavares.

O LIVRE pretende ficar no meio da esquerda. Mas o mais engraçado é que, ainda hoje, é o dia em que me pergunto onde se localiza o BE, em que tanto tenta "atacar" o PCP como o faz com o PS. Portanto, onde é que é o meio da esquerda? Pelas pessoas que foram à primeira reunião, parece ser um partido próximo do PS e do BE.
Mas um partido novo só sobreviverá se fizer algo de diferente do que hoje em dia é feito pelos restantes. E não é preciso muito para se entender isto, basta olhar para as eleições do passado dia 29 de Setembro, onde os eleitores demonstraram isto mesmo!
Mas a inovação não sendo bem concretizada, é um tiro nos pés, tal como aconteceu com o Bloco, com esta direcção bicéfala, em que o partido, mal foi a votos, perdeu a única autarquia que detinha.

Mas um outro aspecto que gostaria de olhar, é ao facto de Rui Tavares se poder, muito facilmente tornar em Francisco Louçã versão 2.0 e o LIVRE caminhar as mesmas ruas que o BE está hoje a percorrer.

No entanto, e porque pode dar ideia de que sou contra o surgimento de um novo partido, não é nada disso, apenas gostaria que a esquerda se unisse em vez de se dispersar e assim dar vantagem à direita. É que a esquerda consegue ser muito mais capaz que a direita actual, e disso não duvido, mas se forem muitas forças à esquerda, o velho ditado "a união faz a força", tantas vezes proclamado pela esquerda, a ela não se aplicará. E seria uma pena.

Para finalizar, irei ficar bastante atento aos desenvolvimentos, e certamente que este novo partido contará com excelentes contributos e desde já os meus mais sinceros parabéns pela ousadia de avançarem com esta iniciativa. A esquerda, em geral e vinda ela de onde vier, mostrará certamente valor.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Uma capa importante



Hoje quem passou num quiosque em Portugal dificilmente não se apercebeu que o FC Porto foi tri-campeão ontem na mata real. Foi um feito importante tendo em conta o campeonato que foi e a forma como foi campeão, mas isso nada muda a vida dos portugueses a não ser por escassos momentos eufóricos de alguns adeptos do clube portista. As capas dos jornais desportivos, são mais do que normais, mas nos jornais generalistas apenas este, o jornal i dá destaque ao que de realmente de importante se passa no país. Caso esta capa não fosse hoje publicada, faria-me pensar que vivia no tempo em que o SL Benfica e o Belenenses eram usados como conversa de café manipulada pelo regime ditatorial salazarista!

Agora vamos ver o que de tão importante tem esta capa a dizer:
Em destaque aparece que mais de 82% dos portugueses não querem a troika a "mandar" nas suas vidas, pelo menos da forma que está acordado. Esta teoria, a da renegociação ou denuncia deste memorando tem sido a grande bandeira de toda a esquerda, começando com o BE a defender isto mesmo e hoje em dia, os projectos alternativos do PS passam sempre por esta via, ou seja, pela preferência dos portugueses.
Pegando na esquerda, conseguimos ler também nesta capa que o histórico Mário Soares está a tentar juntar todas as esquerdas para ser discutida uma alternativa à austeridade. Desta forma, o antigo PR responde a todos os críticos que dizem que os políticos não fazem nada, um ex-político no activo tenta fazer a diferença através do diálogo, com quase 90 anos. É de louvar!
Por último, apenas de salientar que decorre hoje, e ainda está a decorrer (são agora 00h08), são já mais de 7h de trabalho do conselho de estado que teve como alvos a discussão do pós-troika e a preparação do futuro executivo governativo no pós-Passos Coelho. A ser verdade que foi isto o que aconteceu nesta reunião, parece-me ser um sinal claro de duas coisas, a primeira é que o PR está a tentar trabalhar nos bastidores para formar um certo consenso que o actual PM parece estar-se a esforçar para romper e também que o próprio Cavaco Silva está a pensar que este Governo não chega ao fim, ou seja daqui a 2 anos e meio.

A ver vamos se existirá algum comunicado em que possamos ter uma ideia mais clara do que se passou ou se existirão sinais práticos daquilo que foi debatido hoje durante estas 7h. 

NOTA: estão neste preciso momento a sair de Belém os conselheiros de estado.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Aos 39 anos de PSD



A comemoração dos 39 anos do PSD e as declarações que desta data resultaram fazem-me reflectir aquilo que são realmente os partidos e quem os controla.

Quem segue a política nacional nos últimos 5 anos, sabe perfeitamente que o PSD é um partido dividido, só durante a governação José Sócrates, foram pelo menos 5 líderes diferentes deste partido, e ainda assim com quase outros tantos como potenciais futuros líderes...

Mas seja como for, não é normal que figuras notáveis da organização ou mesmo fundadores estejam desapontados com o desempenho do próprio partido nomeadamente de Passos Coelho. Deixo aqui algumas citações proferidas nestes dias:

  • “Não vou comemorar rigorosamente nada. Só não vou chorar porque não tenho idade para isso”, o partido está hoje “muito descaracterizado”, num caminho que “não tem nada a ver com a matriz social-democrata”. - António Capucho
  • “Conjunto de pessoas que tomaram conta das estruturas internas e afastaram os militantes que possam divergir”. “Há uma oligarquia que tomou conta do poder, as distritais não servem para nada, o partido está completamente dominado pela estrutura liderada pelos companheiros de aventura do dr. Passos Coelho e do dr. Miguel Relvas, que hoje está alapada no poder”, - António Capucho 
  • “Não só na sua palavra, mas no seu pensamento, aquele que é o ícone, o grande referente do PSD, Francisco Sá Carneiro, hoje em dia não passa de um retrato pendurado no partido”, - Miguel Veiga.
  • “Não era isto que eu esperava que este governo fizesse, não era isto que o PSD no governo devia fazer” - Encarnação


Estas afirmações levam-nos a crer que uma ala deste partido poderia hoje ter fundado um outro, bem mais à direita, bem mais neo-liberal, bem ao jeito de Passos Coelho.
Mas mais grave do que isto, coloca em causa a democracia, uma vez que esta é exercida em grande parte pelos partidos políticos, a falta de dialogo e o facto de tentarem "calar" vozes divergentes através de domínio da chamada máquina partidária é muito grave e triste, principalmente para os jovens, que têm o futuro do país nas mãos mas que ao que parece nada podem fazer na lei dos mais fortes.

Esta é a meu ver uma das grandes diferenças entre os dois partidos que têm governado nestes anos de democracia, o PS é bem mais unido e dá mais oportunidades aos seus militantes, sendo certo que não será em todo o partido assim, no entanto, aquando a comemoração do 40º aniversário viu-se Mário Soares e Seguro lado a lado com elogios do fundador ao actual secretário geral.

É caso para perguntarmos uma vez mais o que podemos realmente fazer por nós e pelo nosso país? Temos assim tantas oportunidades de intervenção como nos fazem querer?  A minha resposta é sim, claro, temos é de saber como e ser persistentes.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

40 anos de PS




O partido socialista está hoje de parabéns, são já 40 anos da sua existência!

É sabido se não por todos, pelo menos por muitos que sou um jovem que defende as ideias base que sustentam o chamado Partido Socialista.

Este partido em muito contribuiu para a implementação da democracia e ajudou, sendo fundamental para que o nosso país não caísse no radicalismo comunista que caracteriza (e mais nos anos 70) o PCP. É um partido que já viveu grandes vitórias e que sabe qual o sabor da derrota, já conquistou maiorias absolutas e Presidentes da República, tem peso nas autarquias, conta com eurodeputados, entre outros feitos... é por isto um partido com experiência.
Eu apenas tenho um pouco mais do que metade da idade daquele partido com o qual me identifico, mas nunca li nem ouvi dizer que o PS tenha sido alguma vez radical, num na sua história fugiu às suas responsabilidades e sempre encarou a oposição não de forma destrutiva mas sim de forma responsável e promovendo o diálogo democrático.

No entanto, e como qualquer organização tem na sua história pontos altos e pontos baixos. É evidente que coisas extraordinárias já fez por Portugal e certamente que erros já cometeu, pois só acontece a quem tem coragem de enfrentar os problemas, de dar a cara e de se sacrificar em nome de um projecto, de ideias, de um país...

Se não toda, grande parte da sua existência e experiência para além da sua ideologia deve-se a um homem, Mário Soares, que em momento oportuno apercebeu que Portugal precisava do socialismo e assim fundou o PS.

Muito poderia aqui escrever sobre o Partido Socialista, mas não me parece que seja necessário, para além de vasta informação esta acessível, a sua obra está à vista de todos.

É certo também que ainda não sou militante do PS, por apenas ainda não achar que tenha chegado o momento, mas sou orgulhosamente militante da juventude que a meu ver melhor defende os meus interesses enquanto jovem, falo claro está da Juventude Socialista que tem um enorme líder, João Torres e muitos dirigentes de grande categoria espelhados pelo país e com quem tive e tenho o prazer de me cruzar ao longo da minha.

Venham mais 40 anos desta organização ao serviço de Portugal.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Empobrecimento assistido

Estamos cada vez mais pobres e toda a gente assiste...

Hoje somos bombardeados de más notícias para a economia portuguesa, e claro, consequentemente para os portugueses. Depois da "euforia" do regresso aos mercados a taxa de juro menos 5%, mas na verdade, a vida dos portugueses em nada beneficiou a não ser ao ver os noticiários...

Esta semana, já apelidada por Seguro de "uma das semanas mais negras" deste executivo, temos novos dados desanimadores, recessão do PIB, aumento do desemprego, baixa salarial, aumento da despesa pública com os desempregados e aumento do empobrecimento fazem parte das manchetes de hoje.

Segundo  o Tribunal de Contas, a despesa com os subsídios de desemprego subiram 25,7%, graças ao aumento de desempregados que atinge já um valor muito próximo dos 1 Milhão de pessoas. Quem ainda trabalha, segundo o indicador do custo de trabalho viu as suas remunerações baixarem 16,1%, com maior gravidade no sector público. No "diário económico" podemos ler que Portugal tem uma taxa de pobreza superior à média europeia, apenas ultrapassada pelos países do sul da Europa (tal como nós o somos) e por alguns do leste, o que convínhamos parece ser um indicador algo natural dada a nossa debilidade económica dos últimos anos... Mas a manchete deste jornal de hoje é que me parece revelar o retrocesso que temos vindo a fazer no último par de anos, "Portugal mergulha na pior recessão desde 1975", o que demonstra bem por dados estatísticos, aquilo que Mário Soares dizia à tempos que nem no tempo de Salazar as coisas estavam desta maneira. 

Mas apenas salientar estes títulos e criticar não nos levará a nenhum lado, mas o que está a provocar esta situação tão gravosa, para além da intervenção da troika, é o facto de este Governo por vezes, senão quase sempre ter ido mais além daquilo que acordado, o que provocou o efeito ainda mais recessivo. Ainda outro pormenor, bastante relevante senão mesmo principal, é não estarem a ser empregues medidas de crescimento económico e o dinheiro que está a chegar destinado a apoiar PME's e particulares, ou mesmo empresas públicas estar na gaveta essa aplicação e o dinheiro "desaparece" na mesma.

É altura de alguém tomar o pulso à situação, porque quer o Estado, quer os cidadãos estão cada vez mais pobres. O Estado está a vender em saldo as últimas jóias da coroa, os portugueses estão a ficar com as dívidas e sem os bens... Onde vai isto parar? O memorando está a ser bem executado e os resultados são todos errados? Os sacrifícios são exigidos e a esperança está a desaparecer na mesma?

Agora sim... Precisamos de ajuda!