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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O ponto de viragem



Hoje acordei com uma noticia que, aparentemente é muito boa. A economia portuguesa deixou de estar em recessão no passado trimestre, prevendo-se um crescimento entre os 0.3 e os 0.6%. Os dados oficiais serão ainda divulgados na quarta-feira.

Agora, porque é que digo que esta noticia pode ser apenas aparentemente boa, e não realmente boa? É simples, é que a crise já nos tem tirado muito, e quando falo nós, falo ao povo em concreto, ao contribuinte comum. E se nos próximos trimestres a economia recuar, de nada vale este pequeno grande passo. É certo que muitos sacrifícios têm sido pedidos aos portugueses e que esta noticia é, claramente, o espelho de isso mesmo. E seja qual for o Governo em funções, esta é sempre uma boa noticia e pode, no nosso caso, significar que é o principio do fim da crise tal como já foi anunciado à um ano atrás.

Mas a verdadeira questão é em que é que isso influência a vida dos portugueses? Pouco ou nada a curto prazo, mas este é o momento em que o Governo tem de dar sinais de confiança aos portugueses e começar a devolver aquilo que lhes tem sido tirado. Não para que seja imposta uma política de intervencionismo do Estado, mas principalmente por duas coisas. A primeira, para que não fiquemos com um Estado mínimo  que apenas cumpre as funções gerais de soberania, o outro motivo passa por entregar aos contribuintes meios para que possam voltar a consumir, dando-lhes poder de compra.

Tal como tenho vindo a defender ultimamente, o estado de um país não se vê apenas pelo PIB, défice e dívida, mas sim pelo desenvolvimento que os cidadãos têm e o proveito que é feito com a riqueza gerada. De nada vale que a economia cresça, se isso não se reflectir no quotidiano. É que o povo não pode ser apenas chamado a pagar, e depois na hora de receber, ninguém se lembrar dele.

Não estou a pedir que seja entregue já nada em concreto aos portugueses, mas peço que pelo menos não tirem mais nada. Era importante começar por aqui. Seja como for, esta é aparentemente uma boa noticia.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dois anos depois e cada vez pior...



Fez ontem dois anos que ouvi senão o melhor discurso da minha vida, um dos melhores sem dúvida.  Refiro-me ao discurso de derrota de José Sócrates que daria assim lugar a Passos Coelho.

Volta e meia dedico tempo a ouvir discursos políticos, e ouvi à pouco tempo o de campanha do PSD, onde o actual PM prometia não tirar o 13º mês, não mexer no IVA de consumo e não mexeria nas pensões.
Entretanto também já deixou outras promessas como 2012 seria o início do fim da crise, 2013 já não seria de recessão, ou então posso também relembrar algumas saídas do líder deste executivo como a alertar aos jovens para a emigração, chamar-nos piegas, entre outros episódios também interessantes.

Mas o que realmente se assiste, e por aqui é que se mede o verdadeiro pulso do país é pelas pessoas, a sua satisfação e os reflexos da nossa economia, e a verdade é que este Governo tem lutado bastante para cada vez mais nos encostar a parede, estamos cada vez mais pobres e cada vez mais sem saída. O IVA que aumentou, a retirada de direitos outrora adquiridos, a taxa de desemprego que a cada trimestre que passa atinge novos máximos históricos e o consumo interno que cada vez mais tem diminuído. Tudo isto está inscrito em dois orçamentos considerados inconstitucionais.

Agora, uma pergunta que se impõe é: E os portugueses, como estão a viver no meio de tudo isto?
Fácil resposta, na rua. Quer no sentido lato por cada vez haver mais pobres mas também pelo povo estar constantemente na rua em protestos. Este Governo como dizia uma jornalista ontem numa peça é o Governo com mais contestação e ainda só conta com dois anos. Vimos a maior manifestação de sempre em 15 de Setembro do ano passado, vimos a CGTP e a UGT unidas numa manifestação geral e já está agendada outra. Os transportes públicos estão muitas vezes em greve. Neste momento há mais um braço-de-ferro entre Governo e professores onde os alunos poderão não ter condições de fazer exames.

E em termos de governabilidade, como estamos? Com uma maioria absoluta de coligação, onde o segundo partido de Governo já ameaçou sair mais que uma vez e que dá constantemente sinais de instabilidade.
Por fim e uma curiosidade, onde vamos parar? Não faço ideia, mas tenho receio que este Governo nos leve à desgraça!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Empobrecimento assistido

Estamos cada vez mais pobres e toda a gente assiste...

Hoje somos bombardeados de más notícias para a economia portuguesa, e claro, consequentemente para os portugueses. Depois da "euforia" do regresso aos mercados a taxa de juro menos 5%, mas na verdade, a vida dos portugueses em nada beneficiou a não ser ao ver os noticiários...

Esta semana, já apelidada por Seguro de "uma das semanas mais negras" deste executivo, temos novos dados desanimadores, recessão do PIB, aumento do desemprego, baixa salarial, aumento da despesa pública com os desempregados e aumento do empobrecimento fazem parte das manchetes de hoje.

Segundo  o Tribunal de Contas, a despesa com os subsídios de desemprego subiram 25,7%, graças ao aumento de desempregados que atinge já um valor muito próximo dos 1 Milhão de pessoas. Quem ainda trabalha, segundo o indicador do custo de trabalho viu as suas remunerações baixarem 16,1%, com maior gravidade no sector público. No "diário económico" podemos ler que Portugal tem uma taxa de pobreza superior à média europeia, apenas ultrapassada pelos países do sul da Europa (tal como nós o somos) e por alguns do leste, o que convínhamos parece ser um indicador algo natural dada a nossa debilidade económica dos últimos anos... Mas a manchete deste jornal de hoje é que me parece revelar o retrocesso que temos vindo a fazer no último par de anos, "Portugal mergulha na pior recessão desde 1975", o que demonstra bem por dados estatísticos, aquilo que Mário Soares dizia à tempos que nem no tempo de Salazar as coisas estavam desta maneira. 

Mas apenas salientar estes títulos e criticar não nos levará a nenhum lado, mas o que está a provocar esta situação tão gravosa, para além da intervenção da troika, é o facto de este Governo por vezes, senão quase sempre ter ido mais além daquilo que acordado, o que provocou o efeito ainda mais recessivo. Ainda outro pormenor, bastante relevante senão mesmo principal, é não estarem a ser empregues medidas de crescimento económico e o dinheiro que está a chegar destinado a apoiar PME's e particulares, ou mesmo empresas públicas estar na gaveta essa aplicação e o dinheiro "desaparece" na mesma.

É altura de alguém tomar o pulso à situação, porque quer o Estado, quer os cidadãos estão cada vez mais pobres. O Estado está a vender em saldo as últimas jóias da coroa, os portugueses estão a ficar com as dívidas e sem os bens... Onde vai isto parar? O memorando está a ser bem executado e os resultados são todos errados? Os sacrifícios são exigidos e a esperança está a desaparecer na mesma?

Agora sim... Precisamos de ajuda!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Finalmente, Cavaco!

Sou jovem, gosto de política e aprecio discursos!
Confesso que tenho saudades de ver e ouvir "grandes" discursos, e os últimos que tenho em mente como sendo memoráveis tenho assim de repente o de derrota de José Sócrates nas últimas legislativas (em que demonstra bem o que é saber perder e sentido de responsabilidade), ou mesmo o de vitória de Barack Obama reeleito recentemente (onde reiventa uma eleição). Contudo, neste inicio de ano, Cavaco Silva entra neste lote (inesperadamente). 

Neste segundo mandato de Presidente da Republica, Cavaco tem exercido um papel bastante modesto, silencioso de mais! É certo que tem feito um trabalho de bastidores dito notável, mas também é certo, e uma vez que vivemos num regime semi-presidencialista, deveria intervir mais de forma a evitar o descalabro que estamos a viver.

No entanto, na mensagem de ano novo, fez o que a meu ver tinha de ser feito. No dia em que entrou em vigor o OE mais penoso para os portugueses, o PR explicou o porquê de o ter aprovado, salientou ainda que irá pedir ao Tribunal de Constitucional fiscalização sucessiva do orçamento de forma a tirar as dúvidas quanto a constitucionalidade, criticou a acção  governativa em curso e alertou para um consenso político e social e crescimento económico como base da solução da crise! Desta forma, demonstrou que está no activo, está atento e preocupado, mas acima de tudo, chamou todos os agentes políticos à atenção!