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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A verdade é esta...



Tal como tenho vindo a defender à uns tempos para cá, e como até Manuela Ferreira Leite o disse na semana passada, os resultados da receita de austeridade imposta podem até a não estar a ser maus, mas a forma como a eles chegamos é que é demasiado duvidosa de sucesso...

Teixeira dos Santos defendeu o mesmo este ano, no clube dos pensadores, o mesmo em que no ano passado Miguel Relvas revelou que não sabia a letra da Grândola, vila morena, o ex-ministro da finanças disse o que é óbvio para quem percebe minimamente de finanças públicas: que a descida do défice de 5,8 para 5,2 num ano, à custa de aumento de impostos, não é grande feito. E não o é de facto!

Mais, disse mesmo que seria possível chegar a esta acalmia dos mercados sem que os portugueses estivessem a passar pelo que estão obrigados a fazê-lo... mas enfim, em nome da austeridade, tudo!

A verdade é que a austeridade não está provada em lado algum que tem sucesso. É uma mera teoria daqueles que pretendem atirar abaixo o keynesianismo e assim levar a cabo as teorias liberais. E quem melhor do que a dupla Passos Portas para o fazer em Portugal?

Os números estão a começar a aparecer, e não podemos dizer que é mau, porque não o é. No entanto, temos de ver como a eles chegamos, e se a receita é expulsar os novos qualificados, e explorar os idosos e doentes, não alinho em me juntar à festa. 

Para terminar, apenas lembrar que, segundo me consta, no tempo de Salazar os cofres estavam cheios, mas à custa de explorar colónias, o povo português não podia falar e a fome não era assim tão pouca quanto isso... Lembrem-se disto!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Como é que se explica?



Cada vez mais, estamos mais baralhados... Afinal, o programa está a resultar ou está a ser um redondo falhanço?  O Governo português é um bom ou mau aluno? 2013 foi o ano em que as contas se endireitaram ou isso é só para o próximo ano? Por onde podemos realmente ver se estamos a melhorar ou piorar?

Enfim, poderia colocar muitas mais questões, que por muitos dias que passem, não encontraremos respostas claras e fáceis.
A meu ver, e pela qualidade de vida das pessoas, e não por meras estatísticas que são elaboradas num gabinete algures.

Ontem, foram divulgados novos valores pelo INE que nos indicam o seguinte: o "enorme aumento de impostos", apenas nos fizeram recuar 0.2 % do défice. Mais uma pergunta surge, é bom ou muito pouco?

Mas não vou entrar em pormenores técnicos, até porque é fácil justificar, basta cada vez mais pessoas estarem dependentes do Estado pelo subsídio de desemprego ou outros meios, outro argumento é quem está na idade activa ir para o estrangeiro, enfim, ainda mais motivos podemos argumentar...

Mas o que me leva a escrever este artigo é a reacção que tive quando vi a notícia: como é que se explica ao cidadão comum, ao contribuinte que cada vez mais desconta, ao funcionário público que cada vez mais trabalho por um preço cada vez mais barato, ao pensionista e reformado, que hoje não tem o que lhe foi prometido, enfim, a todos em geral, como é que se explica que cada vez mais o cinto está mais apertado, e não vemos melhorias significativas. 
Cada vez mais acredito nas últimas declarações de Mário Soares quando afirma que o povo está saturado e pode-se revoltar. Basta olharmos para a AR, que tem deixado de ser o local de debate construtivo deste país por causa das ideologias desta maioria, e tem dado lugar a um palco de contestação.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Continuamos no fundo



Afinal, Paulo Portas não tinha assim tanta razão, quando dizia que tínhamos saído do fundo.

Hoje, entre reportagens de quase todo o país, entre vencedores e vencidos das eleições de ontem, surge uma notícia que está a passar ao lado de quase todos os portugueses, mas que se irá entranhar no seu quotidiano. O défice orçamental, que se tem discutido se deve ou não ser reajustado entre 4,5 a 5%, esteve no primeiro semestre nos 7,1%.

Pelos vistos, quem tinha razão acaba mesmo por ser Passos Coelho, quando diz que estamos a beira de um segundo resgate. Vítor Gaspar já saiu do Governo a algum tampo. Paulo Portas já fez o seu "jogo de cadeiras". A austeridade já está implementada. Ontem nas autárquicas o povo disse um não claro ao actual PM. E ainda assim, resiste, os meus parabéns. 

Contudo, o papel de um primeiro-ministro não é ir resistindo, mas sim governar. E isso, parece-me que o executivo tem feito muito pouco ou nada.

No dia em que o segundo resgate for pedido, antes de ter curiosidade sobre o valor a pedir, vou querer saber quem vai sair como culpado da situação. Para mim, a resposta é clara, a austeridade é a culpada, mas atenção, a austeridade não aparece vinda do além...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Uma proposta acertada.



A Europa está claramente dividida. Hoje existem duas Europa e ao mesmo tempo apenas com um Estado-membro. Temos a Europa do norte (os bons), a Europa do sul (os maus), mas ao mesmo tempo, parece que a Europa não é nada mais que a Alemanha.

Com a actual crise que assombra o mundo, mas praticamente já só se fala nela no velho continente, ficou claro que este continente tem muitos telhados de vidro e que deu muitos passos em falso, ou se quisermos, construiu castelos de areia. Problemas como o défice e a dívida excessivos marcam a agenda de quase todos os países europeus, mas existe um problema ainda maior, que cada vez mais parece não ter solução, é o do desemprego, principalmente o desemprego jovem!
Hoje em dia temos um dos líderes mais carismáticos (senão o mais) que a Europa conheceu, Jacques Delors, a dizer que é preciso reconstruir a velha Europa, e o líder do PS (que pelo andar poderá muito bem vir a ser um dos futuros líderes da Europa) a propor uma medida concreta para a solidariedade entre os Estados-membro, e que fará com que este continente se torne cada vez mais um só, a uma só voz e com um só propósito.

A proposta de António José Seguro é que quando um Estado-membro ultrapasse os 11% de desemprego, o subsidio de desemprego passe a ser participado com a comissão. Isto levaria a que não seja apenas o país já afectado socialmente com o desemprego a suportar os custos, como também seriam suportados por todos os outros. 
Na apresentação desta ideia, o líder do PS afirmou que a intenção não é que a UE subsidie o desemprego, mas sim que o desemprego passe a estar na primeira linha das prioridades. Com esta medida em funcionamento neste momento, os países que se esforçam por tirar proveito de países como Portugal, Espanha ou Grécia pensariam duas vezes antes, uma vez que teriam de, através de UE, comparticipar. Pode ser que assim a UE comece a pensar mais no crescimento económico e no emprego, e não tanto em ratings e fachadas. Este sim, é um problema que mexe com as pessoas no dia-a-dia. Eu percebo o porque de o défice e a dívida estarem inscritas com um tecto máximo nos estatutos da UE, mas percebo também que se coloque um tecto máximo para o desemprego. Actualmente, Espanha está a gastar um dinheirão só com o desemprego, e como todos sabemos, o desemprego faz um Estado gastar dinheiro em subsídios, essas pessoas não têm poder de compra relevante, caso dure muito tempo podem emigrar despovoando o país, e trás problemas atrás de problemas, como hoje em dia temos assistido.

Por isto, sou todo apoio a esta ideia apresentado por António José Seguro, quem tem feito um papel a meu ver extraordinário no que diz respeito a apresentar ideias concretas e de diálogo, quer em Portugal, quer na Europa.