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quinta-feira, 15 de março de 2018

Estão em sintonia

https://goo.gl/images/a583lF


Depois dos incêndios, muitos foram os que apregoavam o fim da boa relação São Bento - Belém - o mesmo é dizer entre Costa e Marcelo.

Pois bem, a verdade é que os tempos têm sido muito mornos politicamente em Portugal. Ou melhor, nem tanto a nível político, porque entretanto a direita está a arrumar a casa, com os seus congressos mais ou menos pop star, com banhos de mais ou menos ética. A temperatura está, digo eu, morna politicamente porque entre as ações do Governo e a atividade presidencial, nada vai correndo mal. E claro, em Portugal, a notícia é o que corre mal, nem tanto o que corre bem... não convém.

Este sábado, o Expresso noticia que o Presidente da República está a ponderar apertar o cerco a Rui Rio caso este tarde em fazer oposição ao Governo. Primeira questão: é o Presidente que tem de fazer oposição? O argumento até que não é inválido, ora o Presidente quer um Governo forte e uma oposição também ela forte. Todos reconhecemos, creio, o quão importante isso é para uma democracia funcionar bem.
E eu lia a notícia e pensava: bem, de facto já houve melhores dias para aquelas bandas. Mas não passavam de notícias. Nada de concreto ainda. Lá está, está tudo morno.

Ontem, também o Expresso, tem duas notícias em que eu tenho até dificuldade em perceber as diferenças reais. Marcelo está na Grécia. A Grécia está de saída dos programas de ajustamento que recorreu. Marcelo foi a Atenas dizer que podem contar com Portugal nesta altura decisiva da sua governação, até porque Portugal também passou pelo mesmo há pouco tempo. Certo, Sr. Presidente, mas Tsipras não é Passos Coelho. Fala-se da uma saída limpa. E eu pergunto: já se esqueceram dos momentos em que a Grécia entrava nas casas de todos nós, com manifestações e índices de pobreza? Parece que sim. Continuemos então.

Costa, por sua vez, foi discursar ao Parlamento Europeu e dizer que podem contar com Portugal. António Costa foi a Estrasburgo reivindicar uma Europa mais unida, mais coesa e mais igualitária. Propos um aumento de receita e disse desde logo que Portugal está disposto a aumentar a sua contribuição.

Em comum, para além do título das notícias, Costa e Marcelo mostram Portugal como ele é: um país responsável, organizado, economicamente a recuperar, com visão, europeísta e solidário.

Apesar de haver o que os separe, continua a ser muito mais o que os une.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Por acaso foi ideia minha


Quando vi esta imagem, publicada no The Guardian, a propósito da posição que os diferentes países da eurozona adotaram em relação à possibilidade da Grexit, ainda não tinha ouvido o nosso Primeiro-Ministro dizer que foi através de uma ideia sua que o último bloqueio que prendia o terceiro resgate à Grécia foi efetivamente desbloqueado, e já torcia o nariz. Então agora, bem, nem se fala!

Preferia ter visto o nosso Governo alinhar com a Espanha, Luxemburgo, Itália e França numa postura de evitar a saída da Grécia a todo o custo. Mas não, parece que, segundo este gráfico, fica num meio termo, e segundo muitos relatos, inclusive de Varoufakis, Portugal foi dos que fez mais pressão para que a Grécia não tivesse mais "regalias".
É importante hoje não nos esquecermos que, logo em Janeiro, quando Varoufakis e Tsipras ainda nem tinham aquecido a cadeira, Maria Luis Albuquerque foi então ter com o ministro das finanças alemão e pediu que fosse muito duro para com estes.
É também importante relembrar que internamente, fomos nas medidas adotadas, bem além da troika, o que espelha bem aquilo que este Governo pretende fazer das finanças públicas do nosso país, imaginemos então o que prefere em relação às dos outros!
Outro facto importante, é ter em conta que estamos em ano eleitoral, e que por isso, convém passar uma imagem de inclusão, mas na realidade, o que pretendem é um acordo mau para os gregos, para terem a bandeira de "olhem para a Grécia e vejam que não há caminho senão o da austeridade".
Porém, a resposta do Governo grego foi superior e não aceitou essa austeridade chantagista e perguntou ao povo, e o povo disse que não.
Agora, a imprensa internacional e portuguesa fazem passar a imagem de que o que foi aceite pelos gregos é ainda pior do que referendado. Eu não me acredito nisso, mas mesmo que assim fosse, sabem o que me faz lembrar? Aquele PEC IV que foi chumbado e depois veio o memorando... Exatamente igual!
É incrível o aproveitamento político, ridiculo até, que o nosso Governo faz desta situação toda.

Para finalizar, e para grande satisfação de todos nós, e mesmo para salvação do euro e da europa, existe um Pedro, que não eu, espécie de D. Sebastião que 17 horas depois de longas negociações, e 6 meses de dias decisivos e cimeiras importantes, teve a ideia e resolveu tudo.

domingo, 5 de julho de 2015

Grécia. E agora?

Pelos vistos, ainda está por confirmar, mas o não deverá ter ganho o referendo na Grécia.

Se eu fosse grego, teria votado não. Por isso, estou feliz com o resultado.
Mas é ao mesmo tempo, uma sensação estranha. Sim, porque muita coisa agora está em aberto, inclusive a saída da Grécia da zona euro, que poderá até ser o mais provável, e é precisamente aquilo que eu não quero que aconteça.
Então, eu queria que ganhasse o não, e que a Grécia não saia da zona euro? Exatamente. O que eu quero, é que seja caminhado aquele caminho estreito entre a saída da zona euro, e a autonomia de um país, de uma nação, para poderem tomar as suas próprias medidas e políticas económicas.

O tempo não é de celebrações, mas sim de trabalho e consensos. E o ministro das finanças grego percebeu isso, ao ponto de ainda hoje, se reunir com os banqueiros e amanhã já estar sentado, novamente, na mesa das negociações.

Este resultado, e tendo em consideração o que foi sendo dito ao longo da semana pelos principais membros do Governo grego, apenas reforça a posição deste Governo, que agora não representa apenas as suas vontades (mais pessoais) mas sim a vontade de um povo.

Nunca ouvi Varoufakis dizer que não quer a Grécia na zona euro. Antes pelo contrário. Ouvi até, e foi curioso porque em Portugal a forma de fazer política é bem distinta, o ministro das finanças grego dizer que prefere cortar o braço a assinar um acordo que não fosse bom para os gregos! Apenas aqueles que têm um lugar na história, no lado certo junto dos heróis é que dizem isto. Por sua vez, e porque é importante não esquecer, ouvimos o nosso Presidente da República dizer que se a Grécia sair do euro, como somos 19, passam a 18. 

O que é certo é que venceu a resposta que coloca a Grécia mais perto da saída do euro. Se o sim tivesse vencido (é importante relembrar que ainda não sabemos o resultado final) teríamos amanhã um Governo demitido na Grécia e as instituições europeias a poderem continuar a controlar por completo o povo grego.

Agora, teremos duas grandes saídas:

  1. Ou os responsáveis europeus perceberam e sabem ler o resultado, e cedem nas negociações;
  2. Ou teremos um governo que não tem outra saída senão respeitar o que o povo quer, e romper com a zona euro.
A minha opinião sobre aquilo que vai acontecer é que, como na verdade ninguém com dois dedos de testa quer a saída de nenhum país da zona euro, as instituições europeias vão ceder no pouco que falta. Na verdade, não têm outra saída senão esta. Ninguém quer ficar com a batata quente na mão.

Ao contrário do que Passos Coelho tem dito, é óbvio que haverão ilações para Portugal. A começar pela possibilidade de o nosso Primeiro-Ministro vir a ser reeleito ou não. Caso as negociações entre a Grécia e as instituições europeias não cheguem a bom porto, ninguém calará Passos Coelho e Paulo Portas a dizer que não existe o caminho que António Costa defende. Caso se chegue a acordo, ouvirão, certamente, António Costa utilizar a Grécia como exemplo.

Os próximos dias sim, vão ser decisivos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Não podemos ter os olhos tapados!

Enquanto andamos todos a discutir as questões gregas, que obviamente são do interesse de todos nós, e todos devemos defender aquilo que acreditamos em relação à continuidade, ou não, da Grécia na zona euro e mesmo na UE, outros assuntos devem ser igualmente esclarecidos dentro do nosso país. 
Falo das privatizações da REN e EDP, que ao que parece, não foram assim tão transparentes e claras como deveria ter acontecido.
Mas podemos também falar do BES, que afinal (como era óbvio à data), terá encargos para os contribuintes.

Mas vamos por partes.

Segundo o Tribunal de Contas, após uma auditoria feita à privatização da REN e EDP, detetou envolvimento de empresas consultoras, de amigos de Vitor Gaspar, que auferiram mais de 10 Milhões de euros em honorários (relembro que o Estado recebeu, na altura, cerca de 40 Milhões de euros pela venda da EDP). Outro facto importante, foi o facto de o Estado português não ter acautelado os interesses nacionais quando privatizou estas duas companhias (estranho não é?).

Enfim. Como se não fosse já suficiente, o que na altura foi uma grande bandeira deste Primeiro-Ministro, isto é, que a resolução do BES não teria encargos para os contribuintes, mesmo depois de a Caixa Geral de Depósitos ter injetado dinheiro no banco do regime, afinal agora não passa de uma falácia, ou até poderá a curto prazo, passar a mito urbano. O que é certo é que já se fala num encargo na ordem dos 9 Mil Milhões para os contribuintes. Bem mais do que custou a nacionalização do BPN, dos erros dos amigos deste Presidente da República e que José Sócrates, e o seu Governo decidiram nacionalizar para evitar o colapso bancário que poderia despoletar a falência do BPN.

Todos nós reconhecemos a importância de discutir o que se passa na Grécia, mas não podemos fechar os olhos aos enormes erros que este Governo tem cometido e que vão custar caro ao país.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Quando se vira o bico ao prego

São já muitas as vozes que se fazem ouvir contra a postura do Governo grego.
Receio que também na Grécia sejam já algumas as pessoas descontentes com o próprio Governo, ao invés de estarem insatisfeitas com as instituições europeias.

A verdade, é que por estes dias, a vida na Grécia não está nada nada fácil. Bancos que não abrem as portas, multibancos que só permitem levantar 60€ por dia, ... mas acima de tudo, incerteza completa.

No entanto, nem tudo é mau. Hoje, os gregos têm um Governos que os representa, a ele e aos seus interesses, e não um Governo que de verga perante "os poderosos".
Muitas vezes é dado o exemplo de Portugal e Irlanda como casos de sucesso, como se fossem farinha do mesmo saco. Mas não, a Irlanda, para quem já se esqueceu, recusou um segundo resgate que iria impor novas medidas de austeridade, e respondeu com medidas de estimulo à economia, negando mais dinheiro europeu. Já Portugal também negou mais dinheiro europeu, mas porque não precisava. Pois temos os cofres cheios e podemos aplicar na mesma a austeridade severa sem dó nem piedade.

Infelizmente, sou enquanto cidadão europeu e enquanto português, representado por um Governo que tem sido, ao que parece, dos mais inflexíveis para com os gregos, e em relação a isto, cito apenas o ditado popular: "Não peças a quem já pediu",

Porém, orgulho-me de ainda ver um Governo, isolado é certo, que no seio europeu, ainda sabe aquilo que é o projeto europeu.
E quando se vira o bico ao prego? Como é?
Pois, esta é a questão que estamos a ver ser resolvida.
As instituições europeias pensavam que Varoufakis iria estender a passadeira vermelha. Que Tsipras seria um demagogo barato e que iria ceder facilmente. Pois bem, eis a resposta do país pai da democracia: referendo.
Quando a resposta é mais democracia, a solução é sempre melhor. Seja ela qual for, será a do povo. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Estados Desunidos da Europa

É um tema que, parece não querer sair do nosso quotidiano, mas que mais dia menos dia, terá de ser resolvido. Esse dia parece estar muito próximo (outra vez) e espero que a resolução seja no mínimo, satisfatória!

Falo da Grécia, claro está.

Ao que parece, decorre ainda uma cimeira, mais uma importantíssima cimeira, em prol de ver resolvida a questão da continuidade ou não da Grécia na zona euro.
Eu não estou sentado na mesa das negociações, claro está, mas a verdade é que me parece que os gregos têm feito um esforço, por sinal enorme, para cumprir todas as suas obrigações para com os credores internacionais.
Até agora, ainda não ouvimos ninguém com responsabilidades no Governo grego a dizer que querem abandonar o projeto europeu, tal como têm seguido nos últimos anos, desde a integração na UE, como na zona euro.
Acontece que, a inflexibilidade dos credores internacionais, nomeadamente do FMI, BCE e maiores países europeus, como a Alemanha, que tem muito dinheiro investido naquele que é o país mais aflito para ver a sua continuidade com normalidade.

A verdade é que temos assistido a um impasse, que dura já à 5 meses, em negociações sem fim, com dias decisivos uns atrás dos outros... enfim, bem ao jeito europeu. Lembram-se dos anos 2011 e 2012? Quantas cimeiras houveram? Quantas conclusões foram retiradas? (já que o mantra é austeridade e poupar, estas reuniões inconclusivas, que nascem já mortas, poderiam ser, por vezes, repensadas).

Admito ser um leigo, mas a verdade é que a imagem que passa, é que estão a tentar levar os gregos ao limite, de tal modo que eles (Varoufakis e Tsipras) cedam ao que Merkle pretende (sim, Hollande já não aparece no primeiro plano, e nem é tido nem achado).

A minha vontade é que se chegue a um acordo, que defina aquele que pode ser o caminho entre o romper com a austeridade e o da saída do euro.
Aquele caminho que, porém, é indicado para o Partido Socialista.

Sim, existe uma ligação direta entre o que se passa na Grécia e poderá passar em Portugal, que pela via das urnas, em que poderemos estar a escassos meses de eleger um Governo que quer caminhar nesse preciso caminho entre a austeridade e a saída do euro, quer seja também pela via da adoção de uma postura mais ou menos integradora.

Aquilo que eu aprendi, quer na escola, quer através do passar dos anos, é que o projeto europeu é um projeto de integração. Na sua génese, está a reconstrução no pós segunda guerra. Ora, o que temos assistido, não só não premeia a integração, como tem fortes apontamento de desconstrução e desintegração.
Se eu estivesse naquela mesa, a minha postura seria, sem sombra de dúvidas, a de ouvir aquilo que os gregos propunham, estudar a sua credibilidade e dar-lhes a oportunidade de colocarem em marcha o seu plano. Sim, porque esta foi a vontade do povo, que através das urnas, escolheu um caminho muito claro. E caso obriguem o Governo grego a não o seguir, só vejo duas saídas. Ou teremos mais uma vez um crise política com eleições, ou teremos um país a sair da zona euro, e assim, iniciar o projeto de desintegração, que poderá ser designado de Estados Desunidos da Europa.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

13 candidatos a Belém, 400 Milhões para o FMI

As presidenciais e a Grécia, parecem, definitivamente, ser os assuntos do ano... Pelo menos aqui no PNP.

Hoje, mais um candidato a Belém, Paulo de Morais.
Depois de Henrique Neto ter apresentado publicamente a candidatura, foi a vez de surgirem notícias de que Paulo de Morais vai também apresentar candidatura.
Não tive a oportunidade de o ouvir, quando se este foi à Universidade do Minho, mas muitos colegas meus marcaram presença, e gostaram bastante do agora candidato.
Proveniente das fileiras do PSD, e que se insurge contra a corrupção, tem tudo para ser um candidato a ter em conta na contagem dos votos.
E é também em si, uma boa notícia. Uma vez que, e tendo em conta que a lista de candidatos ou possíveis candidatos parece não ter fim, a possibilidade de segunda volta ganha forma.

O PS deveria estar bastante atento a todas as movimentações. Se quer na prática ter um Presidente, é bom que torça para que hajam bastantes candidaturas para que os votos se dividam.
Sim, porque Guterres parece ainda manter o tabu, e seria aquele que à priori, poderia resolver o problema logo no na primeira volta.
Não obstante, muitos militantes socialistas, principalmente dirigentes e figuras do secretariado, insurgem-se em apoios a diversas potenciais candidaturas, senão mesmo com candidaturas próprias.

Se é leitor habitual do PNP, perguntar-se-à: Mas então ele não defendia que a esquerda deveria organizar-se em torno de uma só candidatura para fazer frente à direita? Sim, defendia e defendo, mas uma vez que a lista de potenciais candidatos, todas com numerosos e importantes apoios, faz com que tenhamos chegado (e repare-se, 10 meses antes) a um ponto em que agora o que se tem de lutar é por uma solução bastante credível para a segunda volta.

Exagero da minha parte? Sim, certamente. Mas vejamos a lista de nomes que já foram atirados ao ar:

  1. António Guterres
  2. António Vitorino
  3. Sampaio da Nóvoa
  4. Paulo de Morais
  5. Rui Rio
  6. Jaime Gama
  7. Manuela Ferreira Leite
  8. Proença de Carvalho
  9. Henrique Neto
  10. Carlos César
  11. Santana Lopes
  12. Marcelo Rebelo de Sousa
  13. Maria de Belém

Entre esquerda e direita, são 13 os nomes acima referidos, que em qualquer blog, jornal ou declarações na TV já foram falados para as presidenciais. E certamente, me esqueci de alguém.

Para finalizar, a Grécia, no dia a seguir a eu escrever neste espaço que parece ter intenção de deixar a UE, pagou mais de 400 milhões de euros ao FMI. Assim, sempre dá para sossegar as hostes europeias. Mas depois de ter ido à Rússia para fazer frente à Europa, paga esta quantia ao FMI... trás água no bico, creio.
Atentemos aos próximos episódios.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

4 temas e um elogio, sincero, ao Governo!

Hoje na ordem do dia, estão os óscares e o caso Sócrates.
Podemos ainda procurar umas pistas sobre a possibilidade de candidatura de Manuela Ferreira Leite a Belém e claro, sobre a Grécia.

Pois bem, se são seguidores do PNP, e me conhecerem, saberão que de cinema percebo pouco, logo não opino e sobre justiça e casos a serem julgados, muito menos. Os dois primeiros temas estão de parte. Sobre as presidenciais e a Grécia.. bem, tenho escrito sucessivamente, e hoje trarei duas ou três notas sobre ambos. Mas o que vou esmiuçar um bocado é sobre o novo quadro comunitário. Um tema que nem todos estão por dentro, mas que não vou explicar aqui a parte teórica, isso aconselho este site, da empresa onde trabalho, que tem bastante e boa informação sobre a parte técnica, mas vou elogiar o Governo sobre a sua condução dos fundos comunitários.

O acordo que foi estabelecido entre a Zona Euro e a Grécia, que ainda bem que foi conseguido, coloca a nú aquilo que toda a gente sabe que existe, vive isso todos os dias, mas como é com os outros tende a criticar. Ora, se numa organização de 19 membros, com interesses económicos, políticos e sociais completamente distintos, com necessidades e realidades diferentes, é óbvio que as posições adotadas sejam também elas diferentes. E alguém tinha de estar a apoiar e estar contra as propostas gregas. Agora, a mim entristece-me, e não concordo, é que o meu país tenha estado ao lado da Alemanha, quem mais tem tirado proveito da fraqueza dos outros, nomeadamente contra um país que está a ter sérios problemas económicos e políticos nos últimos anos, traduzindo-se numa grave situação social. Mas a verdade seja dita, eu não votei em nenhum dos partidos que nos representa, é natural que não me identifique!

Quanto a Manuela Ferreira Leite ser potencial candidata a Belém, revela que a direita, com mais esta potencial candidatura, coloca-se à frente da esquerda, no que toca a número de candidatos. De Marcelo a Santana, com Ferreira Leite e Durão, a direita apresenta-se com 4 fortes potenciais candidatos. Por outro lado, a esquerda parece impreparada e sem grandes soluções, o que não é verdade porque Guterres ainda é potencial candidato, passando por Vitorino, Sampaio da Nóvoa como principais figuras. Mas é como tenho defendido, ainda faltam cerca de 10 meses, e o mais importante, ainda faltam uma legislativas. A mim, o que me dá verdadeiramente a entender, é que estamos perante falta de propostas concretas para discutir, e andamos a jogar ao jogo das cadeiras. Veremos quem são os candidatos efetivos.

Por fim, o último tema que abordarei neste já longo artigo, o Portugal 2020... e porque nem tudo o que este Governo faz é mau.
Este novo quadro comunitário está voltado e desenhado com uma filosofia pela qual me identifico, direcionada para os resultados e em que se beneficia quem os supera, e não apenas os atinge. 
Um outro aspeto relevante, é que as zonas do norte, centro e alentejo irão ter acesso a grande parte dos fundos, e isso é positivo uma vez que são consideradas zonas desfavorecidas pelo seu baixo PIB. 
Em resumo, se fosse eu a desenhar o novo quadro, ou se fosse o PS a estar no poder, gostaria que o resultado fosse este, ou muito parecido. É uma boa lógica de funcionamento, um novo paradigma, ao qual Portugal se terá de adaptar.
Resta saber se na prática, as suposições se verificam.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Temos dinheiro na Grécia, e depois?

Cavaco Silva defendeu hoje, e repetiu-o mais que uma vez, que se tem tirado muitos milhões de euros aos portugueses para emprestar aos gregos.

Ora, isto cria, por si só, uma perigosa ideia errónea daquilo que é a realidade em si mesma. E digo perigosa porque entendo que este tipo de insinuações são anti projeto europeu. E Portugal não pode estar desse lado da barricada!

A forma, pelo menos como a comunicação social tem passado a mensagem, é a apresentar o olhar critico do nosso Presidente da República perante a Grécia, isto é, que estamos a ser muito prejudicados, diretamente, por ajudar a Grécia num momento menos bom da sua história.
Ora, Portugal não pode estar desse lado da barricada porque ainda este ano que passou, terminou um período de assistência financeira, onde a Grécia ajudou também, e quem diz a Grécia, diz a Alemanha, Espanha, Itália, França e outros tantos até 27, porque somos 28 estados-membro que estamos em conjunto no mesmo barco, chamado Comissão Europeia, em prol de um projeto, de uma Europa forte, unida e capaz de se apresentar como uma organização em que os seus países oferecem boas condições, são atrativos, seguros e onde vale realmente a pena viver e apostar.

Acontece que, declarações como estas, se começam a surgir de todos os chefes de estado, acabou o tal projeto. E acaba porque deixa de existir solidariedade. A mensagem está a correr nas redes sociais como uma apresentação de que nós emprestamos diretamente dinheiro aos gregos e que agora não nos querem pagar, que, ao que fazem chegar a Portugal, não é bem assim, até porque o que os gregos pretendem agora é um novo empréstimo, mas sem condicionalismos políticos de políticas de austeridade regressivas para uma economia.

A verdade é que o sistema financeiro está montado de forma interligada, fazendo com que uns Estados auxiliem outros, chegando a um ponto em que todos se ajudam uns aos outros. Sim, porque por exemplo nós estamos a ajudar os alemães, na medida em que eles colocam dinheiro em Portugal e depois vêm buscar com o respectivo juro, por isso, nós não devemos favor nenhum a ninguém.
Sendo também verdade que, e muito por via da falta de coesão económica existente em toda a Europa, Portugal, através do Banco de Portugal, tem títulos da dívida grega, assim como outros estados têm títulos da nossa dívida. Resumindo e concluindo, nós quando vamos aos mercados, é para nacionalizar a favor de outros, dívida nossa.

Por todos estes motivos, e mais alguns que aqui não me quis alongar, um Presidente europeísta que se preze, não faz declarações destas!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Da Grécia para Portugal

Entre a Grécia e o caso Sócrates, as presidenciais.

Na primeira frase deste artigo, abordo 3 temas que têm dominado a atualidade nacional, e apenas o caso Sócrates não tem sido alvo, nem vai ser, de artigos no PNP.

Em relação ao caso Sócrates, apenas dizer que, tal como com os submarinos, tecnoforma, face oculta, BES/GES, entre outros, não faço comentários a casos que estão sob julgamento, quer por via dos tribunais, como pelas comissões de inquérito da Assembleia da República. É urgente deixar as instituições funcionarem, e quem as lidera, serem eficazes e independentes nos seus juízos, e não assistir a julgamentos em praça pública, onde quer se queira quer não, o exagero está sempre presente, em ambos os lados da barricada! Por isso mesmo, e não por ser o Sócrates, porque já o fiz com outros, não comento o caso.

Já em relação à Grécia e às eleições presidenciais, esses dois temas têm frequentemente marcado presença aqui no blog, como aliás, em toda a comunicação social e outros blogs de opinião. E não é para menos. Vamos por partes.

Todos parecem apostar numa saída da Grécia da zona euro. Os "grandes" parecem estar fartos e intolerantes. E até compreendo, colocam tanto dinheiro a mexer para comprar soberania em vez de dívida, e vem alguém dizer basta... não pode ser. Estou, como é óbvio, mas convém frisar, a ser irónico, e estou até a admirar a resistência de cumprimento de palavra para com os seus eleitores de Tsipras. Mas acontece que é o projeto europeu que está em causa, logo, Portugal também está em cheque. E o principal fator pelo qual Portugal está em cheque, é que não somos vistos como os bons alunos, nem muito menos os meninos bonitos que foram resgatados e se portaram bem, como faz querer passar este Governo. 
Não, porque se assim fosse, o trabalho de casa estaria já feito, e não era necessário ainda estarem, já depois do programa de assistência financeira acabar, imporem mais austeridade, nem sequer necessário seria opinarem quanto às nossas políticas macroeconómicas. O que lhes interessaria, seria apenas e só, receber o seu dinheiro de volta. 
Mas não, estão cegos de poder alheio, querem a soberania dos outros. Querem mandar em todos!
Seja como for, o desenrolar da história será interessante, até porque se a exceção de tirar a Grécio do eurogrupo, tirar Portugal já não será exceção, mas sim um procedimento normal e calendarizado como "next",

Quanto às presidenciais, existem fortes rumores de que Guterres estará fora da corrida, fazendo com que o rumor de que António Vitorino seja o candidato do PS ganhe força. Do outro lado, Santana adiou a decisão de candidatar ou não para outubro e existem rumores de que Marcelo ganhou força na corrida. Pois, realmente são demasiados rumores, o melhor será mesmo preocupar-mo-nos com o essencial, apresentar políticas para os problemas concretos. E quanto a eleições, temos uma legislativas pela frente em que será necessário tirar a direita do Governo e dar condições ao Partido Socialista de António Costa de governar. Aí, e só aí, o assunto presidenciais deverá vir para cima da mesa, até porque, quem vencer as legislativas, é que irá conduzir e marcar ritmo nas presidenciais.
A escolha dos candidatos para janeiro próximo, não deverá ser carta na manga nem tema de debate para setembro/outubro.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A irreverência grega

Eu queria fugir ao tema da Grécia, mas é impossível, pois tanta coisa há a dizer...

Em primeiro lugar, não sei se repararam, mas hoje é o terceiro dia de Governo na Grécia, Governo esse que é de coligação. E as eleições foram no domingo!!! De domingo a quinta feira, na Grécia, houve tempo para se votar, festejar, entrar em coligação, tomar posse e já viver o terceiro dia de Governo. 
Se calhar, já era altura de em Portugal se encurtarem prazos, é que cada vez que vamos a eleições, demora cerca de 1 mês ou mais a que o Governo tome posse. Podíamos aplicar algum benchmarking. Até porque, sermos parecidos com os gregos em alguma coisa não é assim tão mau como nos fazem querer crer.

Adiante, esta rapidez acima descrita vai ao ponto de já haver um programa de Governo, ou uma intenção de plano de Governo, e que está a dar muito que falar. Rutura com a Europa, parece ser o remédio santo! Ao ponto de hoje, Martin Schulz, ex-candidato à Comissão Europeia e tido como candidato e mesmo como político europeu próximo e amigo dos países do sul da Europa, ou seja, Portugal, Espanha, Grécia e Itália, e não sendo do sul, mas tendo sido resgatado, da Irlanda também. Ora estava eu a dizer que Schulz foi hoje à Grécia para pedir a Tsipras que não diga não a tudo, isto segundo este artigo do Observador.

Segundo este mesmo artigo, parece que os russos estão dispostos a apoiar a Grécia nas suas medidas, entenda-se apoio, financiamento. 

Ou seja, temos aqui uma situação de clara complexidade para as instituições do velho continente. Um dos países que mais contribuiu para o desenvolvimento da humanidade e da civilização, está em rutura com o continente, e com as suas instituições, que supostamente é ambicionado por todos.
Atenção que eu sou um europeísta, mas isso não me leva a acreditar cegamente nas suas instituições, até porque estas são aquilo o que os seus líderes as fizerem, e neste momento, a Europa está a afundar-se. Contudo, e com a "bazuca" de Dragi e com o plano Juncker, a luz ao fundo do túnel aparece de novo.

Por falar em "bazuca" de Dragi, que concordo, pois só com uma envolvência deste nível é que a Europa caminhará no rumo certo para a integração. Este instrumento financeiro, serviria para "aniquilar" qualquer intenção grega de se desfazer ou virar as costas às instituições europeias. Pois bem, ao que parece, nem isso faz demover as convicções e o Syriza vai mesmo causar estragos maiores aqueles que queriam meninos bem comportados. Os gregos vão ser, uma vez mais, os irreverentes que quebram com os protocolos e que levam a sua ideia avante!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Tanto mais é o que os une, do que aquilo o que os separa!

Como todos sabem, pelos mais distintos meios (até por videos virais de José Rodrigues dos Santos), o Syriza, tal como se previa, venceu as eleições na Grécia.

Até aqui, nada de surpresa, a não ser o facto de se evitar a surpresa e Samaras continuar no Governo. A esquerda, a extrema-esquerda venceu, Parabéns!

Ora, a nós que somos portugueses, o que nos interessa realmente é, em primeiro lugar, saber se os gregos, cidadãos europeus como nós, vivem em condições dignas, com a qualidade de vida necessária e as merecidas oportunidades. Esta será sempre uma miragem, pois queremos sempre mais.
Outro ponto que nos interessa, é o facto de sabermos se a Grécia, e as suas instituições de representação, são ou não responsáveis no contexto europeu. Com isto quero dizer, em relação à divida, que todos somos credores, a vão ou não pagar. Porque hoje todos dizemos que defendemos os gregos e os seus direitos, mas se as atitudes destes tiverem repercussões negativas nas nossas vidas, muitos murarão de opinião, de certeza.

Pois bem, cá eu acho que os gregos fizeram aquilo que tinham de fazer, e aquilo que muitos outros sentem vontade de o fazer, que não é mais do que romper com o que lhes é imposto, nomeadamente medidas de austeridade gravosas no que toca a qualidade de vida e direitos outrora adquiridos.
A questão é que o radicalismo não é saudável e deve ser evitado. A verdade é que Tsipras tem agora uma excelente oportunidade de mostrar às "grandes instituições europeias" que é possível governar em tempos de crise como o que vivemos, sem se aplicar esta receita milagrosa do empobrecimento e da desvalorização salarial.
Um verdadeiro Governo de esquerda, honra os seus compromissos, ou se não conseguir, tenta renegociar de forma a nunca ficar em falta, e ao mesmo tempo, coloca o ser humano no cerne da questão política.

No entanto, o Syriza precisou de menos de uma hora para fazer coligação com um partido de direita, os Independentes Gregos. A única coisa que os junta, é serem anti-austeridade e anti-troika. Poderíamos dizer que chega para o sucesso de um Governo, mas a política não passa apenas pela economia nem a economia passa apenas pela politica de austeridade ou expansionista e pelas instituições locais ou internacionais. A política na Grécia, passará muito pelos gregos, e se a instabilidade continuar, eles irão de novo romper!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Da Grécia, pelo bem ou pelo mal.

Antes demais, quero pedir desculpa ao leitor habitual, que tem, desde este inicio de ano, contado com artigos às segundas e quintas. Acontece que passa já um pouco da meia noite, e por isso é já sexta feira, mas é por pouco que não cheguei a tempo. Seja como for, fica aqui registado o pedido de desculpas pelo atraso. É um compromisso meu para com vocês, e devo respeitá-lo!

O artigo de hoje será sobre as eleições na Grécia.
Sim, a instabilidade governativa na Grécia não parece ter fim, ou pode agora ganhar um outro fim, porém menos agradável, ou mais sorridente. Veremos.

Domingo, os gregos são chamados à urna, e tudo indica, irão eleger o Syriza, partido de extrema esquerda. Como tal, defendem, ou pelo menos já defenderam, a saída do euro, o romper com o programa e o chamado "não pagamos".
Digo que pelo menos já defenderam, uma vez que nos últimos dias tenho visto alguns artigos jornalísticos, em que relatam a intenção de, em caso de vitória, Alexis Tsipras, futuro primeiro-ministro grego (à priori) não ter intenção de afastar a Grécia da moeda única. Talvez eleitoralismo para ir buscar votos ao centro esquerda.

No entanto, não é sobre a Grécia que hoje vou debruçar, mas sim os efeitos que estas eleições poderão ter. Em Portugal, principalmente.

O partido em Portugal que mais se identifica com o Syriza é o Bloco de Esquerda (que aliás, se identifica com todos, só não sabemos a sua verdadeira identidade). Isto significa que, tal como ouvi na rádio hoje, só se todas as sondagens estiverem erradas é que o Syriza não ganha, o Bloco terá finalmente um exemplar de amostra. Ora, isso em si pode ser óptimo, ou nem por isso.
Recordam-se quando o PS liderado por Seguro se apoiava em Hollande como bandeira anti-austeridade? Hollande venceu, nada mudou nas nossas vidas, muito menos na retórica política nacional, nem europeia sequer. Por isso, é necessário esperar para ver se este domingo dará ou não uns votos ao BE de... 6 líderes. Enfim, adiante.

Concordo totalmente com o professor Manuel Caldeira Cabral quando diz, em entrevista ao Observador, que se as coisas melhorarem a partir de agora, será por culpa de o Syriza ir para o poder. Essa será uma retórica que facilmente vai ser aplicada em Portugal. Espero que não o seja pela mão do PS. Gostaria, e acredito que virá a ter, um caminho próprio.
Muitas coisas já estão a ser feitas hoje em dia, e as eleições são apenas no domingo. Para adiantar podemos falar quer do acordo de hoje, em que Dragi anunciou a compra das dívidas publicas dos Estados-Membro. Outro aspeto que podemos salientar, é o facto de estar a ser preparado o programa de financiamento que Juncker quer implementar, que contará com cerca de 315 mil milhões de euros.

Concluindo, teremos portanto no domingo umas eleições que vão dar tempo para o BE ganhar pontos, e a esquerda em geral, para as eleições deste ano, ou, caso contrário e Tsipras desiluda, adotando uma perigosa postura de anti-europa, a maioria de Governo PSD/CDS pode piscar o olho a uns quantos votos. Certamente será um excelente ano de leituras políticas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Comparações com a Grécia...outra vez

Uma comparação que parece ser incontornável.
Em 2011, era sucessivamente capa de jornal as declarações e pretensões do Governo em não comparar Portugal à Grécia. Todos em Portugal queríamos essa não comparação, pois a Grécia era vista como muito má aluna, digamos assim, e Passos Coelho estava decidido em tornar Portugal no menino bonito da Europa.

Ora, acontece que, a parte em que o objetivo era evitar essa comparação incontornável, e em que se passou até, a querer comparar Portugal à Irlanda, outra comparação que, a meu ver, não pode ser feita, pois os meios são muito diferentes, apesar do fim ter sido idêntico.

Quem ouvir a mensagem de ano novo do Presidente da República, não só fica com a sensação de déjà vu, pois Cavaco Silva tem-se repetido ano após ano, mas podemos verificar também o medo/receio de que Portugal se possa tornar numa Grécia, um país ingovernável.

Publicado hoje, o artigo de opinião de Rui Ramos, no Observador, intitulado de "A Grécia em português", dá nota desta comparação acima referida, em que a perspetiva apresentada se baseia em que com legislativas a aproximarem-se, de onde poderá não sair uma maioria absoluta e com um PR que será substituído no espaço de um ano, Portugal poderá tornar-se facilmente num caso idêntico ao Grego. Aconselho leitura.

Acontece que, a perspetiva que aqui estou a apresentar é a de que, tal como em muitas outras matérias, este Governo vê as suas intenções não corresponderem à verdade, dito simpaticamente.
Também através do Observador, e desta vez através da newsletter, que recomendo, de David Dinis, a 360º, dei conta de que, o ir além da Troika, levou o Governo a despedir o dobro (80 mil) funcionários públicos do que o previsto no memorando e viu o número de doentes que tomam a cara medicação da hepatite C reduzida em metade (70 pessoas, apenas).

Para finalizar, concluo que, para devaneio deste executivo, a intenção de não ser comparado à Grécia foi aquém do esperado. E o mais surpreendente é que, foi o seu maior aliado ( o PR) levantar o véu!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O dia em que tudo ia acontecer



Como todos sabemos, hoje é dia 23 de Setembro, dia em que, segundo Vítor Gaspar, iríamos hoje voltar aos mercados. Mas não aconteceu nada disso.

No dia em que iríamos regressar aos mercados, fala-se num segundo resgate iminente para Portugal. Cada vez estamos mais distantes da Irlanda, e mais próximos da Grécia. E pior, as agências de rating insistem em chamar-nos lixo.
Os juros, à bem pouco tempo, estavam acima dos 7%, taxa que como recordamos, segundo Teixeira dos Santos, é o máximo que um país consegue suportar, ou seja, 2 anos depois, e com muito empobrecimento conquistado, estamos acima do suportável na mesma.

Mas mais curioso de Pedro Passos Coelho ter falhado em toda a linha a sua política de austeridade, depois de 2 anos de sacrifícios que parecem ter sido em vão, vemos o Primeiro-Ministro a assumir, publicamente a necessidade de segundo resgate, o Vice-Primeiro-Ministro a dizer que saímos  do fundo, e que não lá voltaremos mais, e ainda o líder da oposição a discutir quem tem a culpa desta nova necessidade financeira.

Só mesmo Portugal. Faz lembrar uma casa a arder, e a discussão em vez de ser como apagar o fogo, ser que cor se vai pintar a casa depois de re-construída!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

As contas da Grécia

Acabo de ler no "ionline" que a Troika e o Governo grego acordaram em cortar cerca de 11,6 mil milhões de euros nos próximos dois anos!

A formula ainda não é conhecida, mas não deverá ser muito longe de uma palavra que tem assombrado toda a europa, austeridade! Segundo o artigo, deverão ser cortados salários aos funcionários públicos e uma outra vertente afectada será na saúde!
Ou seja, mais do mesmo! A Grécia está à cinco anos em recessão, teve já dois pacotes de ajuda externa, várias medidas de austeridade, eleições com resultados particularmente interessantes de avaliar e o que a Troika e o Governo pretendem é continuar com a austeridade excessiva que tem vindo a destruir as economias europeias. 


Isto não se passa só na Grécia mas também nos países mais frágeis, como Irlanda (que já se encontra em recuperação) , Espanha ( que a cada dia que passa está mais próximo do abismo ) , Portugal ( a cumprir à risca o programa de ajustamento, e os efeitos estão muito aquém do esperado) e também Itália ( que está a ser segurada pelas pontas, pois em caso de necessidade de ajuda não deverá haver forma de o fazer ) . Daqui podemos concluir que a austeridade não é solução para a actual crise, pelo que proponho que a UE faça uma cimeira realmente conclusiva e que as conclusões que de lá advenham sejam produtivas. 
Entre outras medidas que poderiam ser solução, e a haver cortes que são necessários, aumentos de impostos sim, mas não da forma como estão a ser feitos, não sobre o consumo mas sim deverão incidir sobre os rendimentos. Os que têm rendimentos superiores à media nacional, pagarem mais de contribuição, ou seja, progressivamente. Os cortes de grande escala serem nas obras públicas e não na educação e saúde.