terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A verdade é esta...



Tal como tenho vindo a defender à uns tempos para cá, e como até Manuela Ferreira Leite o disse na semana passada, os resultados da receita de austeridade imposta podem até a não estar a ser maus, mas a forma como a eles chegamos é que é demasiado duvidosa de sucesso...

Teixeira dos Santos defendeu o mesmo este ano, no clube dos pensadores, o mesmo em que no ano passado Miguel Relvas revelou que não sabia a letra da Grândola, vila morena, o ex-ministro da finanças disse o que é óbvio para quem percebe minimamente de finanças públicas: que a descida do défice de 5,8 para 5,2 num ano, à custa de aumento de impostos, não é grande feito. E não o é de facto!

Mais, disse mesmo que seria possível chegar a esta acalmia dos mercados sem que os portugueses estivessem a passar pelo que estão obrigados a fazê-lo... mas enfim, em nome da austeridade, tudo!

A verdade é que a austeridade não está provada em lado algum que tem sucesso. É uma mera teoria daqueles que pretendem atirar abaixo o keynesianismo e assim levar a cabo as teorias liberais. E quem melhor do que a dupla Passos Portas para o fazer em Portugal?

Os números estão a começar a aparecer, e não podemos dizer que é mau, porque não o é. No entanto, temos de ver como a eles chegamos, e se a receita é expulsar os novos qualificados, e explorar os idosos e doentes, não alinho em me juntar à festa. 

Para terminar, apenas lembrar que, segundo me consta, no tempo de Salazar os cofres estavam cheios, mas à custa de explorar colónias, o povo português não podia falar e a fome não era assim tão pouca quanto isso... Lembrem-se disto!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Vergonhoso



O que se anda a passar em Portugal, é vergonhoso. Claramente vergonhoso.

Para além de deixar ficar mal o nosso parlamento, também os partidos saem feridos...
O que me leva a fazer esta afirmação, foi o triste episódio do final desta semana, em que o PSD, a votar sozinho a favor, aprova o referendo quanto à possibilidade de adopção e co-adopção por casais homossexuais.

Acho vergonhoso que o PSD, nomeadamente a JSD o tenham proposto. Acho vergonhoso que o grupo parlamentar do PSD o tenha aprovado, principalmente por ter sido com disciplina de voto. Isso só fez com que quem não quisesse cumprir, faltasse e chegou mesmo a haver demissão! Acho vergonhoso que o CDS se tenha abstido... Enfim, um dia menos bom.

O PSD ter feito uma coisa, e o CDS outra, já é habitual, bem como a divisão na coligação.
No entanto, a coligação parece de facto mais forte, com o CDS a evitar chatices ao abster-se e não a votar contra.

Mas prefiro recordar o que Passos Coelho tinha dito quando ainda era oposição, é que a adopção não deveria depender da orientação sexual, mas sim das condições que os pretendentes de o fazer reunissem. Totalmente de acordo Sr. Primeiro-Ministro, mas tomar isso em conta hoje em dia, seria bastante melhor para uma sociedade mais equitativa e justa... Não acha?

Tal como João Torres disse, e eu subscrevo, "os direitos humanos não se referendam!"

Para vermos a nossa situação, de forma muito simples e comparando-a a outros países, como a França que autorizou no passado ano a existência de casamentos homossexuais, e que, como dei conta no dia 23 de Abril aqui no PNP: "permite necessariamente a adopção por parte deste casal".

Está mais do que na hora de as pessoas acordarem, e verem que por detrás destas decisões "muito democráticas", pode estar o esconderijo de muitas medidas, leis que não interessa sequer saber que estão a entrar em vigor, agradar um grupo económico ou outro... enfim. Acordem!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Estamos de acordo



Pires de Lima até nao está mal cotado na minha consideração, principalmente tendo em conta o grupo em que esta inserido, mas apenas hoje parei para pensar no que ele está a fazer no Governo, e eis que chego à mesma conclusão que ele, notoriamente, já chegou e não foi apenas hoje!

O que me levou a pensar no seu papel no Governo foi a sua entrevista hoje ao jornal público, que vale a pena ler.

A conclusão da qual os dois partilhamos é da sua inutilidade no Governo... Sim, inutilidade. O próprio já se apercebeu de que nao está no Governo a fazer rigorosamente nada senão um favor a alguém, nomeadamente Paulo Portas que sempre sonhou com aquela área, e que criou uma crise política que só agora estamos a recuperar no mercado para que fosse atribuída esta pasta ao CDS. E conseguiu...

Porque é que eu digo que nao está lá a fazer nada? Porque apesar do desemprego estar a baixar, o próprio, logo no dia seguinte a tomar posse, atribuiu os louros ao antecessor Álvaro Pereira, e ainda continua. Não conseguiu convencer os colegas a que fosse baixado o IVA da restauração, quando há estudos que o defendem, estudos estes a pedido do Governo e também porque ainda nao conseguiu colocar de forma decisiva na agenda política a possibilidade de se aumentar o salário mínimo. Ou seja, tudo somado dá zero.

Mas nao se fica por aqui... Ele está a ser uma moleta de Paulo Portas até porque tentar lançá-lo para a corrida a Belém, espero que nao passe de mera estratégia de marketing para se vender o jornal com esta manchete. Sim, porque seria mesmo muito mau, como estamos a poder ver o homem com poder.

Para finalizar, dar conta de que o próprio Pires de Lima esta a fazer um frete, até porque, já sabe quando sairá, "depois de Outubro de 2015" para voltar à vida empresarial, onde "se sente em casa". 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Greve do lixo em Lisboa



Já muita tinta correu nos jornais e muito incomodou os lisboetas esta greve do STML - Sindicato de Trabalhadores Municipais de Lisboa, devido à reorganização administrativa na capital.

Ainda não foi normalizada a situação, até porque o Presidente da Câmara, António Costa admitiu isso mesmo, que seria apenas no dia 10 deste mês que tudo ficaria normal na cidade.
Mas o que me faz escrever, não é apenas e só a greve em si.

No dia 2 de Janeiro, depois de no jornal "i", no habitual semáforo colocar no vermelho Vítor Reis, presidente do STML, por este "saber desde o início que nunca esteve em causa a transferência da recolha de lixo para as freguesias, mas isso não o impediu de transformar Lisboa numa lixeira a céu aberto", já me tinha dado vontade de expressar, mas depois de na edição fim-de-semana deste mesmo jornal, ler que Duarte Marques propõe que seja despejado lixo à porta da sede do Partido Socialista, da casa de António Costa ou da Fundação Mário Soares, não consegui ficar "calado".

Não vou aqui propor que o mesmo seja feito para S. Bento ou Belém, porque isso não resolve nada e não faz com que os problemas de ameaça da saúde pública possam ser resolvidos, vou recomendar a Duarte Marques mais cautela com o que deseja, uma vez que de hoje para amanhã as coisas mudam de figura.

Mas vou dar uma outra recomendação ao próprio deputado do PSD e ex-presidente da JSD, que leia o artigo de opinião de João Miguel Tavares ao "Público" no dia 2 também, onde fala de greves desnecessárias e também que atente às acções dos funcionários das freguesias de Estrela e Arroios, onde se verificará que eles próprios vão efectuar a recolha de lixo, não sendo da sua competência, mas pelo maior interesse dos seus cidadãos. Por aqui se vê a abertura das freguesias à reorganização administrativa, que aliás, foi aprovada pela Câmara no mandato 2009/13 em coligação PS/PSD, na Assembleia da República pelo PS/PSD/CDS e mais, foi escrutinada pelos lisboetas no passado dia 29 de Setembro, com uma maioria absoluta! 

Para finalizar, apenas salientar que, para quem defende como deveria acontecer, um partido democrático deve sempre apelar e fomentar a descentralização... mas não me parece que seja esta a linha de pensamento de Duarte Marques.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boas entradas



O ano de 2013 foi sobretudo, um ano atípico.

Pessoalmente, foi um ano com marcos importantes de que fiz questão de ir partilhando com vocês (leitores do PNP).
Quem me conhece, ou pelo menos teve a curiosidade de escrutinar um pouco aquilo que torno público sobre a minha pessoa, sabe que foi um ano bom, não me posso queixar. Fui eleito presidente do CEAP, fui promovido na junior empresa YME para director recursos humanos, academicamente acompanhou também a tendência.
Espero que 2014 traga tanto de bom como este ano me ofereceu.

Mas houve um aspecto que alterou muito do meu dia-a-dia, falo claro do PNP e da sua ascensão. Quando este ano começou, contava com cerca de 1000 visitas, actualmente, são já mais de 8500 as visitas que o blog teve! Tudo isto, graças a vocês que têm seguido aquilo que tenho escrito. Aproveito já para agradecer esse facto.

Quanto ao que se foi passando, os grandes eventos, as grandes alterações quer politicas quer sociais, são relatadas hoje em dia por todos os media, tornando assim escusado que o faça também.

Gostaria apenas de salientar que, o próximo ano irá começar mais pobre do que este, pelo facto de um dos símbolos da liberdade ter adormecido eternamente, Nelson Mandela claro está. Aproveito a deixa para apelar desde já ao voto, para exercerem o direito que a democracia confere, nas eleições europeias em maio.

Mas a simpatia que tenho por vocês não se fica por um obrigado, mas antes pela promessa de continuar a escrever para que possam continuar a ler o PNP, o mais actualizado possível.

Bom 2014 a todos, cheio de projectos e actividades.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Como é que se explica?



Cada vez mais, estamos mais baralhados... Afinal, o programa está a resultar ou está a ser um redondo falhanço?  O Governo português é um bom ou mau aluno? 2013 foi o ano em que as contas se endireitaram ou isso é só para o próximo ano? Por onde podemos realmente ver se estamos a melhorar ou piorar?

Enfim, poderia colocar muitas mais questões, que por muitos dias que passem, não encontraremos respostas claras e fáceis.
A meu ver, e pela qualidade de vida das pessoas, e não por meras estatísticas que são elaboradas num gabinete algures.

Ontem, foram divulgados novos valores pelo INE que nos indicam o seguinte: o "enorme aumento de impostos", apenas nos fizeram recuar 0.2 % do défice. Mais uma pergunta surge, é bom ou muito pouco?

Mas não vou entrar em pormenores técnicos, até porque é fácil justificar, basta cada vez mais pessoas estarem dependentes do Estado pelo subsídio de desemprego ou outros meios, outro argumento é quem está na idade activa ir para o estrangeiro, enfim, ainda mais motivos podemos argumentar...

Mas o que me leva a escrever este artigo é a reacção que tive quando vi a notícia: como é que se explica ao cidadão comum, ao contribuinte que cada vez mais desconta, ao funcionário público que cada vez mais trabalho por um preço cada vez mais barato, ao pensionista e reformado, que hoje não tem o que lhe foi prometido, enfim, a todos em geral, como é que se explica que cada vez mais o cinto está mais apertado, e não vemos melhorias significativas. 
Cada vez mais acredito nas últimas declarações de Mário Soares quando afirma que o povo está saturado e pode-se revoltar. Basta olharmos para a AR, que tem deixado de ser o local de debate construtivo deste país por causa das ideologias desta maioria, e tem dado lugar a um palco de contestação.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A oeste, mais do mesmo



Esta noite, numa entrevista concedida à TVI/TSF, Pedro Passos Coelho disse que o Governo não precisa do PS para negociar o programa cautelar, por ter legitimada para o fazer sozinho. 
Eu até admito que sim, que seja verdade, outrora (na data das eleições e até pouco mais à frente) tinha a confiança dos portugueses, mas isso hoje não se verifica. Porém, o mandato do Governo é de 4 anos, e este goza de uma maioria absoluta, por isso, em termos teóricos não deixa de ser verdade e pode realmente fazê-lo.
O que a meu ver até pode não ser mau de todo. Todos nós sabemos, e todos nós nos recordamos que o Governo muitas vezes "vai além da troika", como o próprio Passos Coelho o dizia no início do seu mandato. Quer isto dizer que até poderia ser benéfico para os portugueses não ficarem completamente entregues a este executivo.

Nos últimos meses, têm-se multiplicado as declarações a afirmarem que este programa foi mal desenhado e que houveram grandes erros de previsão. O nosso Primeiro-Ministro até tem compactuado e ele próprio diz que está mal calibrado. Mas há um grande problema, enquanto todos reconhecem ser um programa com demasiada austeridade, o líder do PSD dá a entender que ainda quer mais.

Entre um programa cautelar e um segundo resgate, prefiro a primeira hipótese claro, mas entre o programa cautelar e ter tido um Governo competente, já prefiro o segundo!

Tal como Manuela Ferreira Leite, também não consigo associar a palavra sucesso a esta execução do entendimento. Tenho-o feito sempre que existe uma nova avaliação em que dá nota positiva, aponta graves erros na execução e consequentemente atribui nova tranche de verbas. A ex líder do PSD diz mesmo que o sucesso não se vê pelos objectivos atingidos nem pelas consequências não serem trágicas, mas sim pelos resultados que as políticas produzem, e estes resultados não são bons.

Já os partidos mais à esquerda do espectro político português criticam a entrevista, dizendo que o PM passou à margem da dureza do dia-a-dia dos seu povo (Bloco de Esquerda) e também que não tem governado para os portugueses mas sim para os mercados e interesses financeiro (PCP).