Ontem, o Partido Socialista conseguiu uma importante vitória no arquipélago dos Açores, a sexta consecutiva, a quinta maioria absoluta, também consecutiva.
Muito se poderá dizer a favor e contra a existências de maiorias absolutas, que fortalecem do ponto de vista estratégico as regiões porque são implementados planos e continuados até ao seu fim, mas também se poderá dizer que acaba com o tempo por limitar a participação na democracia quer de outros partidos e movimentos, mas também de outros dos cidadãos quando são chamados às urnas.
Ora, mas vivemos em democracia, e como tal, todos os votos contam, e quem fica em casa, acaba por deixar os outros decidirem, sempre assim foi, sempre assim será, e não é por causa dos elevados níveis de abstenção terem, possessível, beneficiado o PS (até porque pode não ter beneficiado) que direi o contrário. Antes de avançar, gostaria de esclarecer que, a abstenção pode não ter beneficiado o PS na medida em que a abstenção que se verificou nos Açores poderá estar mais diretamente relacionada com o facto de as sondagens darem quase como garantia a renovação da maioria absoluta como também um possível aumento dessa maioria, o que faz com que alguns eleitores não vote por sentir que não faria a diferença.
Não obstante, para além da nova maioria absoluta que o PS conquistou, podemos olhar para os resultados com olhos analíticos e verificar que o CDS e o Bloco de Esquerda acabam também por ver reforçadas as suas votações e representação em número de deputados. O que é bom, principalmente do ponto de vista democrático e da sua participação, acaba assim por manter-se um equilíbrio, importante, na região autónoma, onde a perda dos deputados por parte do PS e do PSD não significa em si a tendência nem à direita nem à esquerda.
Mas no título do artigo falo em sondagens. Os leitores mais atentos do PNP sabem que sou bastante céptico e prudente em relação a sondagens, acho-as altamente duvidosas e ao mesmo tempo altamente extraordinárias, eu sei que é uma incoerência, mas não deixa de ser verdade.
Porém, ontem ao início da noite, quando os votos começavam a ser contados, as chamadas sondagens à boca das urnas, as ditas mais fiáveis, dava um reforço da maioria do PS, ora, acontece que esse reforço não aconteceu e chegou mesmo a perder um deputado. Este episódio, somado principalmente às sondagens nas eleições britânicas, mantém o meu pé atrás em relação a estes estudos.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
De K(C)ristalina não tem nada!
1) Relativo a cristal;
2) Que tem a natureza do cristal;
3) Límpido como cristal;
Segundo o Priberam, o adjetivo cristalino, no feminino cristalina, tem os 3 significados acima transcritos.
Vem isto a propósito do nome da candidata última hora à ONU, a bulgara Kristalina Georgieva.
Ora, não sendo uma candidatura que tenha sido anunciada atempadamente, como as outras, que não foi a nenhuma das exposições públicas, como as outras e que não é verdadeiramente uma candidatura de um país, no caso a Bulgária, até porque já há outra candidata deste país, podemos concluir com relativa facilidade que a palavra cristalina e o nome Kristalina muito pouco têm em comum!
Eu não falo da pessoa em si, somente, mas sim da candidatura. Escuso estar a fazer uma pesquisa última hora para saber a pormenor quem é a dita senhora. Para mim, de última hora já chega a candidatura que ela protagoniza.
Como dizia, esta candidatura não é a candidatura da Bulgária, mas sim uma candidatura que vem do seio da União Europeia, das instituições e de quem nelas lidera, ou melhor, manda. Kristalina é vice-presidente da Comissão Europeia, e vai durante este mês de outubro tirar uma licença sem vencimento para se poder dedicar exclusivamente à candidatura. A fundamentação para essa licença, por parte de Juncker, é para que haja uma total transparência entre o cargo assumido e a candidatura, ou seja, uma separação das duas funções. Mas, podemos ainda falar em transparência? Juncker esteve muito mal, está a ombrear seriamente com Durão Barroso.
O que está a acontecer é legal? Sim, é. Mas é ético? Não, e vai contra todos os esforços que têm sido feitos no escrutínio dos candidatos com a intenção de que este tipo de episódios, habituais, não se repitam. Mas tal como Ricardo Costa escreveu hoje no expresso curto: "É justo? Não, mas é o que é."
Vejamos realmente de onde esta candidatura aparece e as suas potencialidades.
Merkel, na última reunião do G20, manifestou o desejo de se trocarem as candidatas bulgaras, Bokova por Kristalina. Uma ideia aliás partilhada também por Juncker que tinha já dito estar disponível para abdicar de um dos seus braços-direitos em prol de tal candidatura. Esta candidatura é também o desejo da maior família no Parlamento Europeu, ou seja, do PPE, que fazem parte o PSD e o CDS-PP.
É aqui que entra o, geralmente, vilão que pode agora salvar Guterres de perder no último suspiro. Putin, quando ouviu Merkel falar-lhe no assunto, disse não concordar e não apoiar, mostrou-se contra essa candidatura. Ora, temos dois cenários possíveis, ou ele fez encenação e apoiará agora na derradeira hora a bulgara, ou votará em Guterres ou pelo menos, permitirá que este seja o Secretário-Geral da ONU.
Putin pode ser assim tão decisivo? Pode, porque são 5 os países que têm maior peso (coisas do tempo da grande guerra ainda), mas essencialmente 3 países, os EUA, Rússia e China, para completar os 5 temos o Reino Unido e a França. Merkel não entra então neste xadrez, mas já fez a sua parte ao fazer com que esta candidatura aparecesse à última hora.
Porém, e por ser efetivamente uma candidatura que não passou em crivo nenhum, nenhuma votação nem audição, tem tudo para cair mal em Nova Iorque, onde se tem feito um esforço enorme em nome da transparência, e esta jogada europeia, sim porque para todos os efeitos esta é uma jogada europeia, pode muito bem cair mal nas hostes americanas.
Relembrar apenas que, esta candidatura poderia fazer mais sentido se o cenário fosse de empate entre Guterres e outro candidato já conhecido, aí sim, um terceiro nome unificador para desempatar a nomeação, acontece que Guterres está isolado e a necessidade de um terceiro nome não é assim tão urgente, e mais a mais, Guterres tem mostrado excelentes performances. Para explicar melhor este último paragrafo, lembram-se de Durão Barroso na CE? É exatamente isso, estava empatado e Durão foi o nome unificador para resolver o desempate.
Para terminar, faço do comentário de Guterres quando soube da candidatura de Kristalina o meu comentário: "No comments".
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Debate americano: Hillary vs Trump
Nas últimas eleições legislativas em Portugal, a diferença entre os dois principais candidatos a Primeiro-Ministro (apesar das eleições elegerem deputados e não o Primeiro-Ministro), eram abismais. Mais do que nunca, a diferença entre os dois líderes dos principais partidos era verdadeiramente significante.
Para o provar, temos a comparação entre 4 anos de governação de um e quase um ano de governação do outro. É diferente não é?
Pois bem, essa diferença vem a propósito do debate desta madrugada entre Hillary Cinton e Donald Trump. Foi como preto e branco, água e vinho... foi abismal a diferença entre o candidato republicano e a candidata democrata.
O debate foi dividido em 3 partes, e começou logo com crescimento económico e rapidamente se falou em empregos e acordos comerciais. Era naturalmente o campo mais confortável para Trump que é um homem de negócios e creio que tinha como estratégia para o debate, serenar a sua postura, uma postura mais presidenciavel, e durante alguns minutos conseguiu. Agora, só tenho dúvida quanto ao motivo pelo qual a deixou de ter, sendo certo que verdadeiramente não a demonstrou ter naturalemtne e principalmente frente a Hillary Clinton, que se apresentou como era de esperar, calma, serena e preparada, ou seja, como aquela aluna que se senta na fila da frente nas aulas e está preparada para tirar um 20 num teste surpresa a qualquer altura.
Antes do debate, muitos especulavam quanto à postura que Trump, ou Donald como Cinton o chamou durante o debate. A propósito da forma como ambos se relacionaram durante o debate, Hillary chamou-o sempre de Donald, o que estrategicamente foi inteligente porque acabou por dividir a atenção nos media e criar o pequenino problema de identificação do candidato, Donald ou Trump? Ele, foi igualmente inteligente, que perguntou se Secretária Hillary estava bem, e ela acenou que sim. Desta forma, ele colou-a inevitavelmente às últimas governações, mas ao mesmo tempo, resalvou o lado mais forte da candidata, a experiência e passado político.
Voltando a postura que Trump iria adotar e efetivamente adotou, foi ele mesmo. Porem, não tão radical, mas também não mostrou ser um presidente desejável pelo mundo inteiro. E a verdade é que apenas os americanos escolherão o seu Presidente. Ele mostrou ter orgulho em ser um "esperto", principalmente quando Hillary o afirmou que ele não tem pago os impostos que deveria e ele disse "isso só revela esperteza da minha parte". Nitidamente, ele é o candidato popular dos descontentes, é aquele candidato que representa quem tem sido afetado pelas últimas governações, pelo politicamente correto.
Desta vez, nas urnas, notar-se-à se são mais os descontentes com o sistema ou aqueles que querem que este continue como está.
Tal como em Portugal, a escolha nunca esteve tão facilitada.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Mortágua e a Casa dos Segredos
Duas situações bem distintas têm incendiado as redes sociais. Mariana Mortágua com o IMM (Imposto Mariana Mortágua) ou o "Saque Mortágua", como preferirem, já chegamos a tudo neste país. Eu prefiro escolhe a via do Imposto sobre o Património acima dos 500 mil euros, e ainda não é certo que o seja. A outra situação tem sido um concorrente à nova edição da Casa dos Segredos que é dirigente da JSD.
Comecemos pelas senhoras primeiro.
Foram muitos os que se insurgiram já contra o novo imposto, ou a pretensão de imposto, porque a lei onde ele estará inscrito (Orçamento de Estado) ainda nem foi apresentada. A verdade é que, ao que parece, este Governo, que naturalmente tem grupos de trabalhjo para defenir as políticas que estarão inseridas no, porventura, mais importante documento a elaborar, e que, por via dos acordos que seguram este Governo, esses grupos de trabalho contem com elementos quer do Bloco de Esquerda, como do PCP.
Numa iniciativa do PS, na rentrée precisamente, Mariana Mortágua foi convidada como oradora e anunciou a intensão de criar um imposto sobre o património acima dos 500 mil euros. Sendo ainda uma medida a estudar para mais tarde apresentar. Entre as variáveis que poderão ainda sofrer alterações, temos o valor em si. Mas vejamos, sendo que a expressão classe média é muito vaga, e que depende de diferentes factores e realidades (um habitante em Portugal com um salário líquido mensal de 1500€ poderá ser considerado classe média no nosso país mas, porventura, poderá com o mesmo valor ser considerado rico em alguns países e pobre noutros, mas adiante), possuir de um património acida dos 500 mil euros, meio milhão, penso que não estará ao alcance de qualquer um de nós. Digo eu.
Mas para mim nem é tanto a criação desse imposto que me faz moça, porque a ir buscar dinheiro é a quem o tem e não aos mais desfavorecidos. O que me faz refletir é os termos em que ele foi anunciado. Ora, num momento em que ainda está a ser preparado o OE? Nem é ninguém do Ministério das Finanças a anunciar? Nem do Governo? Nem do partido que está no Governo? Hum... algo não bate certo.
Em entrevista à TSF, o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares já veio dizer que Mariana Mortágua seguiu as opções mediáticas da comunicação do Governo, que não foi sem querer que o disse. E vejamos, a deputada bloquista ia a uma rentrée do PS atrever-se a anunciar tal medida, de surpresa? Não me acredito muito, mas tudo bem.
Conclusão. Só se fala de Mariana Mortágua e do Bloco... Alguém sabe do PCP e de Jerónimo de Sousa? Pois, eu também não.
Ora, a segunda situação refere-se a Paulo Teixeira. Já ouviu falar? Não, então prepare-se porque vai ouvir.
A mim ninguém me tira da cabeça que o líder da JSD do Marco de Canaveses foi para aquele reality show por uma questão de visibilidade pública.
Entou num programa que por norma, tem mais candidatos do que o número de candidatos ao ensino superior, e isso sim, choca-me, muito mais do que serem abrangidas cerca de 8 mil pessoas com mais de 500 mil euros de património em seu nome (sim, porque os Ricardos Salgados deste país não seriam apanhados destas contas porque têm, por norma, os chamados testas de ferro).
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
PNP de volta, em tempos de Rentrée
Como todos sabemos, Setembro é o mês das rentrées políticas. O PSD com a sua Universidade de Verão, o CDS com a Escola de Quadros, o PCP com a Festa do Avante! e o BE e o PS não têm nenhuma atividade habitual, mas agendam sempre o seu regresso. Este ano, o PS será em Braga numa iniciativa da JS.
Os leitores mais atentos estranharão que, desde o dia 13 de abril, não tenho escrito nada para o PNP. Meramente motivos pessoais e que não vale a pena que escrutiná-los.
Nesta rentrée, que será mais uma nota de "welcome back" ao jeito de "back to school", apenas quero salientar duas coisas.
A primeira é que continuarei a escrever sobre os mesmos temas, ou seja, aquilo que for acontecendo no dia-a-dia, com a diferença de que, pelo menos uma vez por mês sairá um artigo mais exploratório de algum tema específico, como por exemplo, sistema fiscal, SNS, escolas e educação, segurança social, emprego, entre tantos outros. Quanto à regularidade dos artigos, não vou já aqui fazer uma promessa como outro fiz de lançar artigos às segundas e quintas, mas assim que tiver oportunidade comunicarei quando podem esperar por novas mensagens. O Excertos do Dia também voltará a ser lançado assim como outras iniciativas que estou a preparar.
A segunda nota, e uma vez que como sempre fui partilhando as minhas experiências académicas, informar que ingressei no Mestrado em Políticas Públicas no ISCTE, e informo principalmente com um objetivo, salientar que a linguagem poderá de ora avante modificar um pouco, isto é, tornar-se mais técnica ou académica, mas tentarei sempre com as minhas palavras expor os temas o mais acessível possível porque esse é o objetivo maior deste meu projeto, falar sobre política, mas que seja percetível a qualquer leitor, mesmo e principalmente para aquele que está agora a olhar para o mundo que o rodeia pelas primeiras vezes. Se necessário, recorrerei ao meu modesto sentido de humor, que poderá ser mais eficaz.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Guterres, o grande candidato.
"Sejamos claros, temos demasiadas reuniões, com demasiadas pessoas a discutir demasiados assuntos para tão poucas decisões."
Foram estas as palavras que António Guterres proferiu ontem no sua entrevista como candidato a Secretário-Geral da ONU, e que motivaram este artigo.
O ex-Primeiro-Ministro de Portugal, o Eng.º António Guterres foi direto ao ponto. Disse aquilo que estamos fartos de pensar mas que poucos, dentro das próprias instituições o dizem, ou o dizem quando pode ser incómodo. Porque ser-se como Marinho e Pinho que critica as instituições, nomeadamente o Parlamento Europeu, enquanto eurodeputado, e que nelas continua sem mexer uma palha, faz mesmo lembrar, como disse uma jornalista ao próprio numa entrevista, aquelas crianças que atiram a pedra e depois escondem a mão. Ou então, na cimeira para o ambiente, recentemente em Paris, vimos Obama fazer um discurso consciente dos problemas climáticos e a assumir a sua quota responsabilidade enquanto Presidente dos EUA e até o vimos a pedir desculpa ao mundo, mas dizê-lo no final de dois mandatos, não é, notoriamente, suficiente.
António Guterres foi mais longe, criticou as instituições, e portanto, todos os que nelas participam, por causa das excessivas reuniões com excessivas pessoas que, basicamente, nada ou pouco decidem. E fê-lo no dia em que tentava convencer essas mesmas pessoas a aprovar e a levar mais longe a sua candidatura. Quantas vezes, por causa dos resgates na Grécia, ou mesmo o de Portugal, ou até por causa do Brexit temos ouvido a expressão dia decisivo? Quantas vezes, ainda era José Sócrates Primeiro-Ministro, e as cimeiras decisivas ocorriam umas atrás de outras? Era quase dia-sim-dia-sim?
Na casa do leitor não sei, mas na minha, as imagens que entravam pela sala adentro mais pareciam as de um desfile de vaidades do que imagens de pessoas que representam outras pessoas, que estão entaladas de problemas até ao pescoço, e que os "modelos" iriam resolver os seus problemas. Ver, vezes sem conta, a Srª Merkel a receber líderes europeus sempre me fez alguma espécie, não por ser mulher, claro, (até porque acho muito simpático ser uma mulher a receber os líderes, fica bem na fotografia) mas porque a Srª Merkel é líder sim da Alemanha, e não da Europa, em que a Alemanha deveria ter um peso igual ao da França, Inglaterra, Portugal, Espanha ou qualquer outro da globalidade dos 28 países.
Se Guterres vai conseguir ou não ser eleito, não sei, mas que só por alertar para esta questão, que vai saturando as pessoas que sustentam todo o sistema, já valeu a pena. É das tais coisas, não mata, mas mói.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Abordagens distintas
Por motivos pessoais, o PNP não tem tido, nas últimas semanas, artigos novos e mesmo na página do Facebook não tem sido lançado o Excerto do Dia, assim que tiver oportunidade, voltarei a editar diariamente essa rubrica, mas não queria escrever um novo artigo sem deixar aqui uma palavra de apreço aos leitores seguidores.
Hoje escrevo baseando-me no Jornal de Notícias do dia 4 de abril, uma edição que conta essencialmente com 3 artigos de opinião que valem bem o valor que se paga pelo jornal, ainda cobre o dos dias em que a edição não é assim tão rica em conteúdo e o melhor ainda é que, os três artigos que eu me refiro, são de livre acesso na internet.
Para começar, o artigo de José Sócrates que reage ao facto de a Procuradoria Geral da República determinar que até dia 15 de setembro tem de ser feita acusação ao processo que envolve o ex-Primeiro-Ministro. Como sabem, eu não tenho por hábito comentar casos judiciais que estejam em curso, bem antes pelo contrário, mas o artigo que Sócrates escreve faz-nos, ou pelo menos deveria fazer pensar. E coloco aqui um excerto do artigo: "por que é que estamos a discutir prazos? Neste momento não deveríamos estar a discutir a substância, isto é, as provas? Um ano e meio depois de deterem, de prenderem; ". A verdade é que, sendo culpado ou não, a acusação já deveria estar feita, mas parece que este será mais um caso onde a celeridade não constará no dicionário da Administração Pública. Quanto a este artigo, não me alongarei mais, recomendando apenas a leitura no link deixado acima, vale a pena ler, concorde-se ou não.
Na mesma página, e permitam-me que vos diga, foi para mim uma grande satisfação ver um artigo de João Torres, amigo e camarada da juventude partidária à qual pertenço, a JS, e que partilha a página com um político que tem características que eu admiro, como sabem, Sócrates. Mas mais, muito mais importante do que saber com quem partilha a página, é fulcral saber o que diz o líder da Juventude Socialista, e para o caso, o tema escolhido é a "Propina Zero", João Torres faz neste artigo, um ponta pé de saída para uma discussão que tem de ser feita quanto ao valor da propina, mas reivindica essa mesma discussão com os pés bem assentes na terra: "Assumindo a "Propina Zero" como uma causa justa, reconheço a dificuldade de abolir as propinas num horizonte próximo". Parece-me ser um excelente início de debate, no qual farei tudo o que puder para nele participar. Até já João.
Por fim, um artigo de Rui Rio, no qual responde ao que foi dito em relação à sua ausência do congresso do PSD, no próprio congresso. Neste artigo no JN no day after, Rio explica desde logo, no primeiro parágrafo o porquê de ter dado uma entrevista à TSF na semana passada (dias antes do Congresso) e o porquê das suas palavras em relação à possibilidade de ofuscar o líder com a sua presença, que seria aliás, uma gestão de interpretação do que pudesse dizer ou não, e para que não hajam entrelinhas, o melhor, achou, foi nem sequer haver linhas. Mas como na política muitas vezes o que interessa não é o que se faz, mas o que parece que se faz, a sua ausência foi em si mesma um tema de debate no congresso, e realmente, assim não. Porém, não concordo na totalidade com o artigo pelo simples facto de na minha opinião, a postura de ausência por não ter qualquer cargo no partido justificar a própria ausência no espaço de debate, ser um erro... Eu acho que é nos congressos que se fazem as criticas em si, e se contribui para uma melhor preparação das ideias, mas uma coisa é certa, teve mais ouvintes, isto é, leitores com este artigo do que com um discurso no palanque e também posturas contrárias à de Rui Rio (idas a congresso de quem não está assim tão satisfeito) poderá justificar os 80% em eleições de lista única. Para colocar aqui também um excerto do artigo, escolho as palavras nas quais me debrucei para expressar esta minha opinião: "O facto de não ter ido a este Congresso do PSD está, aliás, na linha do que sempre aconteceu; fui a todos os congressos em que tinha um qualquer cargo partidário, e, portanto, a obrigação de lá estar, e, por acaso, até nunca fui a nenhum congresso quando era simples militante de base como agora acontece desde 2010."
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