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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Calado eras um poeta.

http://www.diarioliberdade.org/archivos/Colaboradores_avanzados/lucas/2015-07/schauble.jpg


Schauble, como já devem saber, veio mais uma vez a público falar sobre a situação política e económica em Portugal. Diz ele: "Portugal estava a ser bem-sucedido até entrar um novo Governo".

Ora, esta não é a primeira (infeliz) consideração deste senhor acerca da nossa situação politica e das mudanças que os portugueses expressaram nas urnas (e escusam já de se lembrar que venceu a coligação, mas a verdade é que foi a esquerda que se tornou mais forte no Parlamento). Acerca destas declarações, recomendo a leitura deste artigo de Pedro Santos Guerreiro, e esta reação de Carlos César.

Para o ministro das finanças alemão, Portugal mudou a trajetória que deveria seguir, e está, portanto, a seguir a trajetória errada. Mas uma questão desde logo se levanta: O que tem ele haver com isso? A resposta é clara. Tudo.

Este senhor é ministro das finanças de um país liderado pela senhora Merkel, que foi a luz iluminadora, a par de David Cameron do nosso anterior Primeiro-Ministro. Eles são a voz do neoliberalismo contemporâneo. Eles são quem querem ver na nossa Europa, a supremacia alemã. Assim, com um Governo liderado pelo senhor António Costa, já não fazem de nós tripas coração. Isto é, já não fazem de nós aquilo que querem, como querem e quando querem. Não, são apenas um dos Estado-Membro da União Europeia. Ponto final parágrafo.

Mas, sim, há sempre um mas, são porventura o país que mais tem lucrado com a nossa crise, através da compra da nossa dívida, que é paga, e com o anterior Governo até o era antecipadamente aos senhores fulanos tais, para que a imagem do aluno bem comportado perdurasse. Até ao dia. Até ao dia em que mudamos de Governo e de Primeiro-Ministro, e somos agora um país que vai aumentar pensões, incentivar o consumo e baixar o défice. Sim, tudo no mesmo ano e segundo consta, já no Orçamento de Estado para 2017.

Lembra-se daquele ditado popular, que diz: Enquanto uns choram, outros vendem lenços? É o que está a acontecer neste momento nas relações Portugal - Alemanha. Até aqui, os portugueses eram quem chorava e os alemães quem vendiam os lenços. Até ao dia em que decidimos não ser mais bem sucedidos aos olhos dos alemães, e preferimos se-lo aos olhos dos portugueses.

Por isso, senhor Schauble, calado era um poeta. Temos pena.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Adenda ao artigo... credibilidade em causa.

Na passada segunda-feira, publiquei este  artigo em que referi que Portugal tinha hoje mais credibilidade do que em 2011.
No artigo de hoje, não o vou desmentir, mas vou fazer uma adenda, por outras palavras, vou justificar ou fundamentar o que disse...

É verdade que hoje Portugal tem mais credibilidade externa, disso, penso que ninguém duvida. Mas essa credibilidade advém do facto de quem tem hoje o destino da Europa nas mãos, isto é, os alemães, têm a mesma linha de pensamento que este Governo, ou seja, a aplicação da austeridade custe o que custar.
Por isto, é natural que a credibilidade seja maior, uma vez que, como explicado, quem define e dirige as nossas políticas tem encontrado no nosso Governo um excelente braço direito, um seguidor das suas políticas, um bom aluno ou um menino do coro se quisermos assim dizer. 
Este Governo é, no fundo, uma spin-off do Governo alemão.

Mas, e se quem definisse os nossos destinos, não fosse Angela Merkel?

Sim, e se não fosse Merkel a comandar?
Aqui podemos encontrar 2 cenários. Ou continuariam a ser os alemães a liderar a Europa, pela mão de Martin Schulz, ou então um outro país, por exemplo a França de Hollande. Isto porque parece ser impossível a Europa ser dos europeus todos, quero com isto dizer que estamos longe de ver a Comissão Europeia a orientar, realmente, as nossas políticas.

Usemos os dois exemplos traçados acima.
Se ao invés de Merkel, fosse Schulz, o Governo português não se sentiria certamente em casa, quando existem cimeiras ou reuniões do eurogrupo. Com Schulz a chanceler alemão, acredito que a orientação política seria de investimento público, e não a de precisamente o contrário!
Já se fosse Hollande... bem, talvez não seja um bom exemplo mas quero acreditar que seria também uma política de algum investimento público e não tanto de austeridade como atualmente se verifica. Isto dentro da incerteza que Holland causa, naturalmente.

Acho que já deu para perceber a ideia. Se não fosse Merkel, ou qualquer outro que com as suas ideias alinhe (Rajoy por exemplo), este executivo que elegemos não teria conquistado a credibilidade (ténue) que hoje usufruímos. 
E para que a palavra ténue não cause dúvidas quanto à sua aplicação, a credibilidade de hoje é efetiva, existe, mas basta ou o Governo português ou o alemão mudarem, que essa credibilidade se poderá, facilmente, desvanecer.

E agora só mesmo para terminar, e se fosse Tsipras a dirigir os destinos europeus? Bem, aí é que o Governo português não tinha qualquer hipótese de passar nem sequer como despercebido, quanto mais por bom aluno!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Da Grécia até Portugal, passando por Merkel e... Vital.

Pensei que quinta-feira teria sido o artigo que marcaria o arrasto das eleições da Grécia, mas enganei-me e ao que parece, é para continuar!
Hoje iria escrever sobre a nova retórica, nova que já estamos fartos de ouvir e era óbvia, mas deixarei apenas uma nota.

Finalmente, a Alemanha ganha medo. Aquelas teorias, e estou-me a recordar do socialista Pedro Nuno Santos quando, num jantar entre militantes em Castelo de Paiva, disse "... ou os alemães se põe finos, ou não pagamos!" Pode-se recordar este episódio aqui, neste artigo no negócios.

Pelos vistos, basta mesmo a ameaça, a capacidade de resistência alemã não é assim tão grande. É aliás, bem pequenina. Faz hoje uma semana que é dia seguinte à vitória do Syriza e que este entrou em coligação com os independentes gregos, da direita. E numa semana apenas, temos já Merkel, a toda poderosa recusa-se a reunir a sós com Tsipras, e as instituições europeias a repensar no modelo de assistências e a equacionar a dissolução da troika. A bazuca de Dragi não está a ser suficiente para "calar" os gregos e a procissão ainda agora vai no adro!

Paralelamente, e remetendo toda esta azafama para o contexto nacional, temos toda a esquerda a vangloriar-se com a vitória da extrema esquerda. Eu também fico muito contente com o facto de se notarem os primeiros passos para o fim da linha de austeridade na Europa, e se os gregos encontraram no Syriza forma de o fazer, os meus parabéns e saliento que até este momento, acabam por ser mais felizardos do que nós portugueses, que apenas vemos melhorias económicas nas manchetes dos jornais. E uma vez que temos vindo a assistir a uma radicalização e extremização no que concerne a escolhas do eleitor, antes uma colagem à esquerda do que à direita, como em França se teme com a possível ascendência do partido de Marine Le Pen.
Agora, também não posso esconder as minhas reservas quanto aos efeitos dessa postura de rutura para com a Europa. Isso terá fortes repercussões nos restantes estados-membro, e inevitavelmente em Portugal. 
Mas como dizia, no contexto nacional, vemos Vital Moreira a criticar o PS e a chamar a ação deste de oportunismo por tentar congratular e retirar algum partido da vitória do Syriza, por entender que este partido levará a Grécia à bancarrota e para fora da zona do euro. Devo desde já dizer que não concordo em nada com esta tese. Aliás, escrevi já aqui no PNP que Tsipras tem agora uma excelente oportunidade para mostrar aos demais companheiros europeus como é possível governar sendo-se esquerda e em crise sem aplicar austeridade. Resta, no entanto, não se viver uma desilusão à Hollande...
De pé atrás, observarei com atenção o que se passará. Acima de tudo, com expectativa!

Para finalizar e não me alongar demasiado, temos o Governo a adotar o discurso de que este ano será o último a verificar-se o défice acima dos 3%. Seria bom sim, mas todos conseguimos ver que é puro eleitoralismo, mas mais do que isso, e está apenas nas entrelinhas, é a preparação do discurso: "Lembram-se? Quando nós lá estávamos dissemos que o défice ia baixar de 3%, agora com este Governo (na altura António Costa) continuamos além do limite imposto pelo tratado europeu. Atenção que, com esta última afirmação, parto do principio, tal como este Governo, de que nas próximas legislativas será o PS a vencer.
Dali, apenas vem mais do mesmo...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Limpinha, limpinha, limpinha...



A saída de Portugal do memorando é considerada limpa...

Primeira questão, o que é saída limpa e saída, por seu turno, suja?
Segunda questão, para além das euforias parlamentares, que debate se fez acerca da saída de Portugal e da preferência dos portugueses?
Última questão, para já, esta saída é boa para Portugal?

Muito sinceramente, não sei responder às duas primeiras perguntas, mas creio que uma saída limpa, poder-se-à entender como uma saída benéfica para os portugueses, onde estes estejam melhores daquilo que se encontravam quando o mesmo memorando começou. O que por sua vez, faz de uma saída suja a situação em que os portugueses se encontrem piores do que aquilo em que se encontravam. Mas isto é apenas a minha opinião. Não obstante, e por achar que não se verificar limpeza nesta saída, esta passará a constar entre aspas de ora em diante.
No que consta a debate, sem ser as trocas de palavras acesas entre deputados com aspirações a (...), não vida nada de concreto a não ser nos jornais fluxogramas bonitos a tentar explicar aquilo que é um programa cautelar, no dia seguinte a esta expressão tomar conta das nossas vidas.

Quanto à última questão, aqui já posso explorar um pouco mais, não me parece que seja assim tão boa. E explico porquê!
Não sou daqueles que agora, depois da banda passar, e do jogo ter acabado, lança prognósticos que vão ao encontro do que aconteceu, ou seja, não sou daqueles que agora dizem sempre terem previsto e preferido uma "saída limpa". Quem lê o PNP habitualmente, sabe que sempre achei que se verificaria esta saída, mas que preferia um programa cautelar.

Vejamos... Estamos em ano eleitoral (e ainda assim os impostos aumentaram, imagine-se que não haviam eleições), eleições essas europeias, onde se vota aquilo que foi feito nos últimos 5 anos a nível europeu. E o que foi feito? Austeridade em toda a sua força sobre os países do sul. Ou seja, o que dia 25 de maio vamos votar, é se queremos que esta política de austeridade continue ou não. Ora, quem a defende (Merkel and friends), precisa de casos de sucesso just in time para que a ideia que fique seja do melhor que o mundo pode conhecer! Mas a verdade não é bem esta!

É verdade que temos assistido a melhorias nos indicadores macroeconómicos, sim é verdade, mas o que é que isso vale no dia-a-dia das pessoas? Eu percebo que não se sinta as diferenças de um dia para o outro, claro que não, mas pensei eu, na minha ignorância, que pelo menos não seriam agravados os nossos sacrifícios e que com o devido tempo, se reflectissem nos nossos dias as melhorias com mais emprego, mais poder de compra... enfim, pensei eu!

A Europa tem sido muito eficaz a esconder o que quer para determinados fins, e para fundamentar basta recordar a Grécia, em que se queria a todo o custo que entrasse no Euro e permitiu-se uma ocultação sem precedentes de dados económicos em prol de défices que não eram verdadeiros! O que é que isto tem a ver com o caso português? Tudo, tudo porque podemos estar, e eu acho que estamos, a ser enredados numa linda e bonita lição de como equilibrar contas públicas, sem que se olhe a quem se pede sacrifícios e que sacrifícios são pedidos. Por um resultado eleitoral, tudo!

Mas temos uma coisa boa, é que os portugueses que estão a emigrar involuntariamente vão fazer passar a mensagem lá fora de que, apesar dos números serem positivos, o que se está a passar cá dentro nem a razoável chega!

Talvez não se recordem, mas o que fez com que as taxas de juro (principal indicador) baixassem foi uma declaração do Presidente do BCE em que defende o euro até ao fim, aconteça o que acontecer. Logo, foi aqui que os mercados perceberam que não valeria a pena massacrar mais os países do sul.

Mas muito sucintamente, olhemos para esta dita "saída limpa".
Depois dos nossos governantes defenderem uma descida dos impostos, eles através do DEO, aumentam. Este documento é apresentado dias antes do anúncio em que Passos Coelho afirma uma saída sem cautelar. Tudo isto um mês antes das eleições... enfim, coincidências.

Para terminar, e uma vez que já me alonguei um pouco, apenas fazer notar que, Passos Coelho e os restantes governantes, nacionais e europeus, afirmam haver um cautelar na gaveta pronto a ser accionado. Dia 26 de maio falaremos sobre ele!