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terça-feira, 24 de novembro de 2015

De Cavaco Silva até ao Novo Banco. Uma viagem curta

Para mim, hoje foram duas as noticias que marcaram o dia.

Primeiro, e logo pela a manhã, Cavaco chamou Costa a Belém, não para o indigitar, mas para lhe pedir mais esclarecimentos. Ora, vistos os esclarecimentos que pediu, mais não era do que o pedido de formalização e responsabilização da postura do PS e nomeadamente de António Costa perante aqueles 6 pontos, que estavam, diga-se, quer no programa do Partido Socialista, como também tem sido largamente explicado pelo líder socialista, e outros responsáveis deste partido em entrevistas e declarações.
Porém, e tendo em conta que estamos a falar do ainda Presidente da República Cavaco Silva, até que entendo o que fez e pediu. Sim, a mim não me escandaliza nada que o tenha feito. A partir do momento em que indigitou Passos Coelho, já sabendo que este seria chumbado, se sabe que Cavaco Silva tentaria, até à 25ª hora evitar aquilo que é inevitável, que António Costa venha a ser Primeiro-Ministro. E este pedido de esclarecimentos, para mim, não é mais do que uma pré-indigitação, mas também um pedido de uma folha que mais tarde seja utilizada como escudo contra qualquer acusação que a direita possa fazer ao PR de ter empossado a esquerda.
Certo é que Cavaco Silva tem ainda uma veia imprevisível, mas penso que amanhã, dia 24 de Novembro, tenhamos a indigitação de António Costa.

A outra notícia é o despedimento de 1200 funcionários do Novo Banco. Desde o dia em que esta solução, muito pouco clara, diga-se, para o BES foi encontrada, que eu desconfio da sua eficácia e eficiência. Senão vejamos. Primeiro, temos uma solução que não iria ter qualquer custo para os contribuintes. Ora, nos dias de hoje, e no nosso sistema bancário, dar uma garantia destas, é demagogia, mas quando existe uma capitalização por parte da Caixa Geral de Depósitos (maioritariamente estatal) no Novo Banco, este risco para os contribuintes torna-se inevitável. Depois, mais tarde, já seria preciso mais capitalização, e aí já seria possível prever alguns encargos para os contribuintes, ou seja, foi fazer o primeiro passo novamente, mas sem mentir, totalmente, aos portugueses. E agora, um despedimento coletivo de mais de 1000 funcionários.
O mais engraçado de tudo, é que os media, ao darem a notícia, mostram o exemplo do BBVA, que despediu no ano passado cerca de 150 funcionários (reparem na diferença) e obteve um lucro de 1M de euros com essa "manobra laboral". Ou seja, a noticiar como algo positivo. E enquanto forem pessoas despedidas para colmatar erros de gestão, o país não pode avançar. Seja ele qual for.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A semana de Cavaco Silva

É extraordinário o que o nosso Presidente da República, que é só o chefe de Estado, está a fazer esta semana.

Lembram-se de no passado dia 5 de outubro não ter participado nas comemorações por causa do momento que exigia reflexão? Então e esta segunda e terça? Não exigiam reflexão também? 
A não ser que tenha ido até à madeira para refletir, fazendo dessa viagem um retiro espiritual, não vejo motivo algum para ter lá ido num momento em que a celeridade deveria primar.

Depois tivemos uma primeira declaração que foi no mínimo, incendiária. Recordar que teve 5 meses como Governo de gestão enquanto Primeiro-Ministro é quase tão bom como chamar piegas aos portugueses. E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? O mesmo, o ignorar da situação que os portugueses se encontram e as consequências das medidas e decisões tomadas.

Mas o copo de água enche quando diz, num momento em que os portugueses ainda não viram os resultados da melhoria do estado das contas publicas, porque na verdade, essas não melhoraram. que existe uma almofada financeira substancialmente melhor que em 2011, e que nem diz o quanto tinham os nossos cofres por tão pouca que era a quantia. Ora, primeiro ponto, se não fosse uma quantia baixa, não teria sido necessário pedir auxílio externo. Ponto número dois, é suposto ser o nosso chefe de Estado a alarmar? A gerar desconfiança? A lançar o medo? A lançar a preocupação? E por fim, terceiro e último ponto, o Primeiro-Ministro de então não se reunia semanalmente com o Presidente da República? Não havia uma prestação de contas constante? Todas as leis não foram aprovadas pelo crivo do Presidente? Ora, o Presidente não tem aqui responsabilidades? 

Agora, o copo transborda quando coloca a audição de banqueiros e economistas (segundo a capa do jornal i de hoje, são todos contra um Governo PS, ou seja, em Belém prima a pluralidade) à frente da audição dos partidos com assento parlamentar, ou seja, os eleitos e quem representa o povo.

Mas este artigo termina com uma boa notícia. Dia 24 de Janeiro, ficou hoje a saber-se, iremos ter as eleições para eleger aquele que terá a espinhosa tarefa de voltar a dignificar o mais alto cargo da nossa democracia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

E o povo?

Nos últimos dias, tem-se discutido tudo e mais alguma coisa. Primeiro foi a derrota do PS e de António Costa, depois, foi a possibilidade de Governo e acordo à esquerda, depois foi quem iria Cavaco Silva indigitar para Primeiro-Ministro, depois foi o seu discurso, depois foi o que fará depois deste Governo cair, agora é os ministros escolhidos... Onde irá acabar estas grandes dissecações filosóficas?

Mas uma coisa eu não tenho ouvido discutir, que é porém, o essencial?
E o povo?
Sim, como fica o povo no meio disto tudo?

António Costa, por força da disponibilidade demonstrada pelo PCP e BE, entende, legitimamente, que tem condições para formar Governo, desde com um acordo que mostrou já ser possível.
Passos Coelho reclama a vitória como líder da força política mais votada, o direito a governar.
Os deputados é que vão decidir, porque nós, eleitores, votamos nos deputados, e serão estes que decidiram o nosso futuro, obviamente. Para aqueles que não votam, ou que utilizam o voto de forma infundada e desinformada, fica aqui uma lição destas eleições legislativas.

Mas não temos discutido o futuro da segurança social, não temos discutido o que poderá ser o OE para 2016, andam a entreter o povo com este impasse político, e a culpa tem um e só um nome, Cavaco Silva. Pode não ter sido dele a ideia de atrasar tanto, mas foi ele quem deu o aval. A ideia de marcar as eleições para depois do verão, serviu para o atual Governo ir ganhando uns meses, e poder maquilhar as contas públicas de forma a vencer. Objetivo: Ganhar as eleições. Check. Depois, um outro efeito era precisamente este, o que está a acontecer. Já repararam que, de um mês para o outro, todos os indicadores relevantes, aqueles que serviram de moleta retórica na hora de pedir esforços ao povo, voltaram aos níveis de 2011 ou pior? Ou seja, então para que serviu todo o aperto, sufoco e asfixia financeira, por via da austeridade que implementaram? Ou melhor dizendo, que povo é os nossos governantes beneficiaram? Não foi o português de certeza...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Comparações com a Grécia...outra vez

Uma comparação que parece ser incontornável.
Em 2011, era sucessivamente capa de jornal as declarações e pretensões do Governo em não comparar Portugal à Grécia. Todos em Portugal queríamos essa não comparação, pois a Grécia era vista como muito má aluna, digamos assim, e Passos Coelho estava decidido em tornar Portugal no menino bonito da Europa.

Ora, acontece que, a parte em que o objetivo era evitar essa comparação incontornável, e em que se passou até, a querer comparar Portugal à Irlanda, outra comparação que, a meu ver, não pode ser feita, pois os meios são muito diferentes, apesar do fim ter sido idêntico.

Quem ouvir a mensagem de ano novo do Presidente da República, não só fica com a sensação de déjà vu, pois Cavaco Silva tem-se repetido ano após ano, mas podemos verificar também o medo/receio de que Portugal se possa tornar numa Grécia, um país ingovernável.

Publicado hoje, o artigo de opinião de Rui Ramos, no Observador, intitulado de "A Grécia em português", dá nota desta comparação acima referida, em que a perspetiva apresentada se baseia em que com legislativas a aproximarem-se, de onde poderá não sair uma maioria absoluta e com um PR que será substituído no espaço de um ano, Portugal poderá tornar-se facilmente num caso idêntico ao Grego. Aconselho leitura.

Acontece que, a perspetiva que aqui estou a apresentar é a de que, tal como em muitas outras matérias, este Governo vê as suas intenções não corresponderem à verdade, dito simpaticamente.
Também através do Observador, e desta vez através da newsletter, que recomendo, de David Dinis, a 360º, dei conta de que, o ir além da Troika, levou o Governo a despedir o dobro (80 mil) funcionários públicos do que o previsto no memorando e viu o número de doentes que tomam a cara medicação da hepatite C reduzida em metade (70 pessoas, apenas).

Para finalizar, concluo que, para devaneio deste executivo, a intenção de não ser comparado à Grécia foi aquém do esperado. E o mais surpreendente é que, foi o seu maior aliado ( o PR) levantar o véu!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Constitucionalidades



Pedro Passos Coelho tem, ao longo destes dois últimos anos, fazer lembrar a sua antecessora no partido, Ferreira Leite, quando disse que seria bom suspender a democracia. o Primeiro-Ministro nunca disse tal (não faltará muito), mas tem tentado suspender a constituição, mas sem que ninguém dê por tal disparate.

Senão vejamos, logo no início, falou em rever a constituição, depois já fez dois orçamentos inconstitucionais, está constantemente a promover o trabalho mais barato, está sempre a tentar despedir pessoas, enfim, toda uma panóplia de situações que só envergonham quem o elegeu.

A culpa a meu ver, não é só dele mas também, e principalmente, de quem ao país prometeu cumprir e fazer cumprir a constituição, falo claro do Presidente da República, o tal morador de Belém.

Até aqui, falei em factos que não se podem negar, mas o que eu acho que é realmente triste em democracia, é vermos uns órgãos de soberania tentar pressionar outros. E neste campo, o líder do PSD tem sido campeão isolado, tem todos os anos pressionado o Tribunal Constitucional dizendo que uma decisão não favorável ao que o Governo pretende, custará caro ao país e aos portugueses. Caro PM, não seria mais eficaz e digno um simples: "Acredito que o TC decidirá o melhor para o país"? Eu acho que sim.

Resumindo e concluindo, o PSD, de uma forma ou de outra, tem tido sérios problemas em se enquadrar neste regime. E isto, parece-me claro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Com o "novo ciclo"



Depois desta crise política, que nada de novo nos trouxe, senão 15 dias gastos em falsos alarmes de pânico nacional, existem leituras por entre as linhas que devemos fazer.

Ontem, tomaram posse os novos ministros deste Governo, Rui Machete, Pires de Lima e ainda Moreira da Silva. Santos Pereira foi despedido, Assunção Cristas e Mota Soares viram os seus ministérios alterados.

Vou começar precisamente por aqui, a alteração dos super ministérios. Passos Coelho, quando foi para o Governo, e passando uma ideia de que iria gastar pouco dinheiro, foi populista e cortou no número de ministros. Desde logo se viu que não era grande opção, e a prova foi a ausência de politicas de crescimento económico e criação de emprego e a inacção das pastas sociais.
A seguir à demissão de Vítor Gaspar, acho que este é o segundo grande sinal de reconhecimento de falhanço das opções feitas pelo executivo.

Continuando a analisar o comportamento e opções do nosso PM, podemos concluir que o líder do PSD foi inteligente na escolha em relação a Rui Machete. Com toda este confusão entre demissões, acordos e desacordos, já ganhou uns 20 dias em que não se discutiu o estado real dos portugueses. Com esta escolha, não só acalma os ânimos do partido em relação à perda de soberania económica, como também ganha mais tempo de fôlego, uma vez que o tema de conversa política será o curriculum vitae do histórico do PSD. Apesar de estar ligado à SLN, Machete está conotado como próximo de Ferreira Leite e Cavaco Silva, e este facto pode dar muito jeito ao PM. Tenho que reconhecer que aqui, Passos Coelho foi um estratega nato e consegue assim desviar as atenções. (Tal como Salazar usava o SL Benfica)

E já que estamos a falar em estratégias, Paulo Portas reaparece como especialista neste campo e, com uma decisão irrevogável, consegue a promoção da sua vida e melhor, alcança algo que o seu partido ambicionara à algum tempo, a pasta da economia.

Tendo em conta que são os dois grandes estrategas, que ambos querem o poder a todo o custo, e também o famoso ditado popular em que nos diz que os opostos se atraem, não me parece que este "casamento" vá correr lá muito bem... Mas para isso temos o Presidente da República não é verdade?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O morador de Belém



Não deve ser a pólvora, mas acho que acabei de descobrir o porquê de Cavaco Silva estar quieto.

A bem verdade, Cavaco Silva não tem andado muito para, ele tem, ao que parece, feito um bom trabalho de bastidores. Mas isso, é para os leigos, para quem não percebe o que realmente está em jogo, os mecanismos que existem, isto é, para o Zé Povinho.
Mas para isso é que existe informação, os media, os bloggers,  aqueles que querem opinar sobre os temas. As suas funções, assim como a minha neste momento é dar a minha opinião e explicá-la, e não apenas criticar os outros.

Mas a verdade é que, desde que Cavaco Silva chegou a Belém tem como intuito apenas tratar da sua imagem para a opinião pública e também levar a colo um Governo com a sua "cor", ou seja, PSD. Muitas vezes concordo com o nosso Presidente da República, diga-se. Na questão de promover o diálogo, na coesão, na estabilidade, nos limites dos sacrifícios, na aposta na agricultura, enfim, em muitas coisas até. Mas acontece que, eu sou um mero cidadão, não tenho poder de acção, a única forma de fazer política que tenho ao dispor é aqui neste blog, agora, o PR não, ele é "só" o chefe de Estado ok? Sr. Aníbal, tem noção disso?
O dever do PR é cumprir e fazer cumprir a constituição. Com este Governo, temos visto que se tem esquecido desta função (OE de 2012 e 2013). Outra função é ser "árbitro" da cena política, até agora em 2 anos, várias greves e muito pouco consenso. Organizar conselhos de Estado para discutir como fazer as coisas e obter a opinião de "especialistas" sobre assuntos actuais, mas o senhor que nunca se engana e que raramente tem dúvidas, fez à pouco um conselho para falar do pós-troika, esquecendo o presente. Enfim, alguns erros colossais.

Ou seja, temos um PR que não o é! Está apenas a cuidar da sua imagem e terminar bem a sua vida política, justificando assim as maiorias absolutas que conquistou.
Agora, a quase pólvora de que dei conta, é que o PR não se pode recandidatar, pode ser esta a justificação da sua inacção.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Coligação a meio gás



A verdade é que, a coligação não era Paulo Portas e Passos Coelho, mas sim CDS e PSD.
E o que aconteceu nas últimas 48h ao Governo, não foi mais do que um Ministro das Finanças que se demitiu por não resultar a sua receita (obrigado por admitir e fazer a mala), uma péssima escolha para substituir Vítor Gaspar, e o Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Paulo Portas não concordar com as escolhas do PM e das políticas adoptadas e demitiu-se também.
Paulo Portas usou ao longo destes dois anos, o benefício de ser ministro e líder partidário em simultâneo, em sucessivos momentos, a assinar por baixo e deixar passar medidas imperdoaveis, em nome da instabilidade e ao mesmo tempo, criticar essas mesmas medidas.
Agora é uma vez mais disso mesmo, como ministro demitiu-se, mas como líder partidário, irá ver como fica a coligação com a sua ausência.

O que me quer parecer é que, neste momento, deve estar algo arrependido de alguma coisa. Ou de ter outrora passado medidas que claramente não concordava, ou de ter rompido agora com essa estabilidade, por causa dos mercados, que vinha sendo o seu escudo de protecção. É que agora, e uma vez que são papéis distintos, a coligação vai existindo na mesma (Pedro Mota Soares e Assunção Cristas), e os mercados reagiram muito mal à notícia.

Ficarei muito contente se os dois partidos se souberem comportar democraticamente, e ficarei muito triste, se todos os sacrifícios que foram pedidos não terem porto qualquer (bom ou mau), por culpa do que está a acontecer. Espero que o PM não se esconda atrás desta crise política, para justificar a sua péssima governação, que está a liderar.
Mais contente ainda ficarei se houver uma mudança de rumo. é que não me está a parecer que vamos sair bem deste caminho que está a ser seguido.

Já agora, mora alguém em Belém? Daria jeito que pusesse fim a este delírio!

sábado, 29 de junho de 2013

Greve



Na passada quinta-feira, em Portugal fez-se a quarta greve geral, desde o 25 de Abril unindo as duas centrais sindicais, a segunda deste Governo.

Ultimamente, e principalmente desde que este Governo tomou posse (o anterior já tinha com regularidade), os portugueses têm feito greves e manifestações com grande regularidade, se calhar até excessiva.

Desta vez, o que está em jogo, é o elevadíssimo desemprego, a redução do poder de compra e principalmente a perda de direitos, nomeadamente no sector público.
Uma greve é muito importante, principalmente porque é o último recurso usado antes de uma revolta, e já depois do diálogo. Mas em Portugal, o diálogo tem sido muito próximo do nulo. Serve essencialmente para mostrar discordância em relação ao que é decidido pelo poder político, denunciar casos gritantes de desespero e mostrar também que a actividade cívica afinal existe, mesmo apesar da taxa de abstenção nas eleições. Esta frequência de manifestações, serve também para não acontecer como no Brasil, irmos sofrendo calados e de repente, soltarmos a raiva, como tem acontecido no país irmão.

A pouco disse que a regularidade das manifestações pode estar a ser excessiva, não por este executivo não o merecer, não porque os portugueses não tenham razões, mas sim porque o chefe de Estado, e no nosso país é o Presidente da República, deveria já ter terminado com este desespero. O que é demais é erro, e as manifestações não fogem à regra. Um dia, fazer greve será banal, e temo que já o seja...

Hoje em dia, a utilidade das greves em Portugal não são mais do que, tentativas de paralisar o país, as pessoas serem ouvidas e no final, em vez de haver uma negociação entre os sindicatos e o Governo para melhorar o que está mal aos olhos dos cidadãos, temos assistido a uma guerra de percentagens de adesão. Isto é gozar com quem sofre todos os dias, com a angústia de poder, muito facilmente, perder o posto de trabalho.

Por fim, gostaria ainda de olhar para as reacções à greve, quer dos sindicados, quer dos deputados.
Arménio Calos (CGTP) olha para a fragilidade do Governo, Carlos Silva (UGT) prefere olhar realmente ao problema, mas sobretudo aponta soluções, renegociar com a troika. Marques Guedes (Governo) diz respeitar a greve, mas respeita mais quem prefere ir trabalhar, António José Seguro (PS) saúda quem fez greve faltando ao trabalho, quem fez greve mesmo sem trabalho e aos emigrantes que nos fazem falta. Já os turistas, foram surpreendidos com a greve mas reagiram com naturalidade e admiração.
No entanto, não posso deixar passar em branco os portugueses que, preferiram ir para a praia aproveitando o motivo de greve, repudiando veemente este tipo de acções, para isso teriam ido trabalhar, digo eu. Arrepiei-me quando li no jornal uma declaração de um jovem que diz: "a paria é mais importante", considerando desnecessário manifestar-se. (Se bem que por trás desta declaração, podem estar muitas leituras)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Cavaco continua pacifico



Cavaco Silva no seu discurso do dia 10 de Junho deste ano deu várias respostas aquilo que se tem dito já algum tempo. Entre elas a da sua pacificidade, outra em relação ao conteúdo do último conselho de Estado e sobretudo, ao seu papel ao longo dos seus mandatos da Presidente da República.

Concordo por vezes com o que o PR diz que deve ser o seu papel, mas discordo quase sempre de como o faz. Estou a estudar administração pública e como tal as figuras do estado em unidades curriculares como ciência política e outras, e o papel de um Presidente da República numa democracia é o de "regular" e estimular o consenso, promover o diálogo e o de fazer cumprir a constituição. Em regimes onde o chefe de Estado é a figura máxima, quando tem o poder de destituir a Assembleia, tem também como função o de olhar pelos interesses do povo, de todos os outros cidadãos que não são agentes políticos. E o que Cavaco Silva tem feito nestes dois mandatos é pura e simplesmente ir dando com uma mão, e tirando com a outra. Não tem sido regular na sua linha de acção, mesmo com o anterior Governo já dizia que havia limites nos sacrifícios pedidos, com este Governo deixou ir muito além daquilo que seria os limites aquando a governação de José Sócrates. Mas o que faz variar o discurso do PR não é propriamente quem governa, mas sim a ocasião em que fala. Por vezes é todo apoio aos sacrifícios e enaltece a capacidade de sofrimento dos portugueses, numa outra ocasião diz que existem limites e que o povo não aguenta mais, depois mais à frente volta a apoiar o Governo, e isto sucessivamente.
Já por duas vezes, e com este Governo em ambas, aprovou orçamentos inconstitucionais, a sua principal função cai assim por terra.

Mas o que me tem surpreendido, e ainda não sei se pela positiva ou negativa é a sua postura actual, focado apenas o pós-troika. Eu acho bem isso ser discutido para que estejamos preparados, mas para lá chegarmos é preciso percorrer um longo caminho, um caminho árduo, em que uma vez mais, os portugueses vão sentir na pele mais dificuldades. Eu acho que o que os portugueses precisam, ou pelo menos eu, jovem e com o sonho de poder retribuir ao meu país aquilo que tem feito por mim ao longo da minha formação é que os órgãos de soberania me protejam, e já que o PM tem-se esforçado em me retirar a esperança de concretizar o sonho, gostava que o PR tomasse uma atitude, é que não devo ser o único português nesta situação! Este Governo leva já dois anos e estamos nitidamente pior, vai continuar apenas pelos alertas Exmo Sr. Presidente da República?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Governar sem olhar para o país.

Uma vez que os governantes governam para os cidadãos, parece-me claro que é a opinião destes que avalia o sucesso do seu trabalho ou não.
Começo este artigo de opinião com uma afirmação, que não vem ao acaso! À muito que ando para escrever sobre este assunto, tal como muitos outros, mas hoje chegou o dia, e vamos já ver mais à frente porquê. 

De à uns anos a esta parte, temos vindo a viver numa ditadura, sim ditadura. Estamos completamente reféns dos mercados internacionais, da disposição dos credores e dos especuladores. Parece-me óbvio que no decorrer dos últimos anos temos vindo a assistir a um ataque quer ao euro, quer à União Europeia. Para que este seja bem sucedido, ataca-se as economias mais frágeis, ou seja, as da periferia. Mas não tendo em conta este facto e focando apenas no tema, os Governos têm sido avaliados pelas taxas de juro a que os países recorrem aos mercados e daqui se tem tentado retirar as realidades dos diferentes países, mas não é este o indicador que nos dá conta do estado de uma nação! São as pessoas, os cidadãos que nos dão conta de como realmente é o dia-a-dia, o quotidiano.

Este Governo, que governa limitado com um programa de ajustamento. Este ajustamento é avaliado periodicamente  e essas avaliações tem tido nota positiva. E eu pergunto-me como desde a segunda avaliação! Temos vindo a assistir ao descontrolo das contas públicas, projecções completamente falhadas, desemprego... é melhor nem falar, divida a gerar divida e austeridade a empobrecer os portugueses e matar a economia. Mas mesmo assim, a nota positiva e a nova tranche têm chegado.

No ano que findou à dias, vimos o desemprego atingir máximos históricos, divida como nunca antes vista e direitos retirados que eram "intocáveis", mas existe um pormenor de grande relevo, é que nos mercados que até não podemos recorrer, o preço do juro baixou para menos de 7%! Mas a minha pergunta é uma, e os portugueses, como se sentem? Foi a pergunta também do inquérito hoje publicado pelo "Público" que dá conta de um novo recorde, é o do pessimismo das pessoas no máximo. O Governo diz ser um sucesso a aplicação deste memorando, como dá nota a baixa da taxa de juro, já o Presidente da Republica disse na sua mensagem de ano novo que "precisamos de recuperar a confiança dos portugueses. Não basta recuperar a confiança externa dos nossos credores", passando uma imagem de lucidez. Não era suposto estar o Governo com as mãos na cabeça neste momento por este indicador revelar que os portugueses não estão de longe satisfeitos com as suas políticas? A mim parece-me que sim...

No que toca à taxa de juro a 10 anos, o Governo congratula-se de algo que tem conseguido através de um fracasso, isto é, não é por causa do executivo que a taxa de juro está assim tão baixa, mas sim porque a Grécia tem um acordo renegociado e porque o BCE disse que irá defender o euro a todo o custo! Digo fracasso porque quanto ao acordo grego, Passos Coelho fez um trocadilho de palavras e de ditos por não ditos que em nada servem para congratular o seu desempenho, muito menos quando cria mais uma vez divergências de opinião dentro do próprio Governo.

Para resumir tudo isto, acabo citando Vítor Bento que diz: "Talvez fosse útil que o Governo desse mais atenção à frente interna, porque, senão, arrisca-se a ganhar no exterior, perdendo o país".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Finalmente, Cavaco!

Sou jovem, gosto de política e aprecio discursos!
Confesso que tenho saudades de ver e ouvir "grandes" discursos, e os últimos que tenho em mente como sendo memoráveis tenho assim de repente o de derrota de José Sócrates nas últimas legislativas (em que demonstra bem o que é saber perder e sentido de responsabilidade), ou mesmo o de vitória de Barack Obama reeleito recentemente (onde reiventa uma eleição). Contudo, neste inicio de ano, Cavaco Silva entra neste lote (inesperadamente). 

Neste segundo mandato de Presidente da Republica, Cavaco tem exercido um papel bastante modesto, silencioso de mais! É certo que tem feito um trabalho de bastidores dito notável, mas também é certo, e uma vez que vivemos num regime semi-presidencialista, deveria intervir mais de forma a evitar o descalabro que estamos a viver.

No entanto, na mensagem de ano novo, fez o que a meu ver tinha de ser feito. No dia em que entrou em vigor o OE mais penoso para os portugueses, o PR explicou o porquê de o ter aprovado, salientou ainda que irá pedir ao Tribunal de Constitucional fiscalização sucessiva do orçamento de forma a tirar as dúvidas quanto a constitucionalidade, criticou a acção  governativa em curso e alertou para um consenso político e social e crescimento económico como base da solução da crise! Desta forma, demonstrou que está no activo, está atento e preocupado, mas acima de tudo, chamou todos os agentes políticos à atenção!