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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cada vez mais elite

A Assembleia da Republica está a ficar cada vez mais elitista, e a proposta de António José Seguro vai ao encontro disso mesmo.

Ora, a AR é, supostamente, a casa do debate, a casa do povo. Os deputados não passam, em democracia, de meros representantes do povo, dos eleitores, e não detentores destes.
Por isto mesmo, eu digo desde já, que como democrata republicano que me considero, gostaria que a AR fosse composta por perto de 10 milhões de pessoas, isto é, todos os eleitores.
(como é óbvio, é impossível, mas deverão ter percebido a intenção)

O líder do PS propõe uma redução de deputados, o que irá, certamente, beneficiar os maiores partidos. Portanto, se beneficia os maiores partidos, aqueles que têm mais votos (PS e PSD), prejudica os mais pequenos (PCP, BE e PEV). Porque? Simples, porque pelo método d' Hondt, poderás perder lugares, e quando falamos em perder lugares, em partidos que contam com 3, 4 ou 7 lugares, a situação complica-se.
No entanto, a direita sai ainda reforçada por outro ponto de vista, é que a direita conta apenas com PSD e CDS, que se coligam com uma certa regularidade, portanto, mais uma vez, a esquerda fragmentada sai desfavorecida.

Feitas as contas, cada vez mais são os grandes partidos a saírem reforçados e, com menos deputados, temos menos representantes a defender os nossos interesses, logo, torna-se numa elite do poder.

Era óbvio que Passos ia aplaudir não era Seguro?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um ano não é assim tão pouco...




O dia de hoje é a prova de que na politica, um ano pode ser uma eternidade!
Quem não se lembra da demissão irrevogável de Paulo Portas? Pois e, faz hoje 1 ano.


Neste dia em 2013, estávamos perante uma crise interna, mas no Governo. Por esta altura, já se faziam contas no PS para saber quem ia ocupar que pasta. Cavaco chegou a propor Governo de salvação nacional e teríamos agora eleições antecipadas. Creio que se Antonio Jose Seguro soubesse o que sabe hoje, teria aceite.

Segundo o jornal i de hoje, Hélder Amaral defende que os portugueses deviam agradecer a Paulo Portas. Eu não sei se foi uma piada ou não, mas deu-me vontade de rir! Então os portugueses continuam a ser despedidos, os orçamentos de estado continuam a ser inconstitucionais, cada vez temos menos Estado social,e ainda devemos um obrigado? Hilariante...

Um ano depois, a coligação parece estar decidida a ir até ao fim, e ainda bem para o PS, mas o maior partido da oposição está, por via das decisões da actual direcção, a mostrar o porquê de muitos acharem que a política e apenas maquinas partidárias. Tenho pena, acho que ninguém fica a ganhar nada com o adiar, a não ser o próprio Seguro, que se ganhar as eleições internas (e prefiro não pensar como), usará esta situação como halibi para uma possível derrota nas legislativas.

Seja como for, o dia de hoje demonstra bem aquilo que um ano significa, o que para nós, portugueses comuns, se torna numa esperança. Esperança que o bom senso desça ao parlamento e crie um futuro melhor.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Políticos assim, sim!



Acredito que vá viver muitos dias como o de hoje, em que tenha muitos motivos para ficar contente e continuar a acreditar que, na política, ainda há muita gente que vale a pena acreditar e que, ao fim ao cabo, me inspiram na medida em que marcam a diferença pela positiva. O que nem sempre se verifica.
E hoje, foi uma vez mais, João Torres que despoletou em mim este sentimento!

Em entrevista ao "i" (que me fez deslocar, quase a hora de fecho do shopping, comprar o último exemplar), o líder da JS defende muitas coisas que são merecedoras de nota. Aqui, irei apenas relembrar algumas, que são aquelas com que me identifico plenamente e tenho vindo a defender. Tentando contudo não transcrever a entrevista.

Nesta, João Torres critica de forma elegante algumas posições do PS e da sua liderança, este Governo e fala da Europa. Mas acima de tudo, distingue de forma clara aquilo que muitos dizem ser igual... O PS do Governo.

Quanto à direcção do PS, o líder da JS defende que esta se deveria posicionar um pouco mais à esquerda daquilo que se encontra, assume que tem errado como por exemplo no tratado orçamental e ao não falar da anterior liderança e governação por parte do Partido Socialista. Mas tem a capacidade de o fazer de forma tão elegante, ao ponto de dizer que Seguro tem "uma forma muito própria de levar a água ao seu moinho". Não são todos que o fazem! Com isto, diz basicamente que não o faria desta forma, mas respeita. Tal como um bom democrata...

Mas partilho particularmente da sua visão para a Europa, bem como a postura de Portugal em relação aos demais membros da UE. Portugal não pode "estar de cócoras" como tem feito! Nós temos valor, nós temos capacidades, nós somos capazes de nós próprios. É isto que se espera que um Primeiro-Ministro diga em Bruxelas. É necessário que a Europa seja justa e solidária, seja uma só, tal como referi no anterior artigo.

Para terminar, apenas salientar que este senhor, foi capaz de distinguir o PS do actual Governo, como por exemplo mutualizar a dívida, renegociar o juro, eurobonds e emissão conjunta de dívida dos países da zona euro... 
Criticar apenas não basta. É preciso dizer o que realmente é diferente.

Para quem diz que a classe política é toda igual e que não têm conteúdo, aconselho, vivamente, a lerem esta entrevista e a seguirem este político, que é uma pessoa igual a nós, povo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Autárquicas 13': Do local ao central



Relativamente poucas pessoas o sabem, mas existem grandes diferenças entre poder local e poder central.
A que as pessoas estão mais atentas, é a diferença entre Câmara Municipal e Governo.

Acontece que, estamos em plena campanha eleitoral autárquica, em que em todas as localidades estão espalhados cartazes, arruadas, porta a porta, brindes, etc, etc. Porém, estamos também perante uma campanha legislativa, onde vemos a atenção voltar-se para António José Seguro e Pedro Passos Coelho, com dois anos de antecedência, ou seja, a ideia é ver quem dos dois sai vitorioso no próximo dia 29 de Setembro. 

Ridículo!

Não era suposto discutir-se o que deve ser uma autarquia? O que será o futuro próximo, já que não há dinheiro para auto-estradas e grandes obras?

De um lado temos Passos Coelho a querer mostrar que é líder de uma coligação sem força, do outro lado, temos José Seguro a querer reforçar a liderança interna, uma vez que António Costa parece estar a beira de uma maioria absoluta.

Mas muita da culpa desta situação está na comunicação social, porque é "isto que vende".

Ainda temos um outro lado, que muitas vezes fica esquecido e é o mais importante, que são os cidadãos e as suas necessidades.

sábado, 29 de junho de 2013

Greve



Na passada quinta-feira, em Portugal fez-se a quarta greve geral, desde o 25 de Abril unindo as duas centrais sindicais, a segunda deste Governo.

Ultimamente, e principalmente desde que este Governo tomou posse (o anterior já tinha com regularidade), os portugueses têm feito greves e manifestações com grande regularidade, se calhar até excessiva.

Desta vez, o que está em jogo, é o elevadíssimo desemprego, a redução do poder de compra e principalmente a perda de direitos, nomeadamente no sector público.
Uma greve é muito importante, principalmente porque é o último recurso usado antes de uma revolta, e já depois do diálogo. Mas em Portugal, o diálogo tem sido muito próximo do nulo. Serve essencialmente para mostrar discordância em relação ao que é decidido pelo poder político, denunciar casos gritantes de desespero e mostrar também que a actividade cívica afinal existe, mesmo apesar da taxa de abstenção nas eleições. Esta frequência de manifestações, serve também para não acontecer como no Brasil, irmos sofrendo calados e de repente, soltarmos a raiva, como tem acontecido no país irmão.

A pouco disse que a regularidade das manifestações pode estar a ser excessiva, não por este executivo não o merecer, não porque os portugueses não tenham razões, mas sim porque o chefe de Estado, e no nosso país é o Presidente da República, deveria já ter terminado com este desespero. O que é demais é erro, e as manifestações não fogem à regra. Um dia, fazer greve será banal, e temo que já o seja...

Hoje em dia, a utilidade das greves em Portugal não são mais do que, tentativas de paralisar o país, as pessoas serem ouvidas e no final, em vez de haver uma negociação entre os sindicatos e o Governo para melhorar o que está mal aos olhos dos cidadãos, temos assistido a uma guerra de percentagens de adesão. Isto é gozar com quem sofre todos os dias, com a angústia de poder, muito facilmente, perder o posto de trabalho.

Por fim, gostaria ainda de olhar para as reacções à greve, quer dos sindicados, quer dos deputados.
Arménio Calos (CGTP) olha para a fragilidade do Governo, Carlos Silva (UGT) prefere olhar realmente ao problema, mas sobretudo aponta soluções, renegociar com a troika. Marques Guedes (Governo) diz respeitar a greve, mas respeita mais quem prefere ir trabalhar, António José Seguro (PS) saúda quem fez greve faltando ao trabalho, quem fez greve mesmo sem trabalho e aos emigrantes que nos fazem falta. Já os turistas, foram surpreendidos com a greve mas reagiram com naturalidade e admiração.
No entanto, não posso deixar passar em branco os portugueses que, preferiram ir para a praia aproveitando o motivo de greve, repudiando veemente este tipo de acções, para isso teriam ido trabalhar, digo eu. Arrepiei-me quando li no jornal uma declaração de um jovem que diz: "a paria é mais importante", considerando desnecessário manifestar-se. (Se bem que por trás desta declaração, podem estar muitas leituras)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Uma proposta acertada.



A Europa está claramente dividida. Hoje existem duas Europa e ao mesmo tempo apenas com um Estado-membro. Temos a Europa do norte (os bons), a Europa do sul (os maus), mas ao mesmo tempo, parece que a Europa não é nada mais que a Alemanha.

Com a actual crise que assombra o mundo, mas praticamente já só se fala nela no velho continente, ficou claro que este continente tem muitos telhados de vidro e que deu muitos passos em falso, ou se quisermos, construiu castelos de areia. Problemas como o défice e a dívida excessivos marcam a agenda de quase todos os países europeus, mas existe um problema ainda maior, que cada vez mais parece não ter solução, é o do desemprego, principalmente o desemprego jovem!
Hoje em dia temos um dos líderes mais carismáticos (senão o mais) que a Europa conheceu, Jacques Delors, a dizer que é preciso reconstruir a velha Europa, e o líder do PS (que pelo andar poderá muito bem vir a ser um dos futuros líderes da Europa) a propor uma medida concreta para a solidariedade entre os Estados-membro, e que fará com que este continente se torne cada vez mais um só, a uma só voz e com um só propósito.

A proposta de António José Seguro é que quando um Estado-membro ultrapasse os 11% de desemprego, o subsidio de desemprego passe a ser participado com a comissão. Isto levaria a que não seja apenas o país já afectado socialmente com o desemprego a suportar os custos, como também seriam suportados por todos os outros. 
Na apresentação desta ideia, o líder do PS afirmou que a intenção não é que a UE subsidie o desemprego, mas sim que o desemprego passe a estar na primeira linha das prioridades. Com esta medida em funcionamento neste momento, os países que se esforçam por tirar proveito de países como Portugal, Espanha ou Grécia pensariam duas vezes antes, uma vez que teriam de, através de UE, comparticipar. Pode ser que assim a UE comece a pensar mais no crescimento económico e no emprego, e não tanto em ratings e fachadas. Este sim, é um problema que mexe com as pessoas no dia-a-dia. Eu percebo o porque de o défice e a dívida estarem inscritas com um tecto máximo nos estatutos da UE, mas percebo também que se coloque um tecto máximo para o desemprego. Actualmente, Espanha está a gastar um dinheirão só com o desemprego, e como todos sabemos, o desemprego faz um Estado gastar dinheiro em subsídios, essas pessoas não têm poder de compra relevante, caso dure muito tempo podem emigrar despovoando o país, e trás problemas atrás de problemas, como hoje em dia temos assistido.

Por isto, sou todo apoio a esta ideia apresentado por António José Seguro, quem tem feito um papel a meu ver extraordinário no que diz respeito a apresentar ideias concretas e de diálogo, quer em Portugal, quer na Europa.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lição de como devem os partidos agir em democracia



Isto sim, é democracia.
Defino democracia como um regime que promova o diálogo, o consenso e a liberdade (quer de acção, quer de expressão). E hoje, o PS está claramente unido, forte e a trabalhar para melhorar o país, a nossa sociedade. 

Não estão agendadas eleições legislativas, vamos a meio deste mandato, mas mesmo assim, o PS e em particular o seu líder António José Seguro tem intenção, e vai fazê-lo esta semana, de reunir com todos os partidos que gozam de assento parlamentar com o intuito de conseguir um consenso e encontrar soluções para a crise promovendo o emprego. Uma pergunta que surge logo de início é: Mas isso não é o papel da AR? Ser é, mas não o tem feito de forma eficaz devido a existir uma maioria que não tem promovido o crescimento económico nem o emprego.

Visto que temos este problema no nosso quotidiano, é mais do que nunca necessário resolve-lo. Os cidadãos não podem estar constantemente a espera que a AR resolva os seus problemas, principalmente quando esta não tem mostrado realmente vontade, e é aqui que os partidos têm de justificar a sua existência, e é o que o PS está a fazer.
É extremamente importante que acções destas sejam agendadas quando não à eleições à vista, só demonstra que, e neste caso o PS não é apenas um partido de oportunismo político eleitoral, tem como objectivo resolver os problemas concretos que afectam o nosso dia-a-dia.
Mas se dou os parabéns ao Partido Socialista pela iniciativa, dou igualmente os parabéns a todos os outros partidos, que aceitaram entrar no diálogo, parece-me ser um excelente mote de partida para um futuro melhor.

Agora, porquê ser o PS a tomar a iniciativa? Simples, porque tem responsabilidades a assumir, não só por ter governado 6 anos em que a crise estava a emergir, não só porque também assinou o memorando da troika, não só porque tem assento parlamentar, mas essencialmente, porque está na frente das sondagens, ou seja, uma vez que é o favorito dos eleitores hoje em dia, tem de assumir que é o líder da oposição e concretizar a sua retórica, isto é, passar das palavras a prática. Frisando Anderson "política é aquilo que os políticos fazem concretamente, e não apenas aquilo que dizem que vão fazer".