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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Europeit, Europetit e Euroshort


Sobre as eleições europeias, muito já foi dito. Mas será que já se disse tudo?

Hoje, passados alguns dias, podemos olhar com outros olhos para os resultados, tendências eleitorais e discursos. Analisar vencedores e vencidos. O grande vencedor, e o grande derrotado. A surpresa, positiva e negativa. A abstenção… quer dizer, esqueçam esta parte da abstenção. Afinal de contas já todos sabem tudo sobre a abstenção, já todos sabem quem não vota e em que eleições o faz, todos têm algo a dizer. Todos vêm com enorme preocupação. Só me resta dizer duas coisas e faço-o já para não vos maçar muito com este assunto: 1) quem se abstém, não está a respeitar todos aqueles que outrora lutaram para que hoje o voto fosse universal e 2) estão a perder legitimidade para criticar o que quer que seja.

A aparentemente o grande vencedor foi o Partido Socialista. Não creio. Foi maior vencedor o António Costa do que o Partido Socialista. António Costa fez questão de sufragar a governação. Fê-lo através das intervenções na campanha (sim, houve campanha), através de elementos da sua confiança política nos media, e mais relevante, abdicou de dois ministros para o candidatar a eurodeputados. De um, o primeiro candidato, Pedro Marques, fica a ideia de uma pessoa muito competente e rigorosa no trabalho que desenvolveu, de outra, a Maria Manuel Leitão Marques, fica a ideia de que haverão poucas pessoas, principalmente poucos políticos que tenham tanta apetência para a nova era digital e para a modernização administrativa (gritante urgência) como ela.

Foi arriscado. Muito ariscado para António Costa. Todos sabemos que quando um partido está em funções governativas, geralmente é penalizado nas eleições europeias porque o risco é muito menor do que nas legislativas e por isso as pessoas tendem a votar mais em partidos alternativos e a dispersar o seu voto (e desta vez, eram 19 opções que as pessoas que se enfrentaram com um papel e uma caneta tinha). Ao fazer desta forma, António Costa estava a fazer uma espécie de pré-época para as legislativas, ou um estágio, como queiram. E saiu-se bem. Demonstra bem a sua habilidade política e reforça a confiança de que sairá vencedor em outubro.

No entanto, o Partido Socialista não tem um resultado estrondoso. Percentualmente, anda muito próximo de há 5 anos, e isso custou a liderança a António José Seguro. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (quem nunca). Há 5 anos, o PS era oposição, não tinha o natural desgaste governativo, quem governava, fazia-o de forma austera. A política tem muito de estratégia, e nesse ponto, a direita falhou redondamente. Foram os vencidos.

Rui Rio voltou ao discurso do início da sua liderança, aquele discurso que estávamos todos à espera que não tivesse perdido, mas aquela desavença interna fez com que ele mudasse… viu-se o resultado. Na noite eleitoral, em que os discursos parecem recitais, Rui Rio enfrentou tudo e todos, nomeadamente a realidade, que é muitas vezes o maior desafio. Fê-lo. Mas aquele não podia ser o seu candidato. Como é que é possível, desde que eu ando atento à política, e me envolvo, nas europeias, PSD e CDS apresentam, sistematicamente, o mesmo candidato? Rangel e Nuno Melo são a cara da continuação, e não da mudança. Falharam, e falharam por muito. São os grandes derrotados. Mas se tiver de eleger um, será Nuno Melo.

Nuno Melo perde as eleições, faz o discurso que tem de fazer, para salvar a pele da líder, mas belisca aquilo que estava a ser a trajetória do CDS. Desde que Paulo Portas saiu da liderança, o CDS parecia ter-se afirmado na direita portuguesa, mas foi ilusão ou foi um acidente de percurso. Depois de se ter saído muito bem nas autárquicas, principalmente em Lisboa, e de ter colocado muitas vezes o PSD a seu reboque nesta legislatura, o CDS deu um passo em falso nestas europeias. Veremos o preço em outubro, mas eleger metade dos eurodeputados do que BE e do que PCP, que são aparentemente eurocéticos e o mesmo número de eurodeputados do que um partido que surpreendeu, o PAN, não me parece grande fotografia. Nuno Melo devia dar lugar ao segundo da lista. Mas enfim, Cristas tem as suas heranças de Portas.

A surpresa, como já disse, foi o PAN. NA verdade, eu não alinho nesta onda de euforia com o PAN. Preferia que a surpresa tivesse sido o LIVRE, e se fosse, eu não ficaria surpreendido (quer dizer, dependia do resultado efetivo, mas acho que perceberam a ideia). O PAN é mais um movimento do que um partido. Tem coisas obscenas no seu programa. São radicais. Eu não costumo compactuar com esta linha, desculpem.

Escrevi há pouco 19 opções para quem foi votar, lembram-se? Sim, 19=17+1+1. 17 listas, nulo e em branco. São tudo coisas distintas, e não me digam que das 17 não se identificam com nenhuma. Não posso com esse discurso corrosivo e antissistema. Esse é o discurso do BASTA ou do CHEGA e na verdade o que chega é essa mente pequenina e preguiçosa. Do BASTA ao PAN, passando pelo LIVRE e Iniciativa Liberal, não esquecendo os habituais PS, PSD, CDS (os dois até foram em separado porque não são a mesma coisa), a CDU (PCP+Verdes), o BE ou até o Santana Lopes (sim, ainda aqui anda com o Aliança e a sua dimensão reduzida com tanto mediatismo são a surpresa negativa)… para todos os gostos e feitios. Não havia desculpa. Mesmo assim, podiam chegar ao boletim de voto e escrever o que vos apetecesse, criar um novo quadradinho e um nome, até o próprio nome ao lado e votar, só para terem a sensação de o fazer, anulavam o próprio voto mas demonstravam que estavam ali para a luta, ou então deixar em branco, como quem: eh pá, não gosto de nenhum, li todos, vi os debates, mas não, não gosto de nenhum e mesmo assim vim aqui mostrar isso mesmo.

Ainda assim a abstenção (desculpem, eu sei o que prometi, mas…) foi de 70%. E a culpa, dizem, é dos políticos ou do sistema, ou da corrupção ou do sol, ou da chuva, ah não, foi aquele jogo de futebol, ou foi a missa, na volta, foi tudo isto junto (sim, já vivi dias em que choveu e esteve sol, por vezes ao mesmo tempo, arco-íris, you know?). A culpa, quando falamos de 7 em 10, não é de fator A ou B, de fulano ou sicrano, é de todos. Todos. Mesmo dos que votam. E não é só por causa daquela lógica pedagógica de quem tem irmãos e ouviu em casa: por causa da asneira de um, pagam os outros, ou na escola primária, para os mais rebeldes (fomos todos não fomos?). A lógica da culpa ser também de quem vota, é que quem vota é que dá a oportunidade de aqueles governarem. Existe uma responsabilidade associada ao voto de cada um. Eu sei, muitos não estavam preparados para isto, mas é isto que acontece.

Nota: O nome do artigo iria ser (Ainda) Sobre as eleições europeias, mas este título surgiu numa troca de mensagens com um amigo a propósito de uma publicação nas redes sociais da escrita do mesmo. O primeiro, uma gafe, o segundo e o terceiro, sugestões dele. Ele demonstra bem o sentimento da muitos, a ideia de que a participação, debate e tudo o que envolve a europa é pequeno… poucochinho, talvez.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Excertos do Dia em revista

Esta semana iniciei no PNP Opinião uma nova rubrica, o Excerto do Dia, em que a intenção é citar alguma frase, nota ou ideia que eu tenha lido ou ouvido durante determinado dia, e acontecerá todos os dias, de segunda a sexta, em forma de imagem na página do Facebook, que aproveito para convidar a fazerem "Gosto" para que assim possam seguir a página e possam acompanhar a nova rubrica. Para completar a rubrica, ao fim-de-semana escreverei um artigo no Blog, em que vou expor a minha opinião acerca de cada uma dos Excertos do Dia ou apenas sobre um ou outro, que mereçam uma nota mais alongada ou mais profunda. NOTA: Através das minhas contas do Twitter e Instagram também será possível acompanhar a rubrica diária.

Uma vez que a rubrica começou apenas na terça-feira, só houveram 4 Excertos do Dia esta semana.

O primeiro, e que foi o impulso para a existência da rubrica, pertenceu a Mariana Mortágua, que reconheceu no seu artigo de opinião no Jornal de Notícias a situação económica em que Portugal se encontrava em 2007, e que muitas vezes é por muitos esquecida, ou seja, a única vez em que Portugal esteve com défice abaixo dos 3% e com a dívida pública a consumir 68% do nosso PIB.
Esta é um facto que muitos, por falta de argumentos válidos para criticar a última governação do PS, tentam esconder, com a velha estratégia de que uma mentira dita muitas vezes passa com relativa facilidade a verdade, é ao mesmo tempo algo que não podemos esquecer. Porém, naturalmente que o PS cometeu erros, mas a estratégia antes da crise internacional era a que deveria ser seguida, de investimento público, com investimento principalmente na área da ciência e inovação.

Mas aquele que foi o tema dominante da semana, teve que ver com a estratégia da TAP (será que a estratégia é só da TAP? E aonde levará essa estratégia? Num artigo dedicado apenas ao tema TAP irei expor as minhas reflexões...), destaquei as afirmações de Pinto da Costa relativas ao facto de a equipa do FC Porto, que representa muitas vezes não só a cidade, como o norte e mesmo Portugal, ter viajado pela companhia aérea da SATA e não pela TAP. Porém, de notar que a SATA pertence à TAP e que, tal como a principal companhia, irá retirar voos do aeroporto Sá Carneiro. Mas a tomada de posição conseguiu o efeito pretendido na mesma, que era a colagem ao Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira nas críticas ao sucedido e dar voz às críticas do norte.

Iniciou-se ainda outra "batalha" esta semana. Não a Porto-Vigo, mas sim a Costa-Costa. Um, Primeiro-Ministro, lamentou a atuação do outro, Governador do Banco de Portugal em relação à proposta que o Governo fez aos lesados do BES e que foi maioritariamente por estes aceite, mas que ainda não teve o devido seguimento. Carlos Costa tem sido constantemente alvo de críticas desde o que se passou no BES, e depois todo o processo com os lesados e ainda com o processo de separação entre Banco Bom (Novo Banco) e Banco Mau (que deveria já estar vendido mas que tem dado muitas dores de cabeça) e também críticas relativas à supervisão (que é a sua função/tarefa) em relação ao Banco Banif, que foi a surpresa deixada na gaveta pelo anterior Governo, e que tinha um despertador já em contagem final. Está em curso no Parlamento um inquérito que, muitos, apontam como a causa do afastamento previsível de Carlos Costa do cargo que agora ocupa.

A semana terminou com um Excerto do Dia a destacar o que Mário Centeno disse em relação do Orçamento de Estado e aquilo que se tem dito (tudo e mais alguma coisa) e o possível aumento de impostos, no qual o próprio Ministro das Finanças negou, mas que o atual Primeiro-Ministro António Costa tem lançado, todos os dias, vídeos explicativos dos diferentes pontos do Orçamento de Estado. Não discutindo se o Orçamento é bom ou mau, a iniciativa é inovadora e e sem dúvida que aproxima o eleitor do eleitorado. Bem precisamos! 

E pronto, foi a primeira semana do Excertos do Dia, espero que sigam diariamente, e que enviem o feedback para que possa melhorar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

E que tal absterem-se?

Deverá ser das poucas vezes que defendo a abstenção, mas este é um caso especial e em sede parlamentar.

Estou a falar do mais recente tema quente da atualidade, o anúncio de voto contra do PCP ao Orçamento retificativo deste Governo de António Costa.

Defendo que quer o PCP, como o Bloco de Esquerda, Verdes e Pan devem-se abster e veremos o que farão os deputados que suportam o atual Governo (sim, porque o Governo é composto apenas pelos socialistas) e os deputados que suportavam o anterior Governo, ou seja, PSD e CDS.

Convém, obviamente, relembrar o porquê deste retificativo. Porque, com cerca de um mês de governação, seria muito grave que a origem fosse ações descontroladas deste Governo, ou então, muito pouco provável que nesse mês as condições/clima de atuação governativa tivessem mudado assim tanto que obrigasse a um retificativo. A origem deste instrumento, é o sucedido com o caso Banif, que foi herdado do anterior Governo, que estava engenhosamente guardado a 7 chaves para que houvesse uma saída limpa e umas eleições menos penosas (ainda assim perderam a maioria... enfim).

E porque é que incluo no lote de abstenções apenas os partidos à esquerda do PS e não o próprio PS também? Porque esta solução é encontrada precisamente por um Governo do Partido Socialista. Então e os deputados recém eleitos da direita? Devem, a meu ver, e inspirando em certa medida no que Paulo Baldaia (diretor da TSF) escreveu no seu Facebook pessoal, dizer de sua justiça, em sede própria e com as consequências quer políticas quer eleitorais que isso trará. Porque será muito interessante ver qual será a postura adotada por aqueles que criaram um problema, abstiveram-se de o resolver, esconderam dos portugueses criando assim um problema ainda maior.

Não quero com isto dizer que prefiro uma abstenção da esquerda para ver se o retificativo passa ou se não se criam os primeiros dissabores à esquerda depois de terem, historicamente, chegado a acordo.

Ah, e aproveito para lembrar que votar contra um retificativo não quer dizer que este Governo tem os dias contados, como muitos esperam e já celebram. Só demonstra, pelo contrário, que teremos um Governo de diálogo onde cada partido não abdicará dos seus princípios e valores, não esquecendo o seu eleitorado, naturalmente.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

António Costa apresentou uma solução de Governo.

Hoje parece claro que Cavaco, em condições normais, terá de indigitar António Costa para ser o próximo Primeiro-Ministro de Portugal.

Dirão que esta é uma constatação nada surpreendente, tendo em conta o partido que tenho vindo a defender e o meu público apoio a António Costa, mas existem mais razões:


  1. Em qualquer país, é espectável que sejam empossados de Governo, aqueles que ofereçam mais e melhores condições de governar. Ora, parece-me claro. Principalmente quando em jogo podem estar o chamados "nervos de mercado", que como todos sabem, não sou nada de acordo em governar ou escolher quem se governa a pensar nos mercados e nas taxas de juro. Parece que, segundo o que António Costa disse e também Catarina Martins, existe da esquerda portuguesa condições de governabilidade;
  2. Tendo em conta que o nosso Presidente da República é Cavaco Silva, e que Cavaco tem pedido, desde 2013, acordos alargados e estabilidade entre os partidos, uma vez que se juntaram PS, PCP e BE, esse acordo e estabilidade está assegurado. Se olharmos para aquilo que foi a reação de Cavaco Silva às eleições, e o convite que fez a Passos Coelho para procurar acordos alargados e este ter falhado, parece ainda mais evidente que o mesmo não está em condições de formar Governo.
Veremos o que fará Cavaco Silva, mas uma coisa parece ser certa, ou indigita já António Costa para liderar um Governo de esquerda, ou então Portugal perderá tempo e arrisca-se a não ter um Orçamento de Estado a tempo do novo ano, o que seria gravíssimo para os portugueses.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O papel dos media na democracia também passa por aqui

Existem dois temas que eu gostaria de escrever hoje, são eles as recentes sondagens (intercampos e eurosondagem, tornadas publicas ontem e hoje respetivamente) e também a entrevista que António Costa deu ontem na TVI/TVI24.

Porém, debruçar-me-ei apenas no segundo tema, uma vez que, como todos sabem, sou muito cético em relação ao resultados das sondagens, isto é, serão elas encomendas ou são genuínas? Depois do que se passou em Inglaterra, que credibilidade têm as sondagens? Depois do que se passou na Grécia com o referendo, que credibilidade têm as sondagens? E mesmo estas duas que acima referi, que dão resultados diferentes e o período de realização das mesmas é muito similar. Enfim, como todos sabemos, a verdadeira sondagem é na urna, através da contagem dos votos efetivos.

Não sei se tiveram a oportunidade de ver, mas se não tiveram, puxem a emissão para trás ou então procurem no site da TVI ou até no Youtube, mas vale mesmo a pena ver a entrevista que António Costa deu na TVI ontem. É longa, é certo, até porque se divide em duas partes, sendo que só a primeira tem cerca de uma hora. Eu não vou discutir aqui o conteúdo, apenas e só. Para sintetizar  o que acho em relação ao conteúdo, foi muito bom ver o candidato a primeiro-ministro pelo Partido Socialista a, em mais do que um momento, assumir pessoalmente compromissos sociais, pelos quais se tem batido até hoje. Mas melhor ainda foi ter ouvido António Costa a disponibilizar-se para fazer um programa daquele género anualmente, para comparar aquilo que disse ontem e aquilo que, periodicamente for ou não fazendo, para ser ir avaliando o grau de cumprimento do programa do PS.
Uma vez mais, António Costa demonstrou que valeu a pena ter avançado com a disponibilidade de liderar o partido do largo do rato.

O que é certo é que, com o formato desta entrevista, a nossa democracia e proximidade entre eleitor e eleito aumenta de forma substancial, e mesmo a participação cívica e principalmente, a prestação de contas, sendo esta última, a meu ver, essencial para o bom funcionamento da democracia.
Basicamente, António Costa esteve numa primeira fase frente-a-frente com Judite de Sousa que tinha sentada atrás de si alguns espectadores que foram fazendo perguntas ao longo do programa a António Costa. A pergunta poderia demorar 1 minuto a ser colocada e a resposta tinha de durar 3 minutos no máximo.
No mínimo, um sistema inovador em Portugal e que, a meu ver, aumenta o nível de profundidade da nossa democracia. É também nisto que os media têm um papel essencial a desenvolver, promover momentos de qualidade.
Numa segunda fase, já com José Alberto Carvalho, num formato mais tradicional, respondeu a algumas perguntas.

Depois de se ter iniciado este caminho, não vejo razão plausível para que não se continue.
Depois de a nossa democracia sofrer avanços como tem sofrido desde as primárias no PS até ao sistema de eleição de candidatos a deputados do LIVRE/Tempo de Avançar, vejo com ainda piores olhos os nossos níveis de abstenção.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PS desorientado? De longe...

Neste momento, o PS não tem secretário-geral nem líder parlamentar, ou seja, estou interessado para ver como vai ser o debate para o Orçamento de Estado 2015.
Mas tem um candidato a Primeiro-Ministro, e que candidato, diga-se.

Eu sei que entretanto serão marcadas as directas assim como o congresso,
Sei também que já esta semana começará a discussão para saber que irá liderar a bancada socialista na AR, no entanto, é previsível que a sua posição não seja muito boa para uma grande oposição, mas este é o primeiro grande desafio de Costa como, finalmente, figura central do Partido Socialista.

O ainda Presidente da Câmara de Lisboa é conhecido por ser um homem de consensos, e é disso que o PS e a esquerda, mas principalmente o país precisam.

Não me vou alongar muito em dizer aquilo que se está farto de ver escrito por aí. 
No entanto, a oportunidade é demasiado boa para não felicitar António Costa, que admiro assim como muitos dos seus apoiantes. Ontem, o PS venceu estrondosamente, o que se espera que se traduza numa derrota da direita.
Mais, felicito o PS pela grande capacidade de mobilização que demonstrou.

É tempo de construir, unir e apresentar algo em que os portugueses se revejam. Estou certo da capacidade de António Costa para tal, mas não basta ter capacidade, é preciso por em prática.

Ontem começou algo de muito bom para o nosso país.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Todos os caminhos vão dar à derrota... de Seguro



Quero começar por dizer que, depois de se bater com António Costa, dentro do PS, e o vencer, e ainda for a legislativas em 2015 e vencer e ser, como tem referido várias vezes, Primeiro-Ministro, serei o primeiro a tirar o chapéu a António José Seguro. Sem contestação alguma.

Agora, esse título para o actual líder do Partido Socialista, parece cada vez mais distante, por vários motivos!
Uma sondagem publicada hoje (mas anunciada no Sábado) no jornal i, dá conta de que mais de 60% dos eleitores preferem Costa a frente do partido, e este tem dado provas de ser competente ao ponto de cerca de um terço dos inquiridos dizer que o actual Presidente da Câmara de Lisboa não se deveria demitir do cargo mesmo assumindo a liderança do partido.
Isto quer apenas e só dizer que, Costa é cada vez mais favorito a liderar. Até porque, Seguro tinha prometido aos Presidentes das distritais que não iriam a eleições, o que pode não acontecer visto que será um dos pontos da ordem de trabalhos para a comissão política que se vai realizar em Ermesinde. Isto claro, paga-se caro na política, e Seguro, à custa desse preço, está a ver federações fugirem para o apoio a Costa. De notar que se metade das federações distritais solicitarem congresso, este realizar-se-à.

Mas não é só por causa da luta interna dentro do maior partido de oposição que Seguro pode ver o cargo que ambiciona cada vez mais distante. É que o actual circo montado em torno da decisão do Tribunal Constitucional, pelo actual Governo, pode ser estratégia para que o Presidente da República dissolva o parlamento. E aqui, até teria o apoio do PCP (que está em franca expansão e pode ir buscar votos ao PS) e o apoio de Seguro, mas não do PS. Sim, para Seguro, era o melhor que lhe poderia acontecer e o mais perto de PM que poderia chegar. Sendo que a vitória seria uma miragem, mas seria pelo menos, uma forma de o actual líder socialista ir a eleições. Acontece que era o melhor que poderia acontecer ao PSD e CDS, uma vez que a acontecer agora eleições antecipadas, iria muito provavelmente conseguir tirar proveito da situação socialista ao ponto de vencer, creio. E assim, revalidar a sua destruição do país por mais 4 anos.

E agora a pergunta que se coloca é a seguinte: Tudo isto é culpa de Costa? 
Não, claro que não. Se o PS tivesse tido uma vitória categórica, nada disto estaria a acontecer no largo do rato. Se Seguro percebesse que não está a agir em conformidade com o que seria de esperar deste partido, teria-se demitido, e não estar a atrasar todo o processo. Este atraso que o homem de Penamacor está a impor, pode fazer com que o cenário acima descrito de eleições antecipadas ocorra durante o verão. E aí, não será o actual líder do partido socialista quem mais vai sofrer, somos todos nós.

Demitirmo-nos para ir a eleições mostrar aos opositores internos que temos, realmente, condições para continuar no cargo não é vergonha nenhuma. Vergonha é estar a ocupar um lugar que sabemos que a grande maioria do nosso universo não nos quer lá, mas ainda assim, nele continuar.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Greve do lixo em Lisboa



Já muita tinta correu nos jornais e muito incomodou os lisboetas esta greve do STML - Sindicato de Trabalhadores Municipais de Lisboa, devido à reorganização administrativa na capital.

Ainda não foi normalizada a situação, até porque o Presidente da Câmara, António Costa admitiu isso mesmo, que seria apenas no dia 10 deste mês que tudo ficaria normal na cidade.
Mas o que me faz escrever, não é apenas e só a greve em si.

No dia 2 de Janeiro, depois de no jornal "i", no habitual semáforo colocar no vermelho Vítor Reis, presidente do STML, por este "saber desde o início que nunca esteve em causa a transferência da recolha de lixo para as freguesias, mas isso não o impediu de transformar Lisboa numa lixeira a céu aberto", já me tinha dado vontade de expressar, mas depois de na edição fim-de-semana deste mesmo jornal, ler que Duarte Marques propõe que seja despejado lixo à porta da sede do Partido Socialista, da casa de António Costa ou da Fundação Mário Soares, não consegui ficar "calado".

Não vou aqui propor que o mesmo seja feito para S. Bento ou Belém, porque isso não resolve nada e não faz com que os problemas de ameaça da saúde pública possam ser resolvidos, vou recomendar a Duarte Marques mais cautela com o que deseja, uma vez que de hoje para amanhã as coisas mudam de figura.

Mas vou dar uma outra recomendação ao próprio deputado do PSD e ex-presidente da JSD, que leia o artigo de opinião de João Miguel Tavares ao "Público" no dia 2 também, onde fala de greves desnecessárias e também que atente às acções dos funcionários das freguesias de Estrela e Arroios, onde se verificará que eles próprios vão efectuar a recolha de lixo, não sendo da sua competência, mas pelo maior interesse dos seus cidadãos. Por aqui se vê a abertura das freguesias à reorganização administrativa, que aliás, foi aprovada pela Câmara no mandato 2009/13 em coligação PS/PSD, na Assembleia da República pelo PS/PSD/CDS e mais, foi escrutinada pelos lisboetas no passado dia 29 de Setembro, com uma maioria absoluta! 

Para finalizar, apenas salientar que, para quem defende como deveria acontecer, um partido democrático deve sempre apelar e fomentar a descentralização... mas não me parece que seja esta a linha de pensamento de Duarte Marques.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Autárquicas 13': Do local ao central



Relativamente poucas pessoas o sabem, mas existem grandes diferenças entre poder local e poder central.
A que as pessoas estão mais atentas, é a diferença entre Câmara Municipal e Governo.

Acontece que, estamos em plena campanha eleitoral autárquica, em que em todas as localidades estão espalhados cartazes, arruadas, porta a porta, brindes, etc, etc. Porém, estamos também perante uma campanha legislativa, onde vemos a atenção voltar-se para António José Seguro e Pedro Passos Coelho, com dois anos de antecedência, ou seja, a ideia é ver quem dos dois sai vitorioso no próximo dia 29 de Setembro. 

Ridículo!

Não era suposto discutir-se o que deve ser uma autarquia? O que será o futuro próximo, já que não há dinheiro para auto-estradas e grandes obras?

De um lado temos Passos Coelho a querer mostrar que é líder de uma coligação sem força, do outro lado, temos José Seguro a querer reforçar a liderança interna, uma vez que António Costa parece estar a beira de uma maioria absoluta.

Mas muita da culpa desta situação está na comunicação social, porque é "isto que vende".

Ainda temos um outro lado, que muitas vezes fica esquecido e é o mais importante, que são os cidadãos e as suas necessidades.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Agitação no PS

A grande agitação do PS de hoje deve-se ao facto de este possuir de dois militantes com capacidades de liderar inegáveis... 

No entanto, visto por muitos, Seguro não tem tido um papel dominante na vida política, mesmo sendo principal opositor deste Governo. Seguro é de uma linha de opositores moderados, responsáveis e que tenta sempre o diálogo. Contudo, já o foi mais. É verdade que Passos Coelho pouco ou nada fez para "estimar" um opositor assim, mas a verdade também é que poucas outras alternativas teve até agora Seguro senão esta devido à herança que herdou e também ás limitações deste executivo!
Por outro lado, o autarca lisboeta tem já provas dadas de governação, quer a nível central como local, mas é ainda e pelos vistos pretende continuar a ser presidente de Lisboa.
Em boa verdade, qualquer um dos dois, a meu ver e como militante da Juventude Socialista, seria um óptimo líder do partido, e parece-me incontornável que ambos um dia tenham já por lá passado. Seguro já o é, António Costa o seguirá. Resta saber quando.

Se tivermos em conta que este Governo tem ainda mais dois anos e meio de mandato e que é maioria absoluta, se nada de grave acontecer (que quase já aconteceu) chegará ao final. E segundo isto, parece-me que deveria continuar Seguro na liderança, uma vez que seria agora reeleito e se daqui a dois anos não tiver uma alternativa credível ao Governo, aí sim se trocaria de líder. Mas se pretendermos fazer uma oposição serrada, coesa e com uma alternativa mais próxima e possivelmente um partido mais unido ou pelo menos com menos vozes a duvidar das capacidades do secretário-geral, António Costa será a solução.
Já se deve ter notado que gosto tanto de um como do outro, mas para primeiro-ministro, acho que preferiria António Costa, no entanto, essa meta está ainda longínqua temporalmente, e não me apetecia nada ver a Câmara de Lisboa não ser "entregue" ao PS.

Mas uma coisa é certa, quem pode ganhar com toda esta agitação é o PSD, que caso Costa avance para a liderança e vença, Lisboa fica mais perto para Seabra mas as legislativas também sofrem um encurtamento de tempo, se Costa não vence a liderança, a Câmara deve fugir a Seabra mas Passos Coelho beneficia. Porém, uma reeleição a Seguro pode e é aliás óptima, pois consolida a sua liderança e fortalece o PS para Outubro.

Resumindo e concluindo, a meu ver, eleições agora é bom, pois pode ajudar a fortalecer, demonstra a democracia dentro do partido ou então, faz com que um líder esperado já algum tempo tome posse e possa oferecer aos portugueses uma alternativa a qualquer momento.

PS: Peço no entanto ao partido que não se torne idêntico ao PSD que trocou várias vezes de líder enquanto Sócrates era PM!