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terça-feira, 7 de julho de 2015

Afinal, nem o país está melhor!

Aquela incrível premissa de que o país estaria melhor mas os portugueses não, como se fosse possível desassorear os portugueses de Portugal, uma vez que Portugal se faz dos portugueses, mas adiante... Parece ter caído por terra.

Segundo a TVI 24, em notícia rodapé, seguem os seguintes dados económicos, noticiados como notícia de última hora:

  • Importações crescem 3,2%
  • Exportações crescem 1,8%
  • Balança Comercial Portuguesa agrave-se 967 Milhões de euros em 2014
Ora, cai assim por terra uma das grandes bandeiras deste Governo. Aquilo que era um grande esforço e tudo por causa das políticas deste Governo, que as exportações estariam melhor do que nunca e que a nossa balança comercial encontrava assim o equilíbrio desejado.

Não é com júbilo, antes pelo contrário, que escrevo este artigo.
Não é por ser o PSD e CDS que lideram o Governo que eu rezo para que a economia piore, antes pelo contrário, quero sempre que as nossas condições se melhorem, mas não podemos deixar cair em falácias.

Como poderão ver pelos dados acima, as importações cresceram mais do que as exportações. E importa tentar perceber porque, e não apenas explanar os números.
As exportações crescem quando produzimos mais do que o que consumimos, e assim, exportamos o excedente. Ou então, exportamos aquilo que não consumimos, quer seja em excedente ou não, de forma mais simples. 
Já as importações crescem quando consumimos mais do que produzimos, ou consumimos o que não produzimos e temos de procurar noutros países e importar.
Ou seja, quer nas importações como nas exportações, o consumo nacional está presente, assim como a nossa produção. Se no total existe um gap de 1,4% negativos, quer dizer o seguinte:
  1. Ou estamos com mais dinheiro para consumir e a nossa economia não produz aquilo que é necessário, ou seja, a nossa economia produtiva não acompanha aquilo que o mercado pede, e aí, importamos;
  2. Ou então continuamos a consumir o mesmo, ou até menos, mas a nossa produção baixou de tal forma que nos obrigou a procurar importar para satisfazer o mercado.
Agora, cabe a cada um de nós, olharmos à nossa volta e tentar perceber qual das hipóteses que coloquei acima se enquadra melhor com a realidade.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Política, economia e fome... tudo relacionado.

Por estes dias, entre as notícias e imagens que nos chegam do outro lado do atlântico, do Carnaval do Brasil, e também por entre a estreia (e consequente histerismo) do 50 sombras de Grey, o contínuo noticioso grego e ainda a roleta russa de nomes para as presidenciais de daqui a 11 meses, comecei a ler o livro "O Capital no sec. XXI", de Thomas Piketty.

Esta obra, que ao que parece vai fazer parte do meu dia-a-dia das próximas semanas, fala-nos de uma das grandes questões que a mim me toca muito, e impulsiona o meu gosto pela política, é a temática da distribuição dos rendimentos e as consequências dos desequilíbrios que a acumulação de capital por parte de poucos, em detrimento de tantos, numa sociedade, que se quer democrática e justa. 

Mas será que se quer assim tanto?

Esta será uma questão que espero ver respondida no livro. Não sendo uma questão pessoal, porque eu defendo a igual repartição de rendimentos, admito que seja uma questão pertinente tendo em vista as políticas que os principais agentes tomam. Ao longo dos últimos anos, e na verdade, desde sempre, temos 2 classes apenas, as que mandam e as que são mandadas, os que possuem e os que servem. E esta relação será sempre assim, se não fizermos nada para alterar o rumo da história. Sim, porque temos esse poder!

Não vou aqui dissecar sobre o livro que não li, mas antes revelar o que tenho na estante por ler, e que o tenciono fazer este ano. Os livros em que me mergulharei, serão muito em volta desta temática das desigualdades, da distribuição da riqueza e de como melhorar o mundo em que habitamos. Tendo sempre por base a máxima que me foi ensinada, quando ainda era criança, de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrei. Para destacar apenas 3, para além do livro que acima referi, tenho na estante a aguardar o "Porque Falham as Nações" de Daron Acemoglu e James A. Robinson, "O Preço da Desigualdade" de Joseph E. Stiglitz e ainda "Os Milhões da Pobreza" de Paul Collier.

Neste ano que, como já vimos, politicamente será bastante agitado, estas serão outras formas de ver o mundo que irei trazer para este espaço de opinião.

Para terminar, e porque em certa medida está relacionado, este artigo surge no seguimento de Ibrahimovic ter conseguido a proeza de alertar o mundo para o facto de existirem, hoje, 805 milhões de pessoas com fome. É algo que deve mexer com cada um de nós, onde todos, em conjunto, devemos encontrar soluções.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

10 anos de parceria com a China

Por estes dias fazem 10 anos desde a celebração da parceria estratégica estabelecida entre Portugal e China. E é sobre isso que vou hoje deixar aqui uma breve reflexão.

Quem me conhece, ou acompanha o PNP, sabe que sou ainda jovem, tenho apenas 23 anos, o que faz com que aquando da celebração da parceria tivesse apenas 13, coincidindo com a idade que comecei a ver, perceber e interessar pelo que se passava a minha volta.
Ou seja, desde que me lembro de ser mais interventivo, mesmo comigo mesmo, a China está presente na nossa vida.

E realmente, desde que me lembro de andar com dinheiro no bolso, lembro-me de existirem lojas dos chineses, que tanto falamos e tanto na moda estiveram no final dos anos 2000.
A par disso, morava numa zona muito próxima à conhecida China Town de Vila do Conde - Mindelo, o que faz com que a presença dos chineses fosse ainda mais marcante na minha vida. Aliás, enquanto escrevo, estou-me a recordar de que, precisamente em 2004, tinha um colega chinês na minha turma... longínquos anos.

Mas não é para falar de mim e do meu passado que estou a escrever, mas sim para fazer uma pequena reflexão macro da presença dos chineses em Portugal.
Nestas relações bilaterais estabelecidas, não consigo, muito honestamente, identificar quem ficou ou está a beneficiar mais ou menos. Mas a verdade, é que Portugal é hoje um país muito mais globalizado do que era à 10 anos, tem uma concorrência no mercado, principalmente nos têxteis muito mais forte. há até, quem defenda que a vinda dos chineses para Portugal prejudicou a nossa economia têxtil, principalmente do norte e centro do país, mas eu acho que, a globalização e a concorrência são boas para qualquer economia, e apenas por um facto, torna os produtos mais acessíveis e aumenta a oferta para o cliente, e isso, por si só, é muito bom para a economia.

Por outro lado, houve uma certa criminalidade e uma desconfiança no comércio e restauração que foram desenvolvidas pelo cliente, muito devido aos rumores e episódios que se passavam (e passam) em estabelecimentos chineses em Portugal, e isso não é bom para nós.

Por fim, pensar apenas que dos chineses que conheço, pelo menos 75% se passeiam de Audi, e a percentagem de vistos gold, que necessitam de investimentos avultados na imobiliária, pertencem quase todos a chineses também. Isto para dizer que existe, dinheiro a rolar no nosso país, e não é pouco, por via desta comunidade.
Contudo, e porque há sempre o revés da medalha, a origem do dinheiro e a forma como este é conseguido, pela comunidade chinesa em Portugal, levanta sérias dúvidas, já para não falar que conseguem colocar produtos baratos no nosso mercado através da exploração infantil ou de, ainda à bem pouco tempo, o não pagamento de um salário mínimo! E isto, é algo que deveria ser repudiado e proibido pela UE. Mas enfim...

Em suma, e como tudo na vida, existem prós e contras, mas para a história, fica que nestes 10 anos, pelo menos a EDP já foi privatizada pelo Estado português e nacionalizado pelo Estado chinês.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Afinal o que é masoquismo?



O Presidente da República disse que é masoquismo dizer que a nossa dívida não é sustentável. Em parte até acredito, mas não na totalidade.

Para o afirmar, alegou que os credores, Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI dizem que a nossa dívida é sustentável, logo, esta passa a sê-lo. Eu acredito, que por esta via, a nossa dívida até seja mesmo sustentável. Estamos a falar, supostamente, dos melhores técnicos e académicos a trabalhar no sentido de fazer previsões, cálculos e levantamentos para que seja apuradas as necessidades de financiamento e possibilidades de pagamento do nosso país. Sim, economicamente quero acreditar que, médio-longo prazo se veja o efeito desta política, positivamente, mas a economia não é tudo.

O que me faz duvidar desta teoria, ou deste ponto de vista, se assim quisermos, é o lado social, e aí sim, é insustentável de certeza. A situação em que nos encontrávamos não era a melhor, é certo, mas existem formas de fazer as coisas, e socialmente, a meu ver, tem-se tomado as piores decisões!

Se retirarmos apoio social aos desempregados, aos carenciados, taxarmos mais os serviços prestados, baixarmos salários e ignorarmos o apoio aos idosos, claro que tudo fica viável e sustentável. Mas a questão fulcral para mim é a seguinte: Até que ponto se pode sacrificar as pessoas em prol da economia?

Tanto é masoquismo dizer que não é sustentável a nossa dívida, como o que têm feito ao povo português!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O ponto de viragem



Hoje acordei com uma noticia que, aparentemente é muito boa. A economia portuguesa deixou de estar em recessão no passado trimestre, prevendo-se um crescimento entre os 0.3 e os 0.6%. Os dados oficiais serão ainda divulgados na quarta-feira.

Agora, porque é que digo que esta noticia pode ser apenas aparentemente boa, e não realmente boa? É simples, é que a crise já nos tem tirado muito, e quando falo nós, falo ao povo em concreto, ao contribuinte comum. E se nos próximos trimestres a economia recuar, de nada vale este pequeno grande passo. É certo que muitos sacrifícios têm sido pedidos aos portugueses e que esta noticia é, claramente, o espelho de isso mesmo. E seja qual for o Governo em funções, esta é sempre uma boa noticia e pode, no nosso caso, significar que é o principio do fim da crise tal como já foi anunciado à um ano atrás.

Mas a verdadeira questão é em que é que isso influência a vida dos portugueses? Pouco ou nada a curto prazo, mas este é o momento em que o Governo tem de dar sinais de confiança aos portugueses e começar a devolver aquilo que lhes tem sido tirado. Não para que seja imposta uma política de intervencionismo do Estado, mas principalmente por duas coisas. A primeira, para que não fiquemos com um Estado mínimo  que apenas cumpre as funções gerais de soberania, o outro motivo passa por entregar aos contribuintes meios para que possam voltar a consumir, dando-lhes poder de compra.

Tal como tenho vindo a defender ultimamente, o estado de um país não se vê apenas pelo PIB, défice e dívida, mas sim pelo desenvolvimento que os cidadãos têm e o proveito que é feito com a riqueza gerada. De nada vale que a economia cresça, se isso não se reflectir no quotidiano. É que o povo não pode ser apenas chamado a pagar, e depois na hora de receber, ninguém se lembrar dele.

Não estou a pedir que seja entregue já nada em concreto aos portugueses, mas peço que pelo menos não tirem mais nada. Era importante começar por aqui. Seja como for, esta é aparentemente uma boa noticia.

domingo, 7 de julho de 2013

O acordo deu nisto



Uma coisa parece ser certa, temos estabilidade política até as eleições europeias, ou seja, temos Governo até ao fim do mandato. Isto até poderia ser óptima, mas acontece que eu não olho apenas a metas, mas sim também e essencialmente a meios, e isto ser conseguido apenas com uma "clausula" que encarece o eventual divórcio, não me parece lá muito democrático.
Já que falo em meios, o acordo até pode ser bom para a coligação, logo, para o país, mas a forma como foi conseguido por Paulo Portas, não me parece a ideal. Mas a verdade é que a partir de agora temos um Governo em versão 2.0. (poder ser melhor ou ainda pior)

Não entendo, como o PR aceita esta retirada de soberania ao povo e, legitima um Governo nestas condições, claramente contra a vontade do povo.

Como português, não me sinto protegido por este executivo.

Mas uma coisa que é muito interessante, é ver Paulo Portas agora a coordenar a economia, finanças e a relação com a troika. Isto significa que passa a ser não vice primeiro-ministro mas sim quem realmente manda. Passos Coelho passa assim a ser um fantoche.

Portas a partir de agora, para mim, não é governante mas sim estratega. Conseguiu o que queria, vamos ver o resultado.

NOTA: Esta imagem diz tudo, Paulo Portas a sorrir e Passos Coelho a vergar a cabeça. Melhor imagem era impossível

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Só a remodelação existe?



Haviam no início da coligação, uma mão cheia de pastas e cargos importantes, mas a serem divididos por dois partidos.
Primeiro-Ministro, Ministro da Finanças, Ministro da Economia, Negócios Estrangeiros e também de Estado. Por nomes, Passos Coelho, Vítor Gaspar, Álvaro Pereira, Paulo Portas e Miguel Relvas.
Destes 5 nomes, dois já se demitiram, outro está em processo de demissão ou promoção, ainda não se percebeu bem, outro (Passos)tem sido muito contestado para sair e ainda o Álvaro, que nunca se viu nada do trabalho dele!
Um Governo que faz tudo, menos governar.

Paulo Portas à muito que tem pedido uma remodelação governamental, mas acontece que foi havendo remodelações mas não ao seu jeito, logo, demitiu-se e disse que era irrevogável.
Hoje, a comunicação social já fala que está em cima das negociações a hipótese de Portas ficar com um cargo mais relevante ainda.

Não andaram a brincar com os portugueses? Não andam a fazer joguinhos de poder? E todos os sacrifícios pedidos até agora estão assim a ser deitados por água abaixo? Não era assim tão importante os juros? O mercado? Então? São estes os únicos problemas do país? Já não há desemprego? Dívida? Défice? Alguma coisa está muito mal no meio disto tudo e os eleitores não têm culpa de certeza e vão ser quem vai ficar a perder... like always.