quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PS e Seleção no mesmo barco

O Partido Socialista e a selecção nacional andam, por esta altura, no mesmo barco. Estavam ambos óptimos para virem até Braga, depois do cenário que se verificou ontem...

Adiante.

Parece-me óbvio o motivo pelo qual o PS e a selecção estão, por ora, no mesmo barco. Estão as duas organizações em reconciliação com os próprios elementos que as compões. O PS porque vem de uma disputa eleitoral interna muito intensa, mas muito gratificante, e a selecção que trocou o seu seleccionador e é uma força mobilizadora para com todos os jogadores nacionais.

Na selecção, Fernando Santos tinha de fazer uma convocatória como a que fez, independentemente dos resultados que se obtenham. Tinha de ir buscar jogadores aos 3 grandes, tinha de dar oportunidades aos jogadores mais novos e assim começar a renovar o leque de escolhas, e precisava também de ir buscar os jogadores que entretanto tinham dito "não" ao anterior ou anteriores seleccionadores.
Assim, demonstra ter capacidade de agregação de vontades e predisposições para alinhar com as cores de Portugal.
Esta é, aliás, a maior diferenciação que qualquer organização pode ter sobre as demais, principalmente sobre os principais concorrentes.

Percebendo perfeitamente ler estes sinais do tempo, temos António Costa que soube esperar pelo seu momento e lançar-se à liderança do Partido Socialista que vinha tendo uma morte silenciosa, que começou no 2 mandato do anterior Primeiro-Ministro.
O resultado das europeias demonstrou-se factual para que o autarca de Lisboa mostrasse a sua vontade de dirigir o partido e o país. Soube ler e analisar a situação. Foi premiado com 70% dos votos de uma eleição histórica e inédita na política portuguesa.
Para além de saber utilizar a força da agregação, que se está a impor à força do voto, devido aos próprios eleitores, Costa deu já sinais de abertura à esquerda do PS, nomeadamente ao LIVRE e também a movimentos de pessoas que querem fazer algo de útil pela sociedade. Tem também agendada para amanhã uma audição com o Sr. Presidente da República. Demonstrando assim a sua forte convicção e abertura de se expor e ouvir os outros. 

Sejam qual forem os resultados amanhã (jogo com a França e reunião com Cavaco Silva), Fernando Santos e António Costa estão ambos a saberem ler os sinais do tempo. Colherão certamente, os frutos que esperam colher.

domingo, 5 de outubro de 2014

3 notas deste domingo... recheado.

Não vou neste artigo, escrever sobre as eleições no Brasil.
Mas este, é um domingo preenchido! E agradável, para já.
5 de Outubro com bandeira hasteada correctamente, António Costa com um bom discurso, Cavaco Silva não se sentiu mal como no 10 de Junho, depois António Costa ainda faz um discurso muito bom no congresso do Livre à mesma hora em que sabíamos que Marinho e Pinto irá fazer um Strip Tease dos seus rendimentos como Eurodeputado.

Posso ainda relembrar que também hoje, Hamilton venceu o GP do Japão, o Manchester United venceu com dois golos, um de Di Maria e outro de Falcão, o Chelsea de José Mourinho também levou a melhor frente ao Arsenal num derby londrino. Ainda o Real Madrid ganhou hoje e para terminar o dia, a esta hora, o FC Porto está a 10 minutos de terminar o jogo frente ao Braga, e vai vencendo por 2-1. 

Um domingo em cheio portanto.

Mas como sabem, o PNP não é para mim, um diário que as adolescentes escrevem. É mais usual partilhar opiniões sobre o que se passa na vida política, e esse é o objectivo deste artigo também.

3 notas que não gostaria de deixar passar.

O primeiro, que enquanto ouvia Cavaco Silva falar, pensei, mas então, o actual Presidente da República não foi Primeiro-Ministro durante 10? Posteriormente, esteve quase outros tantos na sombra, a deixar que as suas medidas das duas maiorias absolutas que conquistou, fizessem efeito e em 2006 é eleito Presidente da República? Será que estamos a falar da mesma pessoa? É que não parecia. A forma como este criticou as instituições, sendo que ele próprio, enquanto figura de Estado, é uma das instituições, e das mais importantes, leva a crer que não faz nada para melhorar a situação. E a verdade é que não faz mesmo!
Como dizia ontem o fundador do PDR, e ex-bastonário da Ordem dos Advogados, se fosse com o anterior Governo, o que já não teria feito... mas adiante.

Por falar no ex-bastonário, hoje em Coimbra, deu-se a fundação do Partido Democrático Republicano. Pessoalmente, tenho algum receio do que pode acontecer com estes tipos de partidos populistas, qua agora começam a surgir e dividem o voto. O meu medo não é que o PS deixe de ser hipótese para governar, como aconteceu com o PASOK na Grécia! O meu medo é que comecemos a ser governados por pessoas que são populistas por determinados momentos ou por determinadas políticas, acabando por chegar ao poder, sem qualquer preparação para tal. Quanto ao PS governar ou não, depende apenas de si, ser ou não alternativa. Marinho e Pinto que levou o MPT às costas, cria agora um partido que promete vir a criar sensação. Ora não fosse a cara do mesmo, quem é.
Para confirmar aquilo que acabei de dizer, Marinho e Pinto pegou na expressão de Passos Coelho sobre revelar ou não as suas contas bancárias, para impressionar o eleitora. Mas espero que as pessoas percebam o que está por trás dessa atitude, e saibam que é populismo, puro e duro.

Por fim, tivemos um António Costa com 2 bons discursos hoje. Primeiro como autarca e anfitrião das celebrações do 5 de Outubro, onde basicamente, afirmou que quer ver em Portugal, aquilo que o próprio levou a cabo em Lisboa. Daí que prometeu repor os feriados de 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. À tarde, tivemos já o mobilizador de Portugal, no congresso do Livre, onde afirmou que não se deve andar às turras dentro da esquerda, mas sim criar condições de agregação e compromissos de alianças e apoios. Com esta abertura de Costa, e caso Rui Tavares aceite a disponibilidade, o Bloco pode, perfeitamente, ficar atrás do Livre nas legislativas do próximo ano. A salvação do BE pode mesmo ser Pedro Filipe Soares, caso este tenha uma moção diferente do que o PCP defende e venha a vencer. Caso isso aconteça, prevejo com alguma facilidade uma aliança pós-eleitoral, entre PS, Livre e Bloco. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Certidão de óbito?

Dá a ideia de que o Bloco de Esquerda, pela moção de Catarina Martins e João Semedo, acabaram por assinar uma certidão de óbito.

Ora, depois do que Portugal viveu nos últimos anos, especialmente os últimos 5, dá ideia de que o BE não aprendeu nada, e cada vez mais quer perder peso político. Todas as suas rejeições, especialmente com a Europa.

Que o Bloco esteja contra a austeridade, é certo e sabido, e aliás, partilhado por muitos, inclusive por mim. Mas eu não sou a favor da saída da União Europeia ou do Euro sequer. O que mais surpreende, é que após o anterior líder do partido, que o era na altura das negociações com a troika, ter afirmado estar arrependido de não se ter envolvido nestas negociações, e depois de o Bloco ter perdido dirigentes como Ana Drago ou Rui Tavares, por descontentamento pelas posições adoptadas, continuam numa linha de radicalização. O Bloco é, portanto, um partido comunista disfarçado. Digo disfarçado porque, se o assumissem, fariam um acordo com o PCP, ou deixariam de ser partido para se filiarem neste partido. De ora avante, caso seja esta a moção vencedora de entre 5 que vão a congresso, já sabemos com o que contamos, um bloco indisponível para tudo, excepto para coligar e alinhar com o PCP. E não está errado, mas estão a prejudicar a esquerda, uma vez que contamos actualmente com dois partidos, BE e PCP, a defenderem e agirem de forma exactamente igual. E isso só beneficia a direita, e não melhora, em nada, a possibilidade da esquerda Governar.

Porém, ao mesmo tempo, tínhamos o populista Marinho e Pinto a falar na TVI 24 e a falar da fundação do Partido que é fundador. À pergunta: com que partido não se coligará, o mesmo responde: o CDS. 

Esta, deveria ter sido a postura dos actuais dirigentes do Bloco. Admito que excluíssem também o PSD. Mas não seria de esperar, esta radicalização total, que é própria do PCP! 

Aguardo, com expectativa, o que defenderá Pedro Filipe Soares.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PS desorientado? De longe...

Neste momento, o PS não tem secretário-geral nem líder parlamentar, ou seja, estou interessado para ver como vai ser o debate para o Orçamento de Estado 2015.
Mas tem um candidato a Primeiro-Ministro, e que candidato, diga-se.

Eu sei que entretanto serão marcadas as directas assim como o congresso,
Sei também que já esta semana começará a discussão para saber que irá liderar a bancada socialista na AR, no entanto, é previsível que a sua posição não seja muito boa para uma grande oposição, mas este é o primeiro grande desafio de Costa como, finalmente, figura central do Partido Socialista.

O ainda Presidente da Câmara de Lisboa é conhecido por ser um homem de consensos, e é disso que o PS e a esquerda, mas principalmente o país precisam.

Não me vou alongar muito em dizer aquilo que se está farto de ver escrito por aí. 
No entanto, a oportunidade é demasiado boa para não felicitar António Costa, que admiro assim como muitos dos seus apoiantes. Ontem, o PS venceu estrondosamente, o que se espera que se traduza numa derrota da direita.
Mais, felicito o PS pela grande capacidade de mobilização que demonstrou.

É tempo de construir, unir e apresentar algo em que os portugueses se revejam. Estou certo da capacidade de António Costa para tal, mas não basta ter capacidade, é preciso por em prática.

Ontem começou algo de muito bom para o nosso país.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Haverá mudança ou não?

No próximo domingo realizar-se-ão eleições primárias no PS para escolher o candidato a Primeiro-Ministro por parte deste partido. Os dois candidatos, como todos sabem, é António José Seguro, que é o actual líder e já o é desde 2011, e o actual Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que após a vitória escassa do PS nas europeias se disponibilizou para ser líder do PS.

Até aqui, já todos estamos fartos de saber.

Acontece que Seguro prometeu que se não ganhar, se demite imediatamente. O que torna esta eleição não no candidato, mas sim no líder do partido.
E outro aspecto interessante, é que já antes desta disputa interna, o slogan do líder do PS era "Mudança". Não tem mal nenhum. Mas não deixa de ser engraçado que tenha mantido o mesmo slogan para estas eleições, uma vez que para haver mudança no partido, o próprio terá de sair para entrar... Costa.

Olho para esta campanha com alguma tristeza. Desculpem, minto. Muita tristeza. Houveram grandes ataques pessoais, e não grandes tomadas de posição. Minto outra vez. Seguro é que fez ambos. Ora fez ataques serrados ao autarca e também tomou posições como prometer que se demite de PM (legislativas só em 2015 e se for ele o candidato do PS e se vencer nacionalmente) caso encontre um país com a necessidade de aumentar os impostos. Dadas as últimas legislaturas, é sem dúvida, uma promessa ousada.
Atenção que não pretendo com este artigo fazer oposição a AJS, apesar de todos saberem que apoio Costa. Até porque, me surpreendeu, não apenas todas as histórias e biografias sobre o próprio me revelaram uma pessoa que construiu uma vida inteira em torno da política, sem ter nascido num "berço d'ouro", mas também porque, a meu ver, conseguiu sair melhor do que António Costa no primeiro debate e teve uma postura muito mais agressiva que até então, o que sugere, por si só, que caso vença domingo, conseguirá fazer uma oposição melhor em 2015 para vencer. Mas não passa disso, um debate em que sai melhor, e de um político toda a vida.

Já António Costa tem provas dadas, e boas, sim, porque é importante que não sejam provas fracas.

Dir-me-ão, mas Pedro, as diferenças entre ambos, em concreto, não são substanciais. Pois não, já por isso é que ambos fazem parte do PS, e ambos deverão, à priori, ter o mesmo ponto de vista acerca dos pontos fulcrais da nossa sociedade. Mas para se ser líder, é preciso ser-se líder. Logo, o que está em jogo, é mais de carácter pessoal. Obviamente. E nisso, penso que António Costa não deixa margem para dúvidas.

Mas não me vou alongar muito e... mais que a vitória de Costa, espero que todos vão votar para ser um processo eleitoral de sucesso e também que no dia seguinte, o partido não esteja partido.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Lições da Escócia

Hoje foi dia de referendo na Escócia pela independência do território. Pelos vistos, tudo continuará como está, unido.

Eu não vou comentar se o sim ou o não deveria ter ganho, não vou expor os argumentos de parte a parte, por diversas razões, entre outras, não sou escocês nem nunca lá fui. Acho até que existem exemplos bem válidos de parte a parte.

Mas existe uma grande lição a retirar do dia de hoje!
Em primeiro, uma campanha exemplar, mesmo quando os argumentos acabaram e se recorreu ao desespero, pelo menos aqui a Portugal, não se ouviram ataques pessoais. E deslealdade era por exemplo um ataque que não surpreenderia.
Outro ponto a salientar, é que ao que parece, a afluência às urnas foi bastante expressiva, o que nos ensina a cumprirmos os nossos deveres. É, acima de tudo, um acto cívico, é a nossa comunidade, o nosso futuro. A nossa decisão.
Ainda de notar que, segundo as sondagens até agora disponíveis, o "não" venceu com 53%! Eu vou repetir, 53%! Qual não será a excitação de um escocês em saber o futuro do seu país? Conseguiria dormir? Eu não...
Para além de toda a emoção do último voto decidir a vitória, mostra-nos que, o voto é, realmente, importante. Quando se diz: o seu voto faz a diferença. temos o dia de hoje como exemplo a dar de que por um voto se pode vencer, ou pObrigado Escócia por esta lição. Não a esquecerei.erder.

Segundo alguns relatos, independentemente do resultado, a praça de Glasgow está cheia, sem nenhum apelo ao "não", mesmo com as sondagens a favorecerem.
A isto se chama civismo. A isto se chama, respeito. A democracia em pleno nas suas funções.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cada vez mais elite

A Assembleia da Republica está a ficar cada vez mais elitista, e a proposta de António José Seguro vai ao encontro disso mesmo.

Ora, a AR é, supostamente, a casa do debate, a casa do povo. Os deputados não passam, em democracia, de meros representantes do povo, dos eleitores, e não detentores destes.
Por isto mesmo, eu digo desde já, que como democrata republicano que me considero, gostaria que a AR fosse composta por perto de 10 milhões de pessoas, isto é, todos os eleitores.
(como é óbvio, é impossível, mas deverão ter percebido a intenção)

O líder do PS propõe uma redução de deputados, o que irá, certamente, beneficiar os maiores partidos. Portanto, se beneficia os maiores partidos, aqueles que têm mais votos (PS e PSD), prejudica os mais pequenos (PCP, BE e PEV). Porque? Simples, porque pelo método d' Hondt, poderás perder lugares, e quando falamos em perder lugares, em partidos que contam com 3, 4 ou 7 lugares, a situação complica-se.
No entanto, a direita sai ainda reforçada por outro ponto de vista, é que a direita conta apenas com PSD e CDS, que se coligam com uma certa regularidade, portanto, mais uma vez, a esquerda fragmentada sai desfavorecida.

Feitas as contas, cada vez mais são os grandes partidos a saírem reforçados e, com menos deputados, temos menos representantes a defender os nossos interesses, logo, torna-se numa elite do poder.

Era óbvio que Passos ia aplaudir não era Seguro?