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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Quem quiser criticar, critica...

Quer queiramos quer não, a verdade é que quem quer criticar, critica... sempre.

Isto não é novidade para ninguém, mas serve de nota de abertura para este artigo, a propósito do último congresso do PS.

Existe ainda muito "barulho" em torno daquilo que o congresso foi, principalmente pelo facto de o secretariado não incluir "Seguristas". Em relação a este facto, podemos ter diferentes leituras. a primeira que me salta a vista é o facto de haver uma divisão no partido, divisão essa que não é suposto, tanto tempo depois das primárias e principalmente, tendo em conta a esmagadora vitória.
Porém, nos órgãos mais importantes entre congressos, estão presentes ex-apoiantes de Seguro. O que responde, por si só, aos críticos da inclusão de todas as fracções nos órgãos. Porém, o secretaria ser todo da "confiança" do líder, não me parece ter todo o mal, uma vez que assim, na sua ação, esta direção conseguirá, à priori, levar a cabo as iniciativas que pretender, sem grande alvoroço mediático. Sim, porque o que se assiste muitas vezes, é pessoas que integram estas equipas de trabalhos aproveitam esse mesmo facto para terem outra legitimidade em tornar públicas e mediáticas as suas posições e intervenções. Mas isso daria outro artigo.

Contudo, se António Costa integrasse na equipa do secretariado nacional pessoas mais próximas do anterior líder, estaria aqui a elogiar também, ou pelo menos, não criticaria certamente. O que me faz alguma espécie é algumas pessoas criticarem apenas para estarem do contra. O ditado em que se é preso por ter e não ter cão, em Portugal, faz todo o sentido.

Ainda para mais, quem tem criticado veementemente o novo líder socialista, são os mesmo que o atacavam, em campanha, de ser muito próximo da direita. Ora assistimos ao inédito, em que os "seguristas", ou pelo menos aqueles que o apoiaram, estão agora a criticar a "esquerdização" do PS. Em que ficamos afinal?

Quanto a isso eu sou bastante sucinto e claro. Primeiro ponto, não acho que sejam as pessoas ou os partidos que regem uma coligação, mas sim o seu conteúdo. Segundo ponto, o PS não pode, nunca, entrar em coligação com nenhum dos partidos de Governo, uma vez que estes parecem querer levar a austeridade como fio condutor das políticas nos próximos anos. Terceiro ponto, e dando nota da minha alteração de ponto de vista, já referenciado aqui no PNP, o LIVRE parece ser o partido mais disponível e com melhores condições para uma coligação, uma vez que entra no espírito agregador e mobilizador em que o Partido Socialista se encontra.

domingo, 5 de outubro de 2014

3 notas deste domingo... recheado.

Não vou neste artigo, escrever sobre as eleições no Brasil.
Mas este, é um domingo preenchido! E agradável, para já.
5 de Outubro com bandeira hasteada correctamente, António Costa com um bom discurso, Cavaco Silva não se sentiu mal como no 10 de Junho, depois António Costa ainda faz um discurso muito bom no congresso do Livre à mesma hora em que sabíamos que Marinho e Pinto irá fazer um Strip Tease dos seus rendimentos como Eurodeputado.

Posso ainda relembrar que também hoje, Hamilton venceu o GP do Japão, o Manchester United venceu com dois golos, um de Di Maria e outro de Falcão, o Chelsea de José Mourinho também levou a melhor frente ao Arsenal num derby londrino. Ainda o Real Madrid ganhou hoje e para terminar o dia, a esta hora, o FC Porto está a 10 minutos de terminar o jogo frente ao Braga, e vai vencendo por 2-1. 

Um domingo em cheio portanto.

Mas como sabem, o PNP não é para mim, um diário que as adolescentes escrevem. É mais usual partilhar opiniões sobre o que se passa na vida política, e esse é o objectivo deste artigo também.

3 notas que não gostaria de deixar passar.

O primeiro, que enquanto ouvia Cavaco Silva falar, pensei, mas então, o actual Presidente da República não foi Primeiro-Ministro durante 10? Posteriormente, esteve quase outros tantos na sombra, a deixar que as suas medidas das duas maiorias absolutas que conquistou, fizessem efeito e em 2006 é eleito Presidente da República? Será que estamos a falar da mesma pessoa? É que não parecia. A forma como este criticou as instituições, sendo que ele próprio, enquanto figura de Estado, é uma das instituições, e das mais importantes, leva a crer que não faz nada para melhorar a situação. E a verdade é que não faz mesmo!
Como dizia ontem o fundador do PDR, e ex-bastonário da Ordem dos Advogados, se fosse com o anterior Governo, o que já não teria feito... mas adiante.

Por falar no ex-bastonário, hoje em Coimbra, deu-se a fundação do Partido Democrático Republicano. Pessoalmente, tenho algum receio do que pode acontecer com estes tipos de partidos populistas, qua agora começam a surgir e dividem o voto. O meu medo não é que o PS deixe de ser hipótese para governar, como aconteceu com o PASOK na Grécia! O meu medo é que comecemos a ser governados por pessoas que são populistas por determinados momentos ou por determinadas políticas, acabando por chegar ao poder, sem qualquer preparação para tal. Quanto ao PS governar ou não, depende apenas de si, ser ou não alternativa. Marinho e Pinto que levou o MPT às costas, cria agora um partido que promete vir a criar sensação. Ora não fosse a cara do mesmo, quem é.
Para confirmar aquilo que acabei de dizer, Marinho e Pinto pegou na expressão de Passos Coelho sobre revelar ou não as suas contas bancárias, para impressionar o eleitora. Mas espero que as pessoas percebam o que está por trás dessa atitude, e saibam que é populismo, puro e duro.

Por fim, tivemos um António Costa com 2 bons discursos hoje. Primeiro como autarca e anfitrião das celebrações do 5 de Outubro, onde basicamente, afirmou que quer ver em Portugal, aquilo que o próprio levou a cabo em Lisboa. Daí que prometeu repor os feriados de 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. À tarde, tivemos já o mobilizador de Portugal, no congresso do Livre, onde afirmou que não se deve andar às turras dentro da esquerda, mas sim criar condições de agregação e compromissos de alianças e apoios. Com esta abertura de Costa, e caso Rui Tavares aceite a disponibilidade, o Bloco pode, perfeitamente, ficar atrás do Livre nas legislativas do próximo ano. A salvação do BE pode mesmo ser Pedro Filipe Soares, caso este tenha uma moção diferente do que o PCP defende e venha a vencer. Caso isso aconteça, prevejo com alguma facilidade uma aliança pós-eleitoral, entre PS, Livre e Bloco. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Arrancado a ferros!



Foi com uma vitória tangencial que ontem, o PS venceu a direita. Uma vez mais, aquilo que tenho referido como um erro da esquerda, ficou patente e o preço a pagar por este facto foi o que foi. Mas veremos mais a frente qual é, a meu ver, o verdadeiro preço a pagar.

Mas antes quero dizer que acho vergonhoso o que foi atingido de abstenção. Abstenção essa que ajudou, de certa forma, a apoiar o radicalismo da direita no PE e também fez com que Juncker seja eleito. Isto traduzido, a austeridade continua. Em homenagem a este sentimento expresso no parágrafo, fica a imagem do artigo.

É verdade que a direita, nomeadamente os partidos do Governo, tiveram uma derrota clara, aliás, nunca o PSD para as europeias menos que 31%, e desta vez, em coligação com o CDS, nem 28% chegaram!
Mas ontem as eleições eram europeias, e por isso, falar em Governo não é muito lógico, prefiro falar antes em direita.

Porém, o PS foi que, a primeira vista, lucrou com esta descida da direita, pois venceu as eleições e elegeu mais 1 deputado para o Parlamento Europeu. No entanto, os votos que teve não foram muito longe dos 31% (pior resultado até ontem, do PSD).

Mas atenção a alguns factos que não podemos deixar passar em claro, nomeadamente na esquerda e no Partido Socialista!

Primeiro ponto, a esquerda, e é aqui que eu tenho vindo a ter razão, ao fragmentar-se como tem feito, e desdobrando-se em partidos, faz com que os votos se distribuam e por consequência, percam força política. Na óptica do voto útil, claro está.
Aqui, está de parabéns o PCP que tem vindo a "renascer" e o MPT, mais propriamente Marinho e Pinto, que fez com que o Movimento Partido da Terra passasse de 0,7 para 7% em 5 anos. Notável! E quem sabe, para as legislativas não surpreenderá outra vez?
De salientar também, que o Bloco de Esquerda, desde o falecimento de Miguel Portas e a retirada de Francisco Louçã tem vindo a demonstrar uma insignificância política brutal. Não me refiro apenas ao conteúdo, ou falta dele, mas sim também nas urnas, em que cada vez mais, perde lugares em todas as eleições que disputa.
Não esquecendo claro, o LIVRE, partido que tenho criticado desde o seu aparecimento, como podem constatar aqui no PNP. Pois a ideia que passa é que, Rui Tavares se chateou com alguém no BE e para se "vingar", fundou um partido para roubar a este, espaço. Pois bem, em 2009 foi eleito eurodeputado pelo BE, e ontem, o LIVRE deixou-o em Portugal. Ou é do partido ser muito recente, ou é da sua insignificância no espectro político nacional.

Sobre a direita, para além da derrota, há um aspecto que importa referir, é que mostrou, pela fragmentação da esquerda ou não, não estar completamente sentenciado a deixar de ser Governo nas próximas legislativas.
No entanto, acho que o PS tem muita responsabilidade neste facto. Sim, um partido como o PS que é oposição à 3 anos, deveria já estar com pelo menos 10 pontos percentuais de distância seja qual for a eleição. É verdade que o PS venceu, e que é a segunda vitória de António José Seguro, mas... Não sabe a pouco? Não parecem vitórias arrancadas a ferros? A mim parece-me que sim, mas é apenas a minha opinião.
Tal como António Costa, acho que este deve ser um momento de reflexão para todos os decisores do partido do Largo do Rato. Porque é que ontem, tal como nas autárquicas, e como o PCP, o líder socialista não pediu eleições antecipadas? E dentro do PS, estarão todos a festejar o resultado de ontem?

Enquanto socialista, estou extremamente preocupado com o futuro próximo do PS, pois acho que tem muito trabalho pela frente se quer vir a ser Governo em Portugal nas próximas eleições, mas mais do que o trabalho, não estou certo que seja Seguro o homem certo para o fazer.
Não acho que seria mal nenhum o PS agendar umas eleições internas para o mais curto espaço de tempo possível, a fim de: 1) legitimar ainda mais Seguro ou 2) encontrar um novo líder.
Tal como disse Ronaldo a Carlos Queirós, "Assim não vamos lá".

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A minha campanha 3



Depois deste fim de semana, temos essencialmente, e que tenham a ver directamente com a campanha eleitoral, 3 pontos a salientar.


  1. Contributo de Ricardo Araújo Pereira
  2. Aparição de José Sócrates
  3. Vacinas contra o despesismo

Segundo o jornal Expresso, Ricardo Araújo Pereira vai ser o protagonista do tempo de antena de amanhã, terça-feira, pelo LIVRE.
O próprio já afirmou que não é, nem tenciona ser militante deste recente partido. Todos podem ler o que escrevi acerca do surgimento do LIVRE e a opinião que tenho acerca do novo partido de esquerda. Pelo que, para além de mostrar que a cidadania está activa, a única coisa que este partido parece ter de jeito é o apoio desta carismática figura portuguesa, que aprecio bastante, num tempo de antena. Veremos se será um sketch anedotário acerca desta campanha, onde a Europa não passa pelos debates a ter.

Depois, temos Sócrates a surgir, penso que será também amanhã, num jantar de apoio ao PS. Faz toda a lógica, uma vez que esta lista, completa, que o Partido Socialista apresenta tem elementos de todas as alas e é mais uma boa "jogada" de António José Seguro de anexar os socráticos ao resultado do próximo domingo e também, um bom sinal para o exterior de que o PS está unido. A meu ver, é um sinal mais na campanha. Já para a coligação Aliança Portugal, PSD/CDS, não passa de um alvo. Por si só, esta reacção dos partidos do Governo, demonstra bem o receio que têm do efeito que Sócrates pode ainda ter no panorama político e mais, o vazio que têm apresentado na campanha. Vejamos no terceiro ponto o que quero dizer com isto.

Por fim, temos então o terceiro ponto onde a coligação PSD/CDS demonstra o vazio intelectual que apresenta estas eleições. Discute-se a Europa? Faz-se propaganda positiva? Demonstra-se os motivos positivos pelos quais os eleitores devem votar nesta lista? Não, ataca-se o adversário. 
Atenção que não é só esta lista que o tem feito, mas fá-lo.
Porque é que eu digo que se trata de um vazio? Simples, porque Sócrates aparece, passa a ser o alvo e a palavra mais proferida nos discursos. É triste, é triste ver que Paulo Rangel e Nuno Melo não têm tido a capacidade de promover a imagem da Europa, a estratégia necessária para o crescimento. Afirmar que o voto na Aliança Portugal é uma vacina contra o despesismo, parece-me um bom mote de partida para um sketch de Ricardo Araújo Pereira para o "Melhor que Falecer", que este Governo tem promovido pelos cortes no SNS.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

LIVRE , a nova tendência?



Este fim-de-semana parece ter surgido, ou na prática, começou a surgir um novo partido na esquerda portuguesa.

A minha primeira reacção foi: "mais divisão na esquerda já dividida?"
Quem lê o PNP com regularidade, sabe bem o que eu acho acerca dos desentendimentos que a esquerda tem demonstrado, ao contrário da direita, mais ou menos unida, que nos momentos de grande aflição, lá se entende.
Mais uma vez, a esquerda dividir-se é dar mais uma vitória à direita, que se tem vindo a congratular com as sucessivas vitórias que tem conquistando. À vitória económica que se tem verificado, estamos à beira de assistir à vitória política.
No momento em que a esquerda se deveria unir para aproveitar a oportunidade que a crise está a oferecer, ao desgastar a direita, aproveitando sinergias, e tal como Mário Soares tem tentado através do congresso das esquerdas, vemos um novo partido, o LIVRE, surgir...

Mas vejamos melhor o partido em si e o seu líder, isto é, o LIVRE e Rui Tavares.

O LIVRE pretende ficar no meio da esquerda. Mas o mais engraçado é que, ainda hoje, é o dia em que me pergunto onde se localiza o BE, em que tanto tenta "atacar" o PCP como o faz com o PS. Portanto, onde é que é o meio da esquerda? Pelas pessoas que foram à primeira reunião, parece ser um partido próximo do PS e do BE.
Mas um partido novo só sobreviverá se fizer algo de diferente do que hoje em dia é feito pelos restantes. E não é preciso muito para se entender isto, basta olhar para as eleições do passado dia 29 de Setembro, onde os eleitores demonstraram isto mesmo!
Mas a inovação não sendo bem concretizada, é um tiro nos pés, tal como aconteceu com o Bloco, com esta direcção bicéfala, em que o partido, mal foi a votos, perdeu a única autarquia que detinha.

Mas um outro aspecto que gostaria de olhar, é ao facto de Rui Tavares se poder, muito facilmente tornar em Francisco Louçã versão 2.0 e o LIVRE caminhar as mesmas ruas que o BE está hoje a percorrer.

No entanto, e porque pode dar ideia de que sou contra o surgimento de um novo partido, não é nada disso, apenas gostaria que a esquerda se unisse em vez de se dispersar e assim dar vantagem à direita. É que a esquerda consegue ser muito mais capaz que a direita actual, e disso não duvido, mas se forem muitas forças à esquerda, o velho ditado "a união faz a força", tantas vezes proclamado pela esquerda, a ela não se aplicará. E seria uma pena.

Para finalizar, irei ficar bastante atento aos desenvolvimentos, e certamente que este novo partido contará com excelentes contributos e desde já os meus mais sinceros parabéns pela ousadia de avançarem com esta iniciativa. A esquerda, em geral e vinda ela de onde vier, mostrará certamente valor.